terça-feira, 18 de julho de 2017

“La Jeunesse de Blueberry” nº 18 “1276 âmes”

Capa, 2009. N. C.: O Tenente Mike Blueberry
e o pregador Jim Thompson com os seus capangas.


Prancha 1. 


Prancha 2. 


Prancha 3. 


Prancha 4. 


Prancha 5. 


Contracapa, 2009.

“1276 âmes”
“1276 Almas” (1)
Roteiro: François Corteggiani
Desenhos e capa: Michel Blanc-Dumont
Cores: Claudine Blanc-Dumont
Volume: 18
Ano de publicação: 2009 (a); 2012 (b)
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11,99 €
Formato: 22,5x29,5 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Edição: a) Anotado “Primeira edição”. b) Contracapa: última publicação: Gettysburg.

Fonte: Dargaud Éditeur e Bedetheque.

N. C.: 1) O título se refere ao número de civis mortos no ataque do exército da União ao Vale de Shenandoah em represália às incursões sangrentas de John Singleton Mosby, “Fantasma Cinza”, contra várias posições nortistas. Nesse massacre, morrem os familiares e os amigos do pregador Jim Thompson.

O coronel John Singleton Mosby (1833-1916), conhecido como “Gray Ghost”, comandante do 43º Batalhão da Cavalaria do Exército Confederado, e William Sherman (1820-1891), general do exército da União, são citados na história, de cuja participam outros personagens históricos: Allan Pinkerton (1819-1894), Philip Sheridan (1831-1888) e George Custer (1839-1876), os dois últimos generais do exército da União.


N. C.: A dedicatória da página 2:

Para Jean-Michel CHARLIER,
que partiu há vinte anos sem deixar o endereço
e que nos falta a cada dia.
Onde quer que ele esteja, ele sabe o porquê.

Saudações
François

N. C.: Jean-Michel Charlier, o criador literário de Blueberry, faleceu em 10 de julho de 1989.



Enquanto Blueberry se recupera com dificuldade dos trágicos acontecimentos sobrevindos às margens do rio Niágara, ele se vê confiar uma perigosa missão. A sobrinha do general Sheridan tem sido raptada de seu colégio por um pregador iluminado e seus capangas que querem se vingar de um massacre perpetrado em civis. Como resgate, eles exigem a rendição dos exércitos nortistas e a renúncia do presidente Lincoln. Blueberry se lança em sua perseguição sem desconfiar que ele não está só sobre a pista e que ele vai de novo colocar suas botas em uma armadilha mortal. Michel Blanc-Dumont e François Corteggiani justificam plenamente sua reputação de grandes mestres da história em quadrinhos de aventuras com essa história de tirar o fôlego que se estenderá em dois volumes.

Fonte: Dargaud Éditeur.





Em 2010, quando da publicação do segundo álbum desse díptico, a editora Dargaud publicou o estojo La Jeunesse de Blueberry tomes 18 et 19 – Aventure complete (“Aventura Completa”) contendo os volumes 18 e 19 e um presente (a edição Nº 404, de 21 de setembro de 1864, do jornal Harper’s Weekly, a journal of civilization, publicado em Nova York, de 4 páginas em preto e branco, sobre as grandes aventuras de Mike Steve Blueberry, cuja capa reproduz o desenho daquela do volume 19, “Rédemption”, duas páginas com extratos das duas histórias – Instituição Batista da Redenção, em Ogamaw, Ouachita County, Arkansas; pregador Jim Thompson; Blueberry tendo problemas com o pregador louco; Walter Baumhoffer, agente da Pinkerton; o ataque com canhões a civis em Shenandoah Valley, Virginia; Tenente Blueberry e Virginia Kidman se beijando; Blueberry na estrada para Corben – e a contracapa com um desenho e a biografia de Mike Steve Blueberry. A Dargaud imprimiu o jornal no formato de 28,0x40,5 cm e em papel amarelado para representar o seu envelhecimento).

A capa do estojo é composta por uma montagem com extratos da capa de “1276 âmes” (Tenente Blueberry) e do quadrinho 6 da prancha 29 de “Rédemption” (a casa onde estivera presa a sobrinha do general Philip Sheridan). A contracapa apresenta uma montagem do quadrinho 3 da prancha 2 com o quadrinho 5 da prancha 44 de “1276 âmes”, os títulos e as capas dos dois volumes e o seguinte texto:

O Tenente Blueberry deve fazer frente a um pregador particularmente perturbado. O falso homem de igreja tem massacrado um convento inteiro para capturar a sobrinha de um general nortista a fim de fazer pressão sobre ele. Blueberry deverá seguir sua pista sangrenta para impedi-lo de causar danos.

A ilustração da página de guarda dos álbuns da série “La Jeunesse de Blueberry, de François Corteggiani e Michel Blanc-Dumont, compõe os versos da capa, da contracapa e das orelhas; nessas últimas estão Blueberry (extrato do quadrinho 2 da prancha 19 de “1276 âmes”) e Jim Thompson (extrato do quadrinho 8 da prancha 13 de “1276 âmes”).


A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.

Fonte das imagens: Bedetheque: capa e contracapa. BDfugue: pranchas 1, 2, 3, 4 e 5. Afrânio Braga: estojo La Jeunesse de Blueberry tomes 18 et 19 – Aventure complète.

La Jeunesse de Blueberry nº 18 1726 âmes © François Corteggiani, Michel Blanc-Dumont, Dargaud Éditeur 2009, 2012
La Jeunesse de Blueberry tomes 18 et 19 – Aventure complete © François Corteggiani, Michel Blanc-Dumont, Dargaud Éditeur 2010


Afrânio Braga

sexta-feira, 30 de junho de 2017

As Guerras Indígenas de “Blueberry”

As Guerras Indígenas de “Blueberry”




A cavalo dos anos Sessenta, na França, são publicados dois grandes semanais para rapazes em grande difusão: “Vaillant” (depois tornado “Pif”), o periódico para rapazes editado pelo Partido Comunista Francês, e “Pilote, Le Journal de Astérix et Obélix”, editado pela editora Dargaud. O jovem desenhista Jean Giraud (25 anos) decide revolver-se a esse último, em cuja redação encontra o belga Jean-Michel Charlier, redator-chefe do semanal e prolífico roteirista aventuroso (“Buck Danny”, “Barbe Rouge”, “Tanguy et Laverdure”), o qual quer escrever uma série western.  O resultado aparece no número 210 de 31 de outubro de 1963 com o primeiro capítulo de “Fort Navajo” da série “Lieutenant Blueberry”, a partir do nome do personagem, que em inglês significa mirtilo, e por ele assinada com o pseudônimo Gir (1).

1) Jean Giraud usava dois pseudônimos: Gir, para as histórias em quadrinhos western, e Mœbius, para aquelas de ficção científica.




Em seguida, aprenderemos que o verdadeiro nome de Blueberry é Mike Steve Donovan, um filho do profundo sul que, por uma série de causas, é constrito a passar para o lado dos nortistas durante a Guerra de Secessão americana. O rosto do personagem, nos primeiros episódios, é traçado sobre aquele do ator Jean-Paul Belmondo, à época adequado a papéis de simpático canalha, assim como se revela bem rápido a criatura de Charlier e Gir.




Trata-se de fato de um personagem a seu modo incômodo, um anti-herói, intolerante de a disciplina militar, frequentemente constrito pelos eventos a ultrapassar os limites do lícito, generoso como todos os heróis que se respeitam, sobretudo defensor dos indefesos, mas também amante do uísque, das mulheres, do pôquer e das contendas amigáveis, em breve tudo ao contrário dos adiamantados heróis em quadrinhos da época: um por todos, o nosso Tex Willer!


A produção em “Blueberry” pode ser resumida em diversos ciclos temáticos.




O primeiro ciclo é composto por cinco episódios: “Fort Navajo, “Tonnerre a l’Ouest”, “L’Aigle solitaire”, “Le Cavalier perdu e “La Piste des Navajos(1), que tratam de guerra contra os Apaches. Blueberry, de serviço em Forte Navajo, deve enfrentar uma sangrenta rebelião apache, provocada pelo ódio demonstrado pelo seu superior, o major Bascom, nos confrontos com aquele povo. Blueberry rápido conhece Jimmy Mc Clure, um velho beberrão que se torna o seu ombro, como convém a um filme hollywoodiano e, com efeito, nessa história em quadrinhos se acham reunidos todos os clichês dos filmes sobre a 7ª Cavalaria dos Estados Unidos: intrépidos guerreiros Apaches, ataques ao forte tenazmente defendido, perseguições nos cânions, lutas corporais, o todo temperado com aquele espírito de revalorização da população indígena americana, misturado à condenação pelo genocídio praticado sobre a mesma, que tem permeado a cultura europeia, e não só aquela, nos anos 1960 e que na França e na Bélgica tem dado vida a Le Nouveau Western, um novo tipo de western mais maduro nas Bandes Dessinées.

N. C.. 1) “Fort Navajo” – “Forte Navajo”, “Tonnerre a l’Ouest” – “Tempestade no Oeste”, “L’Aigle solitaire” – “Águia Solitária”, “Le Cavalier perdu” – “O Cavaleiro Perdido”, e “La Piste des Navajos” – “A Pista dos Navajos”.




De um ponto de vista gráfico, é evidente a influência do mestre Joseph Gillain, em arte Jijé, que além de quê assina algumas pranchas e uma capa do ciclo, em demonstração da estreita ligação entre os dois autores.


Tal influência se nota nos rostos dos guerreiros apaches, também se em Gir o conjunto da construção da prancha desenhada apresenta um agradável efeito dinâmico graças a uma maior busca nos detalhes e um maior vigor no representar os cavalos. Os quatro episódios têm sido recoloridos abolindo os fundos cor verde e cor fúcsia (poucos verossímeis) da primeira elaboração.



1. Fort Navajo
“Pilote” do nº 210 de 31/10/1963 ao nº 232 de 02/04/1964
Álbum Dargaud em 1965

Capas de “Pilote” nº 210 e do álbum realizadas por Jijé



2. Tonnerre à l'Ouest
“Pilote” do nº 236 de 30/04/1964 ao nº 258 de 01/10/1964
Álbum Dargaud em 1966

8 pranchas desenhadas por JiJé
Da prancha 29 (“Pilote” nº 250 de 06/08/1964)


à prancha 36 (“Pilote” nº 253 de 27/08/1964)


e o primeiro quadrinho da prancha 37




3. L'Aigle solitaire
“Pilote” do nº 261 de 22/10/1964 ao nº 285 de 08/04/1965
Álbum Dargaud em 1967


4. Le Cavalier perdu 
“Pilote” do nº 288 de 29/04/1965 ao nº 311 de 07/10/1965
Álbum Dargaud em 1968

22 pranchas desenhas por JiJé
Da prancha 17 (“Pilote” nº 296 de 24/06/1965)


à prancha 38 (“Pilote” nº 307 de 09/09/1965)




5. La Piste des Navajos 
“Pilote” do nº 313 de 21/10/1965 ao nº 335 de 24/03/1966
Álbum Dargaud em 1969



Fonte: Blog Zona Bedé, Itália.

Le guerre indiane di Blueberry © Zona Bedé 2014

Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur


Afrânio Braga

sábado, 17 de junho de 2017

“La Jeunesse de Blueberry” nº 17 “Le Sentier des larmes”

Capa. N. C.: Tenente Blueberry, sargento Grayson,
xamã John Bear’s Fingers e índios Cherokee


Prancha 1. 


Prancha 2. 


Prancha 3. 


Prancha 4. 


Prancha 5. 


Contracapa.

Ficha técnica

“Le Sentier des armes”
“O Caminho das Lágrimas”
Roteiro: François Corteggiani
Desenhos e capa: Michel Blanc-Dumont
Cores: Claudine Blanc-Dumont
Volume: 17
Ano de publicação: 2008
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11,99 €
Formato: 22,5x29,5 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Edição: Anotado “Primeira edição”.

Fonte: Dargaud Éditeur e Bedetheque.


N. C.: A dedicatória da página 2:

Para meu amigo Georges Ramaïoli, índio francês de coração e verdadeiro homem da fronteira.

F. Corteggiani

N. C.: Georges Ramaïoli, desenhista e roteirista francês de história em quadrinhos. Como roteirista, ele assina os seus álbuns com o pseudônimo de Simon Rocca.


Blueberry, acompanhado de seus fiéis acólitos e de um xamã índio sujeito a visões terrificantes, está sobre a pista de um trem recheado de ouro. Mas uma horda de Confederados está igualmente à procura dessa fortuna que poderia mudar o destino dessa imensa carnificina que foi a Guerra de Secessão. Cavalgadas, batalhas, duelos e perseguições são conduzidos à mão de mestre por um Michel Blanc-Dumont no ápice de sua arte e um François Corteggiani que se diverte em desdobrar toda a panóplia roteirística do grande Charlier.

Fonte: Dargaud Éditeur.





Em 2008, quando da publicação do segundo álbum desse díptico, a editora Dargaud publicou o estojo La Jeunesse de Blueberry tomes 16 et 17 – Aventure complete (“Aventura Completa”) contendo os volumes 16 e 17 e um baralho com o rei (Blueberry), a rainha (Éléonore Mitchell, extraída da capa do álbum “Le Dernier train pour Washington”), o valete (um índio Cherokee) em todos os naipes, dois coringas (um preto e um vermelho, ambos com outro desenho de Blueberry) e o verso das cartas com a ilustração de Blueberry publicada nas contracapas dos volumes, da série “La Jeunesse de Blueberry”, de autoria de François Corteggiani e Michel Blanc-Dumont.

A capa do estojo é composta por uma montagem com extratos dos quadrinhos 1 (a ponte de Roebling (1), “Suspension Bridge”, ligando os Estados Unidos ao Canadá, próxima às cataratas do Niágara) e 4 (Blueberry) da prancha 24 de “Le Sentier des larmes”. A contracapa apresenta uma montagem do quadrinho 1 da prancha 13 de “Le Sentier des larmes”, os títulos e as capas dos dois volumes e o seguinte texto (o mesmo do resumo da editora Dargaud para “Le Sentier des larmes”):

Blueberry, acompanhado de seus fiéis acólitos e de um xamã índio sujeito a visões terrificantes, está sobre a pista de um trem recheado de ouro. Mas uma horda de Confederados está igualmente à procura dessa fortuna que poderia mudar o destino dessa imensa carnificina que foi a Guerra de Secessão.

Cavalgadas, batalhas, duelos e perseguições são conduzidos à mão de mestre por um François Corteggiani e um Michel Blanc-Dumont no ápice de sua arte.

A ilustração da página de guarda dos álbuns da série “La Jeunesse de Blueberry, de François Corteggiani e Michel Blanc-Dumont, compõe os versos da capa, da contracapa e das orelhas e o fundo das orelhas, em cujas estão um índio Cherokee (quadrinho 8 da prancha 3 de “Le Sentier des armes”) e o xamã John Bear’s Fingers (extraído invertido da capa do mesmo álbum).

N. C.: 1) John Augustus Roebling, nascido Johann August Röbling, foi um engenheiro civil alemão que imigrou para os Estados Unidos. É famoso por seus projetos de pontes suspensas com cabos de aço, em particular o projeto da Ponte do Brooklyn. Fonte: Wikipédia.


A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.

Fonte das imagens: BDfugue: capa, pranchas 1, 2, 3, 4, 5 e contracapa. Afrânio Braga: estojo La Jeunesse de Blueberry tomes 16 et 17 – Aventure complète.

La Jeunesse de Blueberry nº 17 Le Sentier des larmes © François Corteggiani, Michel Blanc-Dumont, Dargaud Éditeur 2008
La Jeunesse de Blueberry tomes 16 et 17 – Aventure complete © François Corteggiani, Michel Blanc-Dumont, Dargaud Éditeur 2008


Afrânio Braga

sábado, 27 de maio de 2017

Blueberry, o lendário tenente mais amado do Oeste

Blueberry, o lendário tenente mais amado do Oeste


Eu gosto do gênero western desde criança, quando eu lia as revistas de histórias em quadrinhos “Aí, Mocinho!”, “Bonanza”, “Cavaleiro Negro”, “Cisco Kid”, “Epopéia Tri”, “Paladino do Oeste”, “Reis do Faroeste”, “Tex”, “Zagor”, “Zorro” (“Lone Ranger”), entre outras, e assistia os seriados televisivos “Bat Masterson”, “Bonanza”, “Chaparral”, “Daniel Boone”, “Durango Kid”, “Gunsmoke”, “James West”, “Kung Fu”, “Lone Ranger”, “Paladino do Oeste”, “Rin Tin Tin”, “Roy Rogers” e outros. Naquela época, meados dos anos 1970, no Brasil, as publicações, os seriados e os filmes western eram a grande diversão do público aficionado do gênero; somando-se também que ainda não havia tantas opções de entretenimento como hoje.


Capa de “Blueberry” Nº 18 “Nariz Partido”, 
Editora Meribérica, Lisboa, Portugal, 1984.


Em 1987, eu comprei o meu primeiro álbum “Blueberry”, publicado pela Meribérica, extinta editora portuguesa, na também extinta Livraria Brasileira, próxima ao Teatro Amazonas, em Manaus. Os títulos da série e da história, respectivamente “Tenente Blueberry” e “Nariz Partido”, chamaram a minha atenção, assim como a bela capa mostrando um homem branco, vestindo uma casaca azul, do exército americano, e trajes indígenas, e um índio. Eu não sabia que aquela aventura trazia de volta Mike Steve Blueberry, apelidado de “Tsi-Na-Pah”, pelos índios Apaches, por causa de seu nariz partido, após cinco anos longe dos seus leitores.


Ilustração de Jijé para a capa do primeiro álbum de “Blueberry”,
“Fort Navajo”, publicado, em 1965, por Dargaud Éditeur, Paris, França.


Eu também não sabia que a sua longa saga começara no número 210 da revista semanal “Pilote”, de 31 de outubro de 1963, pelas mãos de dois talentosos mestres da “Bande Dessinée” franco-belga: Jean-Michel Charlier, o maior roteirista da história em quadrinhos francófona, e Jean Giraud, o melhor desenhista da 9ª arte de todos os tempos. “Nariz Partido” (“Nez Cassé”, título original francês do álbum publicado em 1980) apresenta o retorno de Blueberry, após o acidente de trem ocorrido no final de “Angel Face” (o álbum precedente, lançado em 1975), quando muitos colecionadores blueberryanos pensavam que o Tenente mais amado do Oeste não seria mais publicado devido à demora de sua volta às gibiterias e livrarias e à saída da dupla Charlier & Giraud da Dargaud Éditeur.


Refeitura de parte da capa de “Fort Navajo”, por Jean Giraud, para o
“Portfolio Blueberry in Paris”, Libraire Fantasmagories, Paris, França, 1997.


Blueberry retorna vivendo entre os índios Apaches, liderados pelo chefe Cochise e por Vittorio, futuro chefe da tribo, com o qual disputa a mão de Chini, filha de Cochise. “Nariz Partido” marca o início do ciclo do Segundo Complô contra Grant. O Crepúsculo da Nação Apache, que é composto também pelos álbuns “A Longa Marcha” e “A Tribo Fantasma”. O roteiro de “A Longa Marcha” foi inspirado no acontecimento histórico A Longa Marcha dos Navajos - “Long Walk” -, em cuja nove mil índios, a maioria mulheres e crianças, foram obrigados a marchar 500 quilômetros até a sua nova reserva, no Novo México, onde ficaram por quatro anos, quando centenas morreram de doenças e de fome, juntando-se às vítimas da marcha forçada.


Ilustração, de Jean Giraud, para a capa de “Pilote” nº 427, de 28 de
dezembro de 1967, na ocasião do lançamento da primeira parte do
episódio “La Piste des Sioux” na revista semanal da Dargaud Éditeur.


A minha primeira experiência com o oficial fugitivo, cuja cabeça estava colocada a prêmio, acusado de tentar assassinar o Presidente Ulysses Simpson Grant, perseguido por Wild Bill Hickock, famoso pistoleiro, Gedeon Eggskull, caçador de índios, os dois grandes cães desse último, Gog e Magog, e pelo exército americano, foi positiva e me estimulou a procurar mais volumes da série na Brasileira, que me indicou o representante da editora no Brasil, pois aquela livraria não venderia mais publicações importadas. Assim, eu fui comprando mais álbuns até a Meribérica falir, deixando a minha coleção incompleta.


Duas ilustrações de Blueberry, por Jean Giraud, dos anos 1970, para a Dargaud Éditeur.


Anos antes da minha primeira experiência blueberryana, a extinta Editora Vecchi lançou, em 1980, “Fort Navajo, uma Aventura do Tenente Blueberry” (seguindo o título inicial da série na França), que teve apenas dois álbuns, em preto e branco, lançados – “Fort Navajo” e “Tempestade no Oeste”. O editorial, publicado sobre a histórica página de guarda da série – Blueberry, a cavalo, inspirado, por Jean Giraud, no desenhista Jean-Claude Mézières - no primeiro volume:

Depois de COMANCHE, voltamos à carga lançando mais uma revista em formato grande: FORT NAVAJO, com as aventuras do Tenente Blueberry. Esta história, de origem francesa, é escrita por JEAN-MICHEL CHARLIER e desenhada por JEAN GIRAUD, que não é outro senão o famoso MOEBIUS, um dos mais aplaudidos desenhistas da atualidade.
Quando GIRAUD começou a desenhar essa série para a revista francesa PILOTE, estava no início de sua carreira. Ainda sem atingir seu estilo definitivo, com influências de outros desenhistas, ele deu início a essa epopéia do faroeste, famosa em seu país de origem há cerca de vinte anos. Tempos mais tarde, associou-se a outros desenhistas de gabarito, usando o pseudônimo de MOEBIUS, e foi fundada a firma LES HUMANOÏDES ASSOCIÉS, que deu origem à badaladíssima METAL HURLANT, uma das mais cotadas revistas da atualidade.
As histórias de FORT NAVAJO estão sendo publicadas na mesma ordem original e contamos com os leitores para que ela obtenha o mesmo sucesso que as outras já consagradas publicações desta editora.

Em 1990, a Editora Abril, que lançara, em 1976, o primeiro álbum “Blueberry” no Brasil, “O Homem da Estrela de Prata”, retomou a publicação do cabeça-quente, teimoso e insubordinado tenente, dessa vez desde a primeira história, “Forte Navajo”, saída no número 21 da coleção “Graphic Novel”. A editora lança a série “Blueberry”, em cores, que dura apenas quatro volumes - “Tempestade no Oeste”, “Águia Solitária”, “O Cavaleiro Perdido” e “A Pista dos Navajos” – de outubro de 1990 a janeiro de 1991, os quais, juntando a “Forte Navajo”, perfazem o ciclo Forte Navajo. As Primeiras Guerras Indígenas. Na capa, os nomes dos autores são Mœbius e Charlier, porque Jean Giraud é mais conhecido, no Brasil, pelo seu outro eu, Mœbius, que realizava as histórias em quadrinhos de ficção científica, enquanto Giraud aquelas de western.

Em 1992, novamente a Editora Abril prosseguiu Blueberry em uma nova série, denominada “Tenente Blueberry”, em preto e branco, sem os nomes dos autores nas capas, que durou também somente quatro volumes – “O Homem da Estrela de Prata”, “O Cavalo de Ferro”, “O Homem do Punho de Aço” e “A Pista dos Sioux” - de março a junho daquele ano. Ao que tudo indica, a editora não tencionava continuar a série, pois não anunciou, no final de “A Pista dos Sioux”, “General Cabeça Amarela”, o álbum conclusivo do ciclo do Cavalo de Ferro. As Segundas Guerras Indígenas.

Em 2006, Blueberry voltou a cavalgar no Brasil, na ocasião pela Panini Comics, que publicou o ciclo Mister Blueberry. O Rei do Pôquer, em três álbuns em cores na série “Blueberry”, de Charlier e Giraud, sendo os dois primeiros dípticos - “Mister Blueberry” e “Sombras sobre Tombstone”; “Gerônimo, o Apache” e “OK Corral” – e “Dust”, a conclusão do ciclo. A editora lançou os dois volumes iniciais no formato encadernado e o último em brochura, o que gerou reclamações dos leitores.


Blueberry chega à Casa dos Anjos, nos arredores de Santa 
Fé, Novo México. Quadrinho 1 da prancha 22 do álbum 
“Le Hors-la-loi” publicado, em 1974, por Dargaud Éditeur.


A apresentação da Dargaud Éditeur da série “Blueberry”:

“Blueberry”

Roteirista: Jean-Michel Charlier
Desenhista: Jean Giraud

Em matéria de western, Blueberry constitui a referência absoluta. Foi em 1963, que é criado esse personagem, para “Pilote” (1), por Charlier e Giraud. Eles estabelecem de saída um sólido soldado que surge como o sósia de Belmondo (2). A semelhança se esfumaça ao longo dos episódios.

Blueberry é um cabeçudo: tinhoso, nem sempre respeitador do rigor militar, indisciplinado, ele não hesita, às vezes, em desertar para melhor completar suas missões. O roteiro utiliza todos os lugares comuns do western americano, com tudo aquilo que ele precisa de reviravoltas e personagens pitorescos (Mc Clure (3), Angel Face (4), Red Neck, Chihuahua Pearl (5), etc. - sem contar os índios que são reabilitados pelos autores, ponto de vista adotado também em “Cartland” (6)).

Paralelamente ao ciclo clássico da saga de “Blueberry”, Giraud desenha, entre 1968 e 1970, a juventude do futuro tenente (7). Essa “série” retoma seu curso, em 1985, sob o lápis de Colin Wilson (8), muito respeitador do estilo imposto por Giraud. Os álbuns, sucessivamente, têm sido editados por Dargaud (22 títulos, o essencial da base), em seguida por Fleurus/Hachette (9) (10), depois por Novédi (11) e, enfim, por Alpen (12) para a novidade desenhada por Vance (13). A Dargaud inicia a reedição dos álbuns “Blueberry” (14) com novas maquetes e novas cores (15).

N. C.:

1) “Blueberry” foi lançado na revista “Pilote” Nº 210, de 31 de outubro de 1963, Dargaud Éditeur.
2) O ator francês Jean-Paul Belmondo.
3) Jimmy Mc Clure.
4) Angel Face, apelido de Marmaduke O’Saughtnessy, jovem assassino de aluguel.
5) Chihuahua Pearl, apelido de Lily Calloway, bela cantora e dançarina de saloon, cuja carreira estava no auge em Chihuahua, capital do Estado de Chihuahua, México.
6) Jonathan Cartland, personagem western, de uma série homônima, criado pelo roteirista Laurence Harlé e pelo desenhista Michel Blanc-Dumont e lançado, em 1974, em “Lucky Luke”.
7) Histórias publicadas em “Pocket Pilote” e relançadas em álbuns – “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”), 1975, “Un Yankee nommé Blueberry” (“Um Ianque Chamado Blueberry”), 1978 e “Cavalier bleu”, 1979.
8) Colin Wilson desenhou seis álbuns da série “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”) – três com roteiros de Jean-Michel Charlier e três com roteiros de François Corteggiani, o atual roteirista da série – de 1985 a 1994.
9) A editora Fleurus publicou “La Longue Marche” (“A Longa Marcha”), em 1980.
10) A editora Hachette publicou “La Tribu fantôme” (“A Tribo Fantasma”), 1982, e “La Dernière carte” (“A Última Cartada”), 1983.
11) A editora Novédi publicou “Le Bout de la piste” (“O Fim da Pista”), em 1986.
12) A editora Alpen Publishers publicou “Arizona Love” (“Arizona Love”), volume 23 de “Blueberry”, em 1990, “Sur ordre de Washington” e “Mission Sherman”, respectivamente o primeiro e o segundo volume de “Marshal Blueberry”, em 1991 e 1993.
13) William Vance desenhou, com roteiros de Jean Giraud, os dois primeiros álbuns da série “Marshal Blueberry”, que foi concluída, no terceiro álbum, “Frontière sanglante”, 2000, pelo roteirista Jean Giraud e pelo desenhista Michel Rouge.
14) A Dargaud publicou “Blueberry” de “Fort Navajo” (“Forte Navajo”), 1965, a “Nez Cassé” (“Nariz Partido”), 1980; retomou a publicação, em 1995, com “Mister Blueberry” (“Mister Blueberry”), e relançou os álbuns publicados pelas demais editoras.
15) Os álbuns da série “La Jeunesse Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”) desenhados por Michel Blanc-Dumont, foram pintadas, à exceção de “Gettysburg”, por Claudine Blanc-Dumont, a sua esposa, falecida em 10 de outubro de 2012, que também repintou vários volumes da série “Blueberry”.


Red Neck, Mike Blueberry e Jimmy McClure, amigos 
companheiros de aventuras. Ilustração do “Portfolio 
Blueberry Jean Gir”, publicado, em 1983, pelas edições Gentiane.


Atualmente, as minhas coleções das três séries de Blueberry - “Blueberry”, “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”) e “Marshal Blueberry” – estão completas.  Desde a publicação, iniciada em 1963, em partes, no hebdomadário “Pilote” até “Dust”, o último episódio, saído em 2005, se presencia a evolução literária de Jean-Michel Charlier e a gráfica de Jean Giraud, nas páginas de “Blueberry”, em roteiros bem estruturados, com muitas reviravoltas, expostos em cenários com enquadramentos cinematográficos, os quais, nos últimos álbuns, apresentam a dualidade Gir-Mœbius – as duas faces de um mesmo artista gráfico.


Um dos beijos de Pearl e Blueberry. Tira 4 da prancha16 do álbum “Arizona Love”, publicado, em 1993, por Dargaud Éditeur.


Ladeado, na maioria das histórias de “Blueberry”, por Jimmy McClure e Red Neck, seus amigos e companheiros, Mike Blueberry gosta de jogar pôquer, em cujo tem mais sorte do que no amor; nesse, procura encontrar o seu par, passando por Chini, filha do chefe Cochise, Chihuahua Pearl, cantora de saloon, até Dorée Malone, também cantora de saloon, nos braços da qual termina a sua busca. As aventuras do Tenente Blueberry - durante o ciclo do Segundo Complô Contra Grant. Parte 1: O Crepúsculo da Nação Apache, podemos chamá-las de as aventuras de Tsi-Na-Pah e as de Blueberry, no último ciclo de sua longa saga, aquele de Mister Blueberry. O Rei do Pôquer -, em cujas se destaca a amizade, continuam a fascinar milhões de leitores no mundo todo.

Afrânio Braga

N. A.: O artigo Blueberry, o lendário tenente mais amado do Oeste foi publicado na revista “Calibre 45 Faroeste” Nº 1, outubro de 2014, Editora Cultura e Quadrinhos, Ponta Grossa, Paraná, Brasil.

Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur