domingo, 23 de junho de 2013

"Il était une fois Blueberry"

Capa. Blueberry, sobre um fundo com o esboço de uma prancha de "Arizona Love", 
que foi consideravelmente modificada para a versão definitiva da história, por Giraud.


Il était une fois Blueberry
Era uma vez Blueberry

Criado, em 1963, por Charlier e Giraud, Mike Steve Donovan, aliás, Blueberry, está no coração de uma série situada no universo western puro e duro que sente a poeira, o uísque falsificado e o suor! Blueberry apareceu, em sua estreia, sob o uniforme do exército americano: cabeça quente, resmungão, ele deserta rápido. Perseguido por traição, ele findará por ser reabilitado e conhecerá aventuras agitadas, no curso das quais cruza seu caminho personagens como McClure, Angel Face, Chihuahua Pearl, Red Neck, etc.

Fonte: Dargaud Éditeur.


Uma monografia sobre o Tenente Blueberry, casaca azul, herói de história em quadrinho, criado por Charlier e Giraud. A partir de numerosas pesquisas, o autor estuda o personagem, seu desenvolvimento, seus autores, também muito o plano gráfico, como o narrativo. Para um fã de HQ.

Fonte: Renaud-Bray.


IL ÉTAIT UNE FOIS
BLUEBERRY

Charlier • Giraud






Une monographie de Daniel Pizzoli


Trechos do livro:

ÍNDICE DOS ASSUNTOS

OS CAMINHOS DA CRIAÇÃO

Gir, o Aventureiro do Traço
A aprendizagem
A herança do mestre
O discípulo se liberta do mestre
O desabrochar de um estilo pessoal
Duas obras-primas
Uma qualidade gráfica distinta
O retorno de Blueberry, 1ª parte
O retorno de Blueberry, 2ª parte

Charlier, o Alexandre Dumas das Histórias em Quadrinhos
Os ciclos
Um romancista moderno
Estrutura da narrativa
A forma da narrativa

Gir Roteirista
Arizona Love
Mister Blueberry

As vidas paralelas de Blueberry
A Juventude
Marshal Blueberry


O OESTE COM DUAS CARAS

O Oeste de Charlier
Agricultores, criadores e pioneiros
O ouro
A estrada de ferro
O exército
As guerras indígenas

Galeria de Retratos
O marshal
A mulher
O mexicano
Os foras da lei
Herói ou anti-herói?

O Oeste de Gir
Hollywood
Cinecittà
Fotogenia do western


A MAGIA DO OESTE

A natureza hostil

O simbolismo da natureza
O espaço
A matéria
Percepções


CONVERSA
N. C.: Entrevista com Jean Giraud.


1995. Blueberry, em plena forma, cavalga novamente entre nós. Foi com um verdadeiro prazer que eu dei minha modesta contribuição ao conhecimento de uma série que encanta gerações de leitores. Jean-Michel Charlier e Jean Giraud dedicaram mais de trinta anos em nos maravilhar, nos fazer sonhar, ou nos comover. Eles se reuniram a essa pesada tarefa com François Corteggiani, Colin Wilson e William Vance. Tantos talentos, aos quais esse livro é dedicado. Blueberry ainda pode combater, por muito tempo, todos os patifes e outros condenados fígados amarelos desse lado do Pecos!

D.P.


Página 17. À esquerda: Red Neck torturado pelas hachuras em “O Cavalo de Ferro”. 
À direita e abaixo: Dois quadrinhos extraídos de “General Cabeça Amarela”.


Gir foi discípulo de Joseph Gillain, dito Jijé, que foi um dos pilares da escola belga. “Fort Navajo” ("Forte Navajo"), “Tonnerre à l’Ouest” ("Tempestade no Oeste"), “L’Aigle solitaire” ("A Águia Solitária") e “Le Cavalier perdu” ("O Cavaleiro Perdido"), os quatro primeiros álbuns, assentam as bases da série. Graficamente, a influência de Jijé é a mais forte. Mas o jovem Jean Giraud se distingue, portanto, de seu mestre, sob certos pontos. À descontração de Jijé, ele opôs um estilo mais "cerebral".

Álbuns de transição, “La Piste des Navajos” ("A Pista dos Navajos") e “L’Homme à l’étoile d’argent” ("O Homem da Estrela de Prata") marcam uma reviravolta. Jean Giraud se encaminha rumo a um estilo pessoal que não deveria, dentro em pouco, mais nada a Jijé. Ele tornou-se doravante mestre.

Os quatro álbuns, “Le Cheval de fer” ("O Cavalo de Ferro"), “L’Homme au poing d’acier” ("O Homem do Punho de Aço"), “La Piste des Sioux” ("A Pista dos Sioux") e “Général Tête Jaune” ("General Cabeça Amarela"), marcam um período de experimentação sutil. Jean Giraud alcança a maturidade gráfica ao curso desse ciclo. Nós identificaremos em breve, sem dúvida alguma, uma imagem assinada Gir.

“La Mine de l’Allemand perdu” ("A Mina do Alemão Perdido") e “Le Spectre aux balles d’or” ("O Espectro das Balas de Ouro") são duas obras-primas, nas quais Giraud chegou então ao seu apogeu, inovando graficamente a um nível jamais esperado nos quadrinhos da época, ou mesmo na sua produção ulterior de Blueberry.

O Ciclo do Tesouro Sulista agrupa cinco álbuns: “Chihuahua Pearl” ("Chihuahua Pearl"), “L’Homme qui valait 500 000 $” ("O Homem que Valia 500.000 Dólares"), “Ballade pour un cercueil” ("Balada para um Caixão"), “Le Hors-la-loi” ("O Fora da Lei") e “Angel Face” ("Angel Face"). Esse longo percurso transportou Blueberry se enterrando em seu destino à medida de um cenário sempre mais complexo.

A série muda quatro vezes de editor, em seis álbuns, para finalmente voltar a Dargaud em 1994.

“Nez Cassé” ("Nariz Partido") inaugura um ciclo que como se sabe apela, por escolha, ao fim das guerras indígenas ou ao fim do tesouro sulista. Ele compreende “La Longue Marche” ("A Longa Marcha"), “La Tribu fântome” ("A Tribo Fantasma"), “La Dernière carte” ("A Última Cartada") e “Le Bout de la piste” ("O Fim da Pista"). Inútil pesquisar uma comum unidade estilística. Cada edição contribui com sua pedra à construção gráfica da série.

Publicado em 1986, “Le Bout de la piste” ("O Fim da Pista") marca um retorno a uma inspiração clássica.


Página 36. Corte da meia prancha 45 de “O Homem da Estrela de Prata” 
por Charlier e sua tradução gráfica por Gir.


Quatro anos mais tarde, com a publicação de “Arizona Love” ("Arizona Love"), a série parte sobre novas bases. Após o falecimento de Charlier, Gir estava na época sozinho com o comando e anunciou o seu desejo de renovar a série.


N. C.: O livro de Daniel Pizzoli apresenta os seguintes Ciclos:

As Guerras Indígenas - “Fort Navajo” ("Forte Navajo"), “Tonnerre à l’Ouest” ("Tempestade no Oeste"), “L’Aigle solitaire” ("A Águia Solitária"), “Le Cavalier perdu” ("O Cavaleiro Perdido") e “La Piste des Navajos” ("A Pista dos Navajos"). Mac Clure aparece pela primeira vez em "O Cavaleiro Perdido", quando Blueberry inicia uma longa convivência com o velho Jimmy Mac Clure, beberrão inveterado, garimpeiro baixinho e barrigudo que trocou a Escócia pelo Arizona, porém não perdeu o gosto por um bom uísque.

Caminho de Ferro e Novas Guerras Indígenas. “L’Homme à l’étoile d’argent” ("O Homem da Estrela de Prata") se intercala entre esse ciclo e o precedente. Blueberry foi enviado como o xerife para um pequeno povoado aterrorizado por um rico proprietário. O segundo período das guerras indígenas foi contado em quatro álbuns: “Le Cheval de fer” ("O Cavalo de Ferro"), “L’Homme au poing d’acier” ("O Homem do Punho de Aço"), “La Piste des Sioux” ("A Pista dos Sioux") e “Général Tête Jaune” ("General Cabeça Amarela").  "O Cavalo de Ferro" vê chegar Red Neck - guia, batedor, entre outras coisas - ocorrendo o primeiro encontro com Blueberry. Doravante está formada a trinca de amigos e companheiros de aventuras: Blueberry, Mac Clure e Red Neck.

O Ouro de Prosit Luckner. Os dois álbuns “La Mine de l’Allemand perdu” ("A Mina do Alemão Perdido") e “Le Spectre aux balles d’or” ("O Espectro das Balas de Ouro") formam um novo parêntese entre dois ciclos.

O Tesouro Sulista. O ciclo engloba “Chihuahua Pearl” ("Chihuahua Pearl"), “L’Homme qui valait 500 000 $” ("O Homem que Valia 500.000 Dólares") e “Ballade pour un cercueil” ("Balada para um Caixão").

A Decadência de Blueberry e O Complô contra Grant. A sua decadência se confirma em “Le Hors-la-loi” ("O Fora da Lei") e “Angel Face” ("Angel Face").

O Fim da Nação Apache e A Reabilitação. A estreia desse ciclo compreende três álbuns: “Nez Cassé” ("Nariz Partido"), “La Longue Marche” ("A Longa Marcha") e “La Tribu fântome” ("A Tribo Fantasma").
N. C.: A reabilitação de Blueberry.

Blueberry vive sua vida. Em “Arizona Love” ("Arizona Love"), Blueberry encara suas incertezas na prova mais difícil de toda a sua carreira: partir à conquista da linda Chihuahua Pearl. Ele não consegue o sucesso esperado. Para se consolar, derrama suas mágoas em todas as mesas de pôquer do país. E foi em pleno jogo que nós o reencontramos, um belo dia de julho de 1881, em Tombstone, objeto do álbum “Mister Blueberry” ("Mister Blueberry"), que inaugura um novo ciclo.

Jean Michel Charlier fazia o "story-board" de cada prancha, às vezes para meia prancha, antes de passar a Gir. O esboço era detalhado, constava das cenas, diálogos e sons. Após a morte de Charlier, Giraud prossegue sozinho o roteiro de "Arizona Love", parado na prancha 22. Nesse estágio, as bases da história já estavam no lugar.

Mister Blueberry. Como para confirmar a identificação de Jean Giraud com seu personagem, Blueberry se tornou jogador de pôquer profissional. Em "Mister Blueberry", Gir dosa seus objetivos com habilidade. Cada personagem faz sua entrada na vez de seu papel e a intriga se tece pouco a pouco em redor de nomes familiares: Virgil e Wyatt Earp, Doc Holliday, Ike Clanton, Mc Lowery, OK Corral, Tombstone.

As vidas paralelas de Blueberry estão em “La Jeunesse de Blueberry” ("A Juventude de Blueberry") e “Marshal Blueberry” ("Marshal Blueberry") - de Charlier a François Corteggiani... ...e de Gir a Colin Wilson.

N. C.: Atualmente, apenas uma série é publicada: “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”), com roteiros de François Corteggiani e desenhos de Michel Blanc-Dumont.


Página 77. Blueberry e McClure assistem ao nascimento do mundo, sem 
suspeitar. N.C.: Quadrinho extraído de “O Espectro das Balas de Ouro”.


BIBLIOGRAFIA

Álbuns
1. Fort Navajo (1965) a 24. Mister Blueberry (1985).
Álbuns publicados pela Dargaud, exceto 19 a 22 saídos pela Dupuis (collection Repérages).
N. C.: Após a publicação do livro, foram lançados mais quatro álbuns da série “Blueberry”.

La Jeunesse de Blueberry
1. La Jeunesse de Blueberry, 1975, a 9. Le prix du sang, 1994.
Álbuns publicados pela Dargaud, exceto 4 a 7 saídos pela Dupuis (collection Repérages).
N. C.: Após a publicação do livro, foram lançados mais 11 álbuns da série “A Juventude de Blueberry”.

Marshal Blueberry
1.  Sur ordre de Washington, 1991.
2. Misson Sherman, 1993.
3. Frontière Sanglante (a publicar).
N. C.: O álbum “Frontière Sanglante” foi publicado em 2000.

Les Gringos
Viva Nez Cassé (participação de Blueberry), Dargaud.

Índex dos livros e artigos citados

Obras gerais
La terre et les rêveries de la volonté
La terre et les rêveries du repos
La grande aventure du western
La fantastique épopée du far-west
Historie des Navajos

Sobre Blueberry
Vous avez dit BD: Jijé
L'univers de Blanc-Dumont
Venise Céleste
Libération
Le collectionneur de Bandes Dessinées
L'univers de Gir
Autour du scénario
Scarce annual
Mœbius, entretiens avec Numa Sadoul
La lettre de Dargaud 


Contracapa. Fotografias e biografias dos autores.

N. C.: As biografias da contracapa do livro:

Jean GIRAUD

Nascido a 8 de maio de 1938 em Fontenay-sous-Bois, França. Estuda o desenho na Arts Appliqués. Fascinado, desde a sua juventude, pelas Histórias em Quadrinhos, foi totalmente natural que se dirige por essa estrada. Estreia, em 1956, na revista “Far West”. Entre 1961 e 1966, colabora como ilustrador da “Encyclopédie Hachette”. Entrementes, conhece Jijé com o qual trabalhou. Para a revista “Pilote” cria o Tenente Blueberry. Assina a série com o pseudônimo de Gir. Paralelamente, como Mœbius, faz histórias fantásticas para “Hara-Kiri”. Em 1975, funda, com Jean-Pierre Dionnet, Bernard Farkas e Philippe Druillet, a revista “Métal Hurlant”. Ele evolui muito, depois de numerosas atividades fora de Blueberry - Giraud o revive sempre: demonstração de apego à série. Após o desaparecimento de Jean-Michel Charlier, assina sozinho os roteiros e cria “Marshal Blueberry”.


Jean-Michel CHARLIER

Nascido a 30 de outubro de 1924 em Liège, Bélgica. Doutor em Direito, elege a História em Quadrinhos pela qual se apaixona. Estreia em “Spirou”, onde cria, com Hubinon, o célebre “Buck Danny”, entre outros personagens, em 1947. Em 1959, torna-se o cofundador da revista “Pilote”. Sua paixão pela aviação (foi piloto profissional) faz nascer “Les Chevaliers du ciel” com Uderzo, depois Jijé. Além disso, ainda ali, dá luz a numerosas séries - inclusive “Blueberry” - enquanto trabalhando para a televisão (reportagens e ficções). Charlier continua sendo o mais importante roteirista da BD franco-belga, tanto pelo número de séries publicadas quanto pelo seu talento em unir a grande aventura à exatidão mais rigorosa. Morreu em 10 de julho de 1989, então quando trabalhava no roteiro de "Arizona Love".


Daniel PIZZOLI

Nascido em 1960, em Paris, França. Apaixonado pelas Histórias em Quadrinhos, os Estados Unidos e o western desde sua mais tenra idade, foi entre as páginas da revista “Pilote” que descobriu Blueberry. Um encontro que o marcará definitivamente. Após os estudos na Beaux-Arts e na École des Arts Décoratifs, torna-se diretor artístico em publicidade, depois redator de criação artística de anedotas. Não renega, portanto, seu amor pelo desenho e pela ilustração que pratica em seus momentos livres. Vai diversas vezes aos Estados Unidos, nas pistas de Blueberry, notadamente nas reservas indígenas do Arizona.


Ficha técnica

"Il était une fois Blueberry"
Série "Autour de Blueberry" ("Entorno de Blueberry")
"Il était une fois Blueberry. Une monographie de Daniel Pizzoli" (“Era uma vez Blueberry. Uma monografia de Daniel Pizzoli”)
Textos: Daniel Pizzoli
Desenhos: Jean Giraud
Data de lançamento: 4 de novembro de 1995
Número de páginas: 97
Gênero: Documentário / Biografia, Western
Preço: 15€
Formato: 22,6x29,8 cm
Público: Adolescente e adulto - a partir de 12 anos
A série "Blueberry" foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.
Dargaud Éditeur, Paris, França.
N. C.: Ilustrações, em preto e branco e em cores, extraídas dos álbuns desenhados por Giraud, exceto sete de Colin Wilson, da série “A Juventude de Blueberry”, e quatro de William Vance, da série “Marshal Blueberry”.
Introdução: texto de Daniel Pizzoli (citado no início dessa matéria) acima de um quadrinho a cores extraído de um álbum, e dos agradecimentos do próprio: "O autor agradece a: Jean Giraud, Christine e Philippe Charlier, François Breuillier, Guy Vidal, as edições Dupuis, Marie Fournier, René Lesné e a École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs, que permitiram a esse livro ver a luz.".

O título do livro, “Il était une fois Blueberry” (“Era uma vez Blueberry”), foi inspirado naquele da trilogia western “Il était une fois...” (“Era uma no...”), 1968, dirigida por Sergio Leone, iniciada pelo filme “C’era una volta il West” (“Era uma Vez no Oeste”, no Brasil; “Once Upon Time in the West”, em inglês; “Il était une fois dans l’Ouest”, em francês) e prosseguida por “Giù la testa” (“Quando Explode a Vingança” ou “Era uma Vez a Revolução”, no Brasil; “A Fisful of Dynamite” ou “Duck, You Sucker” ou “Once Upon Time... the Revolution”, em inglês), 1971, e concluída por “C'era una volta in America” (“Once Upon a Time a America”, em inglês; “Era uma Vez na América”, no Brasil), 1984.

Il était une fois Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1995



"Il était une fois Blueberry", o primeiro livro, da esquerda para a direita, em parte da minha BBteca/gibiteca.


“Il était une fois Blueberry”. Era uma vez Blueberry. Era uma vez no Oeste o bravo Tenente Mike Steve Donovan, aliás, Tenente Blueberry, aliás, Tsi-na-pah (Nariz Partido) para os seus amigos Apaches. Era uma vez a monografia de Daniel Pizzoli, apaixonado pelos quadrinhos, os Estados Unidos da América e o western, que detalhou minuciosamente a coleção blueberryana – os criadores, Charlier e Giraud, as vidas paralelas (“A Juventude de Blueberry” e “Marshal Blueberry”), os ciclos, os personagens e a própria história do Oeste .

O tipo de militar como Mike Blueberry existiu e foi transportado para as histórias em quadrinhos por obra de dois gênios: Jean-Michel Charlier, o mais notório roteirista da escola franco-belga; e Jean Giraud, que figura entre os maiores desenhistas do mundo, como Hal Foster, Alex Raymond, Aurelio Galleppini, Frank Miller, Jesús Blasco e outros amados por milhares - para muitos, Jean Giraud, aliás Gir, aliás Mœbius, é o melhor de todos.


Daniel Pizzoli detalha minuciosamente a artística série do Tenente mais amado e mais temido do Oeste: os autores, os personagens, os lugares, os acontecimentos e a beleza dos álbuns com magníficas imagens escolhidas criteriosamente das diversas fases de Gir, incluindo o cruzamento de Gir e Mœbius que surpreendeu os leitores da brilhante coleção.

Blueberry, desenho de Jean Giraud.
Fatos históricos são citados na série e destacados por Pizzoli, entre eles: as guerras indígenas, a construção da estrada de ferro, o complô contra Grant, a Guerra de Secessão, o Tesouro dos Confederados, o massacre de Washita River, a Longa Marcha dos Navajos, a biografia de George A. Custer, contada através do personagem Allister (O General “Cabeça Amarela”), e OK Corral (no ano do lançamento do livro, o famoso duelo começava a ser realizado por Giraud). E integrantes do Velho Oeste, como a Cavalaria, saloons, mulheres, trens e estações, fortes, prisões, pancadarias, cantoras, almofadinhas, pistoleiros, xerifes, famosos chefes peles-vermelhas (Vittorio, Cochise e Gerônimo), militares prepotentes, caçadores de recompensa, vilas ferroviárias, mexicanos, amor, traição, perseguições, emboscadas, tiroteios, solidão, silêncio, cidades, cavalos, horizonte e a Última Fronteira.

Além disso, a injustiça humana, sempre presente em todas as épocas, como a ruína e a miséria do povo Apache - uma das cenas mais emocionantes é o terno abraço entre Blueberry e Chini, filha de Cochise, em "A Longa Marcha".

Obras de arte para ler, reler, colecionar e deixar de herança.

Afrânio Braga


Fontes das imagens: Dargaud Éditeur: capa; In Fraser: Blueberry, ilustração da capa; BDNet: página 17; Renaud-Bray: página 36; BDzoom: página 77; Bedetheque: contracapa; Afrânio Braga: parte de sua BBteca/gibiteca.



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