quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"Blueberry" nº 1 "Fort Navajo"

“Blueberry”

Roteirista: Jean-Michel Charlier
Desenhista: Jean Giraud

Em matéria de western, Blueberry constitui a referência absoluta. Foi em 1963, que é criado esse personagem, para “Pilote” (1), por Charlier e Giraud. Eles estabelecem de saída um sólido soldado que surge como o sósia de Belmondo (2). A semelhança se esfumaça ao longo dos episódios.

Blueberry é um cabeçudo: tinhoso, nem sempre respeitador do rigor militar, indisciplinado, ele não hesita, às vezes, em desertar para melhor completar suas missões. O roteiro utiliza todos os lugares comuns do western americano, com tudo quilo que ele precisa de reviravoltas e personagens pitorescos (Mc Clure (3), Angel Face (4), Red Neck, Chihuahua Pearl (5), etc. - sem contar os índios que são reabilitados pelos autores, ponto de vista adotado também em “Cartland” (6)).

Paralelamente ao ciclo clássico da saga de “Blueberry”, Giraud desenha, entre 1968 e 1970, a juventude do futuro tenente (7). Essa “série” retoma seu curso, em 1985, sob o lápis de Colin Wilson (8), muito respeitador do estilo imposto por Giraud. Os álbuns, sucessivamente, têm sido editados por Dargaud (22 títulos, o essencial da base), em seguida por Fleurus/Hachette (9) (10), depois por Novédi (11) e, enfim, por Alpen (12) para a novidade desenhada por Vance (13). A Dargaud inicia a reedição dos álbuns “Blueberry” (14) com novas maquetes e novas cores (15).

Fonte: Dargaud Éditeur.

N.C.: 1) “Blueberry” foi lançado na revista “Pilote” Nº 210, de 31 de outubro de 1963, Dargaud Éditeur. 2) O ator francês Jean-Paul Belmondo. 3) Jimmy Mc Clure. 4) Angel Face, apelido de Marmaduke O’Saughtnessy, jovem assassino de aluguel.  5) Chihuahua Pearl, apelido de Lily Calloway, bela cantora e dançarina de saloon, cuja carreira estava no auge em Chihuahua, capital do Estado de Chihuahua, México. 6) Jonathan Cartland, personagem western, de uma série homônima, criado pelo roteirista Laurence Harlé e pelo desenhista Michel Blanc-Dumont e lançado, em 1974, em “Lucky Luke”. 7) Histórias publicadas em “Pocket Pilote” e relançadas em álbuns – “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”), 1975, “Un Yankee nommé Blueberry” (“Um Ianque Chamado Blueberry”), 1978 e “Cavalier bleu”, 1979. 8) Colin Wilson desenhou seis álbuns da série “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”) – três com roteiros de Jean-Michel Charlier e três com roteiros de François Corteggiani, o atual roteirista da série – de 1985 a 1994. 9) A editora Fleurus publicou “La Longue Marche” (“A Longa Marcha”), em 1980. 10) A editora Hachette publicou “La Tribu fantôme” (“A Tribo Fantasma”), 1982, e “La Dernière carte” (“A Última Cartada”), 1983. 11) A editora Novédi publicou “Le Bout de la piste” (“O Fim da Pista”), em 1986. 12) A editora Alpen Publishers publicou “Arizona Love” (“Arizona Love”), volume 23 de “Blueberry”, em 1990, “Sur ordre de Washington” e “Mission Sherman”, respectivamente o primeiro e o segundo volume de “Marshal Blueberry”, em 1991 e 1993. 13) William Vance desenhou, com roteiros de Jean Giraud, os dois primeiros álbuns da série “Marshal Blueberry”, que foi concluída, no terceiro álbum, “Frontière sanglante”, 2000, pelo roteirista Jean Giraud e pelo desenhista Michel Rouge. 14) A Dargaud publicou “Blueberry” de “Fort Navajo”, 1965, a “Nez Cassé” (“Nariz Partido”), 1980; retomou a publicação, em 1995, com “Mister Blueberry”, e relançou os álbuns publicados pelas demais editoras. 15) Os álbuns da série “La Jeunesse Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”) desenhados por Michel Blanc-Dumont, foram pintadas, à exceção de “Gettysburg”, por Claudine Blanc-Dumont, a sua esposa, falecida em 10 de outubro de 2012, que também repintou vários volumes da série “Blueberry”.


Capa de "Fort Navajo", uma das reedições.

“Fort Navajo”

Blueberry é designado a Forte Navajo. No curso do caminho ele encontra o Tenente Graig e eles chegam ao rancho dos Stanton, completamente queimado e coberto pelos cadáveres de seus habitantes. Tudo levar a crer que aquilo se trata de uma ação dos índios e o Tenente Graig decide seguir sua pista para libertar o filho de Stanton que está nas mãos deles.

Blueberry vai ter que manobrar entre a inconsciência de Graig e o ódio dos índios, que anima o comandante Bascom, braço direito do Coronel Dickson em Forte Navajo. Quando uma cascavel entra no jogo, tudo se complica...

O tenente Blueberry mais jovem do que nunca! Trinta anos após sua criação, aqui está suas primeiras aventura com novas cores. Jean Giraud, achando que seus álbuns tinham necessidade de uma reforma, desejava concretizar esse projeto após muito tempo. Claudine Blanc-Dumont está atrelada à tarefa sob o olho vigilante do mestre.

Álbuns destinados aos fãs incondicionais de “Fort Navajo”, mas também a toda uma nova geração que descobriu essa série de Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, que faz doravante parte dos grandes clássicos do gênero.

Toda a coleção dos “Blueberry” lançados pela Dargaud se beneficiará pouco a pouco desse renascimento.

Fonte: Dargaud Éditeur.


Prancha 1.


Prancha 2.


Prancha 3.


Ficha técnica

“Fort Navajo”
“Forte Navajo”
Roteiro: Jean-Michel Charlier
Desenhos: Jean Giraud
Capa: Jijé
Cores: Claude Poppé
Volume: 1
Ano de publicação da primeira edição: 1965
Coleção: La Collection Pilote
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,8 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

N. C.: Recolorização: Claudine Blanc-Dumont

Fonte das imagens: Dargaud Éditeur.



A capa da 1ª edição de “Fort Navajo”.
La Collection Pilote présente une Avventure du Lieutenant Blueberry.



A prancha 1 da 1ª edição.



A contracapa da 1ª edição. O volume 1 foi publicado em 
La Collection Piloteo segundo álbum, "Tonnerre à l'Ouest", 
saiu na série Fort Navajo une Avventure du Lieutenant 
Blueberry, que mudou de título algumas vezes até a atual Blueberry.

Fonte das imagens: Bedetheque.



FORT NAVAJO
Primeiro episódio

Esse episódio foi pré-publicado em “Pilote” entre 31 de outubro de 1963 e 2 de abril de 1964.
Quando a série “Blueberry” foi criada, Jean-Michel Charlier era codiretor da revista “Pilote”: “Meu primeiro encontro com Giraud remonta imediatamente à estreia de “Pilote”. Ele veio me propor uma série western, me pediu para escrever o roteiro para ele. Mas, à época, eu não estava muito induzido sobre o western, e eu estava constrangido pela semelhança de seu desenho com aquele de Jijé. Muito tempo depois, em 1963, em seguida a uma viagem pelo Oeste americano, eu, bruscamente, desejei me meter no western. Eu, portanto, logicamente falei a Jijé, um dos especialistas na matéria. Ele me respondeu que o projeto não o tentava, mas citou Giraud como possível desenhista. Então, eu me recordei de nosso primeiro encontro “fracassado”, e também da qualidade notável dos desenhos que ele havia então me apresentado. Eu, imediatamente, chamei Jean, ele veio me ver: assim nascia o Tenente Blueberry.”.
Participante da criação do personagem, Giraud encontrará o seu nome: “Charlier propôs nomes que soassem bem, mas eu desejava, eu, qualquer coisa suave que iria bem a um tipo turbulento. Eu caí sobre Blueberry, porque esse era um nome em uma "Geographic Magazine" aberta sobre minha mesa: era aquilo que me faltava, e isso satisfez a Chalier.”.

Fonte: Blueberry L’Intégrale / 1. Anthology – Les classiques de la bande dessinée. Charlier – Giraud. Éditions Niffle, Bélgica, 2002.



Primeiro volume das aventuras do agora célebre tenente Blueberry, que começa intenso com encontro do herói em apuros e salvamento de um jovem oficial, recentemente saído de West Point, das garras dos índios, seguido ao massacre de uma família de colonos, de cuja os índios mescaleros haviam raptado a criança. Isso vai provocar uma guerra indígena...
Esse álbum é assaz clássico e é fortemente inspirado em “Fort Apache”, mas permite apresentar Blueberry, que já tem um caráter bem cimentado (trapaceiro, zombador e brigão). Há muita ação e papéis secundários bem trabalhados como o mestiço Crowe.
Para a história, é Jijé, mentor de Giraud, quem desenha a capa e Blueberry é muito inspirado em Jean-Paul Belmondo, que tem dado sua permissão para que a dupla de autores pudesse “utilizar” seu rosto.
Laurent V


"Fort Navajo" - "Forte Navajo"

Lançado em 31 de outubro de 1963 na revista "Pilote", Blueberry foi publicado, inicialmente, em capítulos; primeira aventura foi entre 31 de outubro de 1963 e 2 de abril de 1964. O álbum "Fort Navajo" saiu dois anos depois, em 1965, e é o inicial do ciclo Forte Navajo. As Primeiras Guerras Indígenas (álbuns 1 a 5) - Arizona, Novo México e Texas. Junho de 1867 a Maio de 1868. Acontecimentos históricos: Negócio Bascom, As Guerras Indígenas e A Construção do Caminho de Ferro. Claudine Blanc-Dumont é esposa de Michel Blanc-Dumont, o desenhista atual da série "A Juventude de Blueberry", de cuja é colorista, assim como da reedição de "Fort Navajo", de fevereiro de 2004.

Após ser intitulada "Forte Navajo, uma Aventura do Tenente Blueberry", depois "Uma Aventura do Tenente Blueberry" e "Tenente Blueberry", a série central foi denominada "Mister Blueberry", desde o álbum homônimo – a Dargaud Éditeur reedita os álbuns, da série principal, com o título "Blueberry".

A capa desse volume não foi de Gir – a única da série central - mas do seu mestre, na época, Jijé, ao qual auxiliava no também western "Jerry Spring".

"Forte Navajo", número 1 da série "Forte Navajo, uma Aventura do Tenente Blueberry", foi publicado em janeiro de 1980, pela Editora Vecchi, em preto e branco. A Editora Abril relançou a história no álbum 21 da série Graphic Novel, em setembro de 1990, em cores – "Forte Navajo", de Charlier e Mœbius.

Editorial da Vecchi em "Forte Navajo": "Depois de "Comanche", voltamos à carga lançando mais uma revista em formato grande: "Fort Navajo", com as aventuras do Tenente Blueberry, Esta história, de origem francesa, é escrita por Jean-Michel Charlier e desenhada por Jean Giraud, que não é outro senão o famoso Moebius, um dos mais aplaudidos desenhistas da atualidade. Quando Giraud começou a desenhar essa série para a revista francesa "Pilote", estava no início de sua carreira. Ainda sem atingir o seu estilo definitivo, com influências de outros desenhistas, ele deu início a essa epopéia do faroeste, famosa em seu país de origem há cerca de vinte anos. Tempos mais tarde, associou-se a outros desenhistas de gabarito, usando o pseudônimo de Moebius, e foi fundada a firma "Les Humanoides Associés", que deu origem à badaladíssima "Métal Hurlant", uma das mais cotadas revistas da atualidade. As histórias de "Fort Navajo" estão sendo publicadas na mesma ordem original, e contamos com os leitores para que ela obtenha o mesmo sucesso que as outras já consagradas publicações dessa editora."

Jean-Michel Charlier escreveu algumas histórias de “Blueberry” inspiradas em filmes western. Em “Forte Navajo”, 1963, primeira história da série, o roteirista se inspirou em “She Wore a Yellow Ribbon” (“Legião Invencível”), dirigido por John Ford, 1949, em cuja trama os tenentes Ross Penell (Harry Carey Jr.) e Flint Cohill (John Agar) disputam as atenções de Olivia Dandridge (Joanne Dru), sobrinha do comandante do forte - os dois oficiais são tipificados respectivamente pelos tenentes Blueberry e Graig, que disputam as atenções da filha do comandante Dickson – o que atrapalha, no filme, a missão do capitão Nathan Cutting Brittles (John Wayne).

Uma das inspirações de Jean-Michel Charlier para o roteiro de "Forte Navajo", o primeiro álbum de Blueberry, foi o filme "Stagecoach". Na página 8, Blueberry, sem o cavalo, mas portando a sua sela, é recolhido por uma diligência, sobre o teto da qual se instala, exatamente como Ringo Kid (John Wayne) no western que John Ford realizou em 1939.

"Stagecoach" ("No Tempo das Diligências", no Brasil; "A Cavalgada Heróica", em Portugal; "La Chevauchée fantastique", na França) é um filme de 1939, clássico do gênero western, dirigido por John Ford. O roteiro é de Dudley Nichols e Ben Hecht, uma adaptação de "The Stage to Lordsburg", conto de Ernest Haycox. Foi o primeiro dos muitos clássicos do cinema que John Ford realizaria no Monument Valley, Arizona, na fronteira com Utah, Estados Unidos. John Wayne se tornou um astro internacional de Hollywood, após esse filme.

Inicialmente, o próprio Forte Navajo seria, da série, o personagem principal, cujo, depois, se tornou Michael Stephen Donovan, mais conhecido por Mike Steve Blueberry. Os dois criadores, Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, decidiram mudar o título da série de "Forte Navajo, uma Aventura do Tenente Blueberry" para "As Aventuras do Tenente Blueberry", deste para "Tenente Blueberry", até o atual "Blueberry". Foi Jean Giraud quem escolheu o nome do Tenente mais amado do Oeste, ao ler a palavra "Blueberry" no sumário do volume XXIX, número 6, da revista "National Geographic", edição de junho de 1916. Na história em quadrinhos, foi o próprio Blueberry quem escolheu o seu nome, no episódio "O Segredo de Blueberry", publicado no primeiro volume da série "A Juventude de Blueberry", 1975, quando, para se livrar de uma injusta acusação de homicídio, ao se juntar ao exército nortista, viu diversos arbustos repletos de mirtilos (blueberry, em inglês).

O visual do ator francês Jean-Paul Belmondo, foi a inspiração, de Jean Giraud, para aquele de Mike Blueberry. Jean Giraud se inspirou, novamente, em Jean-Paul Belmondo, apelidado de Bébel, para a ilustração da contracapa dos álbuns do Tenente Blueberry, utilizada de "Tonnerre à l'Ouest", número 2, 1966, a "Le bout de la piste", número 22, 1986, passado por quatro editoras: Dargaud (do Nº 2 ao Nº 18), Fleurus (Nº 19), Hachette (Nº 20 e Nº 21) e Novedi (Nº 22). Em "Arizona Love", número 23, 1990, a Alpen Publishers publicou um Blueberry cowboy. Do número 24 até o 28, a Dargaud usou um desenho de Blueberry no traje elegante do Ciclo O.K. Corral. O Rei do Pôquer. Em "Fort Navajo", Nº 1, 1965, a Dargaud publicou a marca e a lista dos álbuns de "La Collection Pilote".

Jean Giraud se inspirou no visual do ator Jeff Chandler, no filme "Broken Arrow" ("Flechas de Fogo"), dirigido por Delmer Daves, 1950, para aquele do chefe Cochise, apache chiricahua, em "Forte Navajo".

Jean Giraud se inspirou, para realizar a histórica página de guarda da série "Blueberry", em uma fotografia de Jean-Claude Mézières - autor de "Valérian" (roteiros de Pierre Christin) -, seu grande amigo desde a juventude, quando esse trabalhou como vaqueiro em Dugout Ranch, Utah, Estados Unidos, 1966. "Blueberry sou eu! Ao meu retorno, Giraud utilizou minha foto para as páginas de proteção de seus álbuns." - conta Mézières, um dos mestres da Bande Dessinée.

Afrânio Braga

Blueberry nº 1 Fort Navajo © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1965
Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur


Um comentário:

  1. Même si pour moi Jean-Michel CHARLIER est le plus grand scénariste de BD réaliste franco-belge, il a commis des erreurs de textes.

    Fort Navajo = erreur car Cochise n'appartient pas à la tribu des Navajos.
    Les Navajos vivent aux alentours de Monument Valley, alors que Cochise et les Chiricahuas vivent à la frontière mexicaine.

    Là se trouve la vraie grande erreur de la première série des 5 albums.
    Les dates ne sont pas toutes exactes non plus.

    Si le magazine dBD est autorisé à publier la suite de l'enquête de Jean-Michel Brouard et de ses assistants, on découvrira les erreurs de situations et de noms.

    Mais ceci pour seulement remettre la réalité aux bons endroits et NON PAS pour critiquer notre maître Jean-Michel Charlier.

    Nous aimons, voir adorons, le travail de Jean-Michel Charlier ; et remettre les éléments à leurs places historiques n'est pas une attaque contre notre maître.

    Mais pour ceux qui ont grandi et appris plein de choses avec JMC ils faut seulement leur signaler que si les détails de manœuvres de navires à voiles ou les techniques d'aviations sont exactes, il y a eu des erreurs dans l'histoire américo-indienne.

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