sábado, 12 de outubro de 2013

"Blueberry" nº 3 “L’Aigle solitaire”

“Blueberry”

Roteirista: Jean-Michel Charlier
Desenhista: Jean Giraud

Em matéria de western, Blueberry constitui a referência absoluta. Foi em 1963, que é criado esse personagem, para “Pilote”, por Charlier e Giraud. Eles estabelecem de saída um sólido soldado que surge como o sósia de Belmondo. A semelhança se esfumaça ao longo dos episódios.

Blueberry é um cabeçudo: tinhoso, nem sempre respeitador do rigor militar, indisciplinado, ele não hesita, às vezes, em desertar para melhor completar suas missões. O roteiro utiliza todos os lugares comuns do western americano, com tudo quilo que ele precisa de reviravoltas e personagens pitorescos (Mc Clure, Angel Face, Red Neck, Chihuahua Pearl, etc. - sem contar os índios que são reabilitados pelos autores, ponto de vista adotado também em “Cartland”).

Paralelamente ao ciclo clássico da saga de “Blueberry”, Giraud desenha, entre 1968 e 1970, a juventude do futuro tenente. Essa “série” retoma seu curso, em 1985, sob o lápis de Colin Wilson, muito respeitador do estilo imposto por Giraud. Os álbuns, sucessivamente, têm sido editados por Dargaud (22 títulos, o essencial da base), em seguida por Fleurus/Hachette, depois por Novédi e, enfim, por Alpen para a novidade desenhada por Vance. A Dargaud inicia a reedição dos álbuns “Blueberry” como novas maquetes e novas cores.

Fonte: Dargaud Éditeur.



Capa de "L'Aigle solitaire", uma das reedições.


Prancha 1.


Prancha 2.


Prancha 3.


Prancha 4.


Prancha 5.


Ficha técnica

“L’Aigle solitaire”
“Águia Solitária”
Roteiro: Jean-Michel Charlier
Desenhos e capa: Jean Giraud
Cores: Claude Poppé
Volume: 3
Ano de publicação da primeira edição: 1967
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,8 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

N. C.: 1) A notar que o título do álbum não deveria ser “L’Aigle solitaire”, mas “Aigle Solitaire” somente, sem artigo, porque o título do álbum reproduz o nome do índio, o qual não tem o artigo. Jean-Yves Brouard. 2) Recolorização: Claudine Blanc-Dumont.

Fonte das imagens: Dargaud Éditeur.



A capa da 1ª edição.



A prancha 1 da 1ª edição.



A contracapa da 1ª edição.

Fonte das imagens: Bedetheque.


L'AIGLE SOLITAIRE
Terceiro episódio

Esse episódio foi publicado em “Pilote” entre 22 de outubro de 1964 e 8 de abril de 1965.

Jean-Michel Charlier, que muito rápido quebrou, com Blueberry, os códigos narrativos do western clássico, declara à época: “O personagem do “herói” foi imposto a nós como anti-herói no sentido westerniano do termo. O cinema nos habituou a esses folgados, esses desajustados simpáticos que viviam as aventuras heroicas, apesar, um pouco, de si mesmos. Na história em quadrinhos, era diferente: esse arquétipo não existia ainda, nós não víamos os reparadores de injustiças – “solitário e longe de sua casa” ou não -, que manejava o colt para defender a ordem, a viúva, o órfão e a Paz americana... Como eu não desejava reanimar esse gênero de personagem, eu me lembrei daqueles tipos dos quais alguém me falou nos Estados Unidos, aqueles autênticos cabeças-quente, aqueles “soldados malvados”, cujos o exército se desembaraçava os enviando aos confins dos lugares perdidos do Oeste, com a missão oficial de “anular o Índio” e a secreta esperança que eles se fizessem matar.”.

Fonte: Blueberry L’Intégrale / 1. Anthology – Les classiques de la bande dessinée. Charlier – Giraud. Éditions Niffle, Bélgica, 2002.


Após ter salvado o jovem Stanton das garras dos Mescaleros (ver “Tonerre à l’Ouest”), Blueberry está cansado e se encontra adormecido, em um bosque, na companhia do rapaz. Ele é descoberto por uma patrulha, que o leva diretamente ao forte. Ali, recuperado de sua fadiga, o coronel nomeia Blueberry como escolta para transportar um comboio protegendo as munições para Forte Bowie. Lá, ele vai ter muito o quê fazer, pois os índios rodeiam e fazem algumas emboscadas. De mais, no interior do comboio, um homem coloca paus nas rodas para retardá-los...
Esse terceiro volume das aventuras do tenente Blueberry é rico em ação e permite perceber que o tenente é um ardiloso estrategista, mas longe das convenções habituais. Há, por sinal, grandes momentos de ação, notadamente durante a passagem do rio e quando eles chegam perto do Forte Bowie. Além disso, é muito espetacular.
Há também bons personagens como Quanah, que não tem um olho, o scout do comboio e O’Reilly, que traz o humor, pois é o bêbado de plantão. O antecessor de Jimmy McClure? E se revê Graig, o tenente rigoroso, em Forte Navajo.
Conclusão: é um excelente álbum, rico em ação, que faz igualmente avançar a história, pois, no fim da aventura, Blueberry tem conseguido ajustar, com seu superior, uma negociação com Cochise.
Para ler sem falta!!!
Laurente V


"L'Aigle solitaire" - "Águia Solitária"

Essa aventura foi publicada na revista "Pilote" entre 22 de outubro de 1964 e 8 de abril de 1965, e lançada em álbum em 1967, sendo o terceiro volume do ciclo Forte Navajo. As Primeiras Guerras Indígenas (álbuns 1 a 5) - Arizona, Novo México e Texas. Junho de 1867 a Maio de 1868. Acontecimentos históricos: Negócio Bascom, As Guerras Indígenas e A Construção do Caminho de Ferro. A reedição, de maio de 2003, traz a ex-colorista da série paralela "A Juventude de Blueberry", Claudine Blanc-Dumont, como autora das cores.

Na revista “Pilote” Nº 285, de 8 de abril de 1965, o final de “L’Aigle solitaire” (“Águia Solitária”) anunciou erradamente que o episódio seguinte seria “La Piste des Apaches” e não o correto “Le Cavalier perdu” (“O Cavaleiro Perdido”); as primeiras edições, em álbum, mantiveram o erro, que foi corrigido, também erradamente, para "La Piste des Navajos", episódio seguinte a "Le Cavalier perdu", até, finalmente, ter esta última história, a correta, anunciada - "Le Cavalier perdu".

“La Pista des Apaches” (“A Pista dos Apaches”) é uma história inexistente na série “Blueberry”, há “A Pista dos Navajos” e “A Pista dos Sioux”, ambas publicadas, pela Editora Abril, no Brasil. No último quadrinho de “L’Aigle solitaire”, vemos o Tenente Graig a cavalo, rumo ao nascente, cena inspirada, por Jean Giraud, no tradicional final de “Lucky Luke”, “poor lonesome cowboy” criado por Morris, cavalgando em direção ao poente.

O guia índio de Blueberry, Quanah-de-um-olho-só, ou simplesmente Quanah, é caolho, utiliza um tapa-olho esquerdo, pode ser visto na capa e é um espião dos Apaches infiltrado na Cavalaria. O título do álbum é o seu nome de chefe de guerra, Águia Solitária. Um guia do Exército é chamado, em inglês, de "scout", que também significa "batedor", "explorador".

"Blueberry" foi uma publicação mensal da Editora Abril, cuja divisão infanto-juvenil e de histórias em quadrinhos era chamada de Editora Abril Jovem, ou era uma editora à parte daquela principal. "Águia Solitária" foi lançado em novembro de 1990, em cores, sendo o número 2 da série brasileira, enquanto na original francesa era o terceiro. O formato dos álbuns era um pouco menor do que aqueles da Dargaud Éditeur, porém as tiras eram do mesmo tamanho.

A Editora Vecchi ainda chegou a anunciar, no final de "Tempestade no Oeste", o terceiro episódio da série: "A Águia Solitária"; infelizmente, Blueberry teve apenas dois volumes pela extinta editora.

Afrânio Braga

Blueberry nº 3 L'Aigle solitaire © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1967
Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur


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