quinta-feira, 3 de outubro de 2013

"Blueberry" no Brasil

Em fevereiro de 1976, a Editora Abril publicou o primeiro álbum “Blueberry” no Brasil, “Forte Navajo, uma aventura do Tenente Blueberry”, com a história, fora de ciclo, “O Homem da Estrela de Prata”, em cores, nas versões cartonado e encadernado, com capas, respectivamente, dura e flexível, em cujas, além dos títulos do álbum e da história, os textos “Dargaud apresenta”, “Texto de Jean-Michel Charlier”, “Desenhos de Jean Giraud”, e em formatos de 21,7x28,0 cm e de 21,5x27,5 cm.


"Forte Navajo Uma aventura do Tenente Blueberry",
"O Homem da Estrela de Prata", Editora Abril, 1976.


Na capa brasileira, junto à ilustração da capa original francesa, inspirada por Giraud em uma cena de “Dos Mil Dólares por Coyote”, filme espanhol, de 1966, dirigido por León Klimovsky, com o ator James Philbrook, que substitui o nosso Tenente, quatro quadrinhos extraídos da aventura de Blueberry, na ocasião Xerife em Silver Creek, uma cidadezinha da Fronteira, a dois dias de cavalo de Forte Navajo, Jimmy McClure, o seu ajudante, Katie Marsh, a professora do lugar e outros personagens criados por Charlier inspirados naqueles de “Rio Bravo” (“Onde Começa o Inferno”), filme, de 1959, dirigido por Howard Hawks, com John Wayne, Dean Martn, Angie Dickinson, Walter Brennan, Ricky Nelson e grande elenco.

O álbum cartonado tem a histórica página de guarda da série “Blueberry”, com a ilustração na cor azul médio, e no álbum encadernado, metade da história página de guarda, com o cavaleiro Blueberry, está publicada nos versos da capa e da contracapa. Curiosamente, na página inicial, de ambos os álbuns, o título “Forte Navajo”, que consta na capa, é suprido, restando apenas “Uma Aventura do Tenente Blueberry.”

            A página inicial de ambos os volumes:

UMA AVENTURA DO TENENTE BLUEBERRY


O HOMEM DA
ESTRELA DE PRATA

TEXTO DE JEAN-MICHEL CHARLIER
DESENHOS DE JEAN GIRAUD
Tradução de José E Rodrigues





.
EDITORA ABRIL LTDA.
Editor e Diretor: VICTOR CIVITA


Em janeiro de 1980, a extinta Editora Vecchi lançou “Fort Navajo, uma Aventura do Tenente Blueberry” (título inicial da série, na França), que teve apenas dois álbuns, em preto e branco, editados – “Fort Navajo” e “Tempestade no Oeste”, esse último lançado em março do mesmo ano e que chegou a anunciar “A Águia Solitária”, o terceiro volume – no formato 20,6x27,6 cm e brochura.


"Forte Navajo uma Aventura do Tenente Blueberry" Nº 1 "Fort Navajo", Editora Vecchi, 1980.


O editorial publicado, acima da metade da histórica página de guarda da série “Blueberry”, em preto e branco, com a ilustração invertida do cavaleiro Blueberry, em “Fort Navajo”, o primeiro volume:

Depois de COMANCHE, voltamos à carga lançando mais uma revista em formato grande: FORT NAVAJO, com as aventuras do Tenente Blueberry. Esta história, de origem francesa, é escrita por JEAN-MICHEL CHARLIER e desenhada por JEAN GIRAUD, que não é outro senão o famoso MOEBIUS, um dos mais aplaudidos desenhistas da atualidade.
Quando GIRAUD começou a desenhar essa série para a revista francesa PILOTE, estava no início de sua carreira. Ainda sem atingir seu estilo definitivo, com influências de outros desenhistas, ele deu início a essa epopéia do faroeste, famosa em seu país de origem há cerca de vinte anos. Tempos mais tarde, associou-se a outros desenhistas de gabarito, usando o pseudônimo de MOEBIUS, e foi fundada a firma LES HUMANOÏDES ASSOCIÉS, que deu origem à badaladíssima METAL HURLANT, uma das mais cotadas revistas da atualidade.
As histórias de FORT NAVAJO estão sendo publicadas na mesma ordem original e contamos com os leitores para que ela obtenha o mesmo sucesso que as outras já consagradas publicações desta editora.

          A histórica página de guarda da série, com Blueberry inspirado por Giraud em seu grande amigo Jean-Claude Mézières, também um renovado autor de histórias em quadrinhos, quando esse, em 1966, trabalhou como vaqueiro no Dugout Ranch, Utah, Estados Unidos da América:



               Assim como nas duas versões do álbum da Editora Abril, lançadas em 1976, na página inicial, em preto e branco, de ambos os álbuns da Editora Vecchi, o título “Forte Navajo”, que consta na capa, é suprido, restando apenas “Uma Aventura do Tenente Blueberry”:

UMA AVENTURA DO TENENTE BLUEBERRY

FORT NAVAJO


TEXTO DE JEAN-MICHEL CHARLIER
DESENHOS DE JEAN GIRAUD





EDITORA VECCHI

             O anúncio do próximo volume, no verso da contracapa de “Fort Navajo”, apresenta a capa de “Tempestade no Oeste” em preto e branco.


"Fort Navajo uma Aventura do Tenente Blueberry" Nº 2 "Tempestade no Oeste", Editora Vecchi, 1980.


Ainda em 1980, a Editora Vecchi reprisou “Fort Navajo” e “Tempestade no Oeste” no álbum “As Melhores Histórias de Faroeste Já Publicadas”, juntamente com “Comanche. Red Dust” e “Os Guerreiros do Desespero”, volume encadernado, com 196 páginas em preto e branco, no formato 20,5x27 cm:

"Seleção das Melhores Histórias de Faroeste Já Publicadas", Editora Vecchi, 1980.


Em setembro de 1990, a Editora Abril, retomou a publicação do esquentado, teimoso e insubordinado Tenente Blueberry, dessa vez desde a primeira história, “Forte Navajo”, saída em “Blueberry”, volume 21 da série “Graphic Novel”, brochura, com o formato de 21,0x27,4 cm e na capa, os nomes dos autores são Mœbius e Charlier, porque Jean Giraud é mais conhecido, no Brasil, pelo seu outro eu, Mœbius, que realizava as histórias em quadrinhos de ficção científica, enquanto Giraud aquelas de western.


"Geaphic Novel" Nº 21 "Blueberry", Editora Abril, 1990.
"Forte Navajo", roteiro de Charlier, desenhos de Giraud, capa de Jijé.


O editorial publicado, no verso da capa, em “Graphic Novel” Nº 21 “Blueberry”:

N. C.: Desenho de Blueberry acima do editorial, inspirado, por Jean Giraud, no ator Charlton Heston 
em “Will Penny” (“E o Bravo Ficou Só”), filme de 1968, dirigido por Tom Gries. 

N. C.: "Général Tête Jaune", prancha 43,
quadrinho 6, Jean-Michel Charlier e Jean
Giraud, Dargaud Éditeur, 1971.
Construir um personagem não é das tarefas mais fáceis. Para que ele se torne um clássico, multiplicam-se as dificuldades por xis ao quadrado. Quando se trata de conseguir as duas coisas numa escola seleta e intelectualizada – não confundir com chata -, como é a do quadrinho francês, a lógica matemática postula que as chances são de uma em um milhão.
Foram necessárias, portanto, muitas récits (1) frustradas, até que em 1963 o semanário Pilote (2), de Georges Dargaud, aumentasse sua galeria de celebridades (a revista já contava com Astérix e Tanguy et Laverdure, entre tantos), lançando Fort Navajo, primeira aventura do jovem fidalgo Mike Steve Donovan, filho de fazendeiros escravocratas, plantadores de algodão na Geórgia, que o destino – ou o gênio de Jean-Michel Charlier – transformou no Tenente Blueberry.
Os leitores não receberam a história em narrativa linear, pronta para ser consumida e esquecida. Eles foram apresentados a um oficial maduro, vivido e malicioso, com um intrigante passado, que só viria a ser revelado doze anos depois com o álbum La Jeunesse de Blueberry (3). Donos da vida tenente, Charlier e Giraud decidiram contar sua saga em fases, não necessariamente em seqüência cronológica. Este é o álbum de estréia da primeira série, conhecida na Europa como “Indígena” (4). Depois disso, Blueberry foi xerife, corneteiro... e até mudou de desenhista (5). Mas isso já é outra história.

N. C.: 1) Récits: histórias, em francês; 2) O personagem Blueberry foi lançado na revista “Pilote” nº 210 de 31 de outubro de 1963; 3) Jean-Michel Charlier escreveu a biografia de Michael Stephen Donovan, aquele que o Oeste conheceu como Tenente Mike Steve Blueberry, a qual foi publicada em “Ballade pour un cercueil” (“Balada para um Caixão”), álbum lançado em 1974, e que inspirou o primeiro episódio, “Le secret de Blueberry” (“O Segredo de Blueberry”) do volume 1 da série “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”), iniciada em 1975; 4) Os cinco primeiros álbuns da série “Blueberry” compõem o ciclo Forte Navajo. As Primeiras Guerras Indígenas; 5) Jean Giraud desenhou todos os álbuns da série “Blueberry” e os três primeiros de “La Jeunesse de Blueberry”, cuja teve os seis volumes seguintes desenhados por Colin Wilson e, em seguida, prosseguida por Michel Blanc-Dumont.


A página inicial de “Graphic Novel” Nº 21 “Blueberry”:

UMA AVENTURA DO TENENTE BLUEBERRY

FORTE NAVAJO

Roteiro de Jean-Michel Charlier
Desenhos de Jean (Mœbius) Giraud


N. C.: Blueberry, desenho extraído do quadrinho
8 da prancha 11 de "Le Spectre aux balles d'or",
Charliere Giraud, Dargaud Éditeur, 1972.


Título original:
FORT NAVAJO
© Dargaud Éditeur – 1965
Todos os direitos reservados



O álbum apresentou as fotografias e as biografias dos dois criadores de Mike Blueberry, Charlier e Giraud:

JEAN-MICHEL CHARLIER
N. C.: Jean-Michel Charlier. A Editora Abril
publicou uma fotografia do roteirista, fumando
charuto,  cuja o autor do blog não encontrou
em sua pesquisa para a realização desse artigo.

Charlier foi uma daquelas mentes criativas mentes criativas que projetaram a bande dessinée franco-belga para o reconhecimento mundial, tendo emprestado seu toque mágico a diversas séries que consagraram desenhistas desde 1947. Como se não bastasse, ilustrou algumas pranchas menos conhecidas e ainda assinou roteiros de programas de televisão, passando pela aventura infanto-juvenil e por reportagens especiais.  Jean-Michel, inveterado apreciador de charutos, nasceu em Liège, Bélgica, em 1924 (1).
Não se esforçou por seguir a carreira imposta pelos pais: aos 23 anos, abandonou os estudos de Direito para escrever quadrinhos (2). Começou com o aviador americano Buck Danny, para o jornal Spirou, em parceria com o também belga Victor Hubinon. Em 42 anos de produção ininterrupta, criou dezenas de tipos inesquecíveis para todas as idades. Em 1959, associado a Albert Uderzo e René Goscinnny, fundou a Pilote, posteriormente comprada por Georges Dargaud. Foram os anos de ouro de sua vida profissional. Criou a dupla Tanguy et Laverdure para os desenhos de Uderzo; Barbe-Rouge, o pirata, para Hubinon; Jacques Le Gall foi a última grande inspiração, cujos álbuns foram editados pela Dargaud até 1979, passando, então, para a Novedi, junto com os seus autores. Charlier morreu no final de 1989 (2), vítima de uma crise renal, fumando charutos e escrevendo histórias, aos 65 anos.

N. C.: 1) Jean-Michel Charlier nasceu em 30 de outubro de 1924; 2) O criador literário de Blueberry era Ph.D em Direito e graduado em Letras; 3) Charlier faleceu em 10 de julho de 1989, em Paris, França.



N. C.: Jean Giraud. A editora publicou outra
fotografia do desenhista, cuja o autor do blog
 não encontrou para a realização desse artigo.
Gir foi o primeiro pseudônimo usado pelo francês Jean Giraud, nascido em 1938 (1), em Fontenay-sous-Bois, e idolatrado a partir dos anos 70 como Mœbius, o mago dos quadrinhos de ficção científica, revelado pela Métal Hurlant para o mundo. Muito antes de se associar aos Humanoïdes (2), entretanto, o prodigioso desenhista foi premiado em diversos festivais por seus trabalhos como os western comics.

O início, modesto, aconteceu em 1955, com uma aventura cômica para a revista Far-West. Um ano depois, já com traço mais seguro e menos convencional, publicou histórias curtas na Coeurs-Vaillants, que lhe valeram preciosos convites para colaborar com a Encyclopédie de L’Histoire des Civilizations, de Hachette, e para ser assistente de um dos maiores mestres do gênero na Europa: o velho Jijé (nome artístico do belga Joseph Gillain, criador de Jerry Spring e autor da capa desta edição).

N. C.: 1) Jean Giraud nasceu em 8 de maio de 1938, em Nogent-sur-Marne, e faleceu em 10 de março de 2012, em Paris, França; 2) Humanoïdes Associés; 3) Giraud realizou 35 álbuns blueberryanos: desenhou 28 álbuns da série “Blueberry”, dos quais escreveu dez páginas do roteiro de “Angel Love”; alterou e concluiu, após a morte de Charlier, o roteiro de “Arizona Love” e foi roteirista e desenhista dos cinco volumes do ciclo Mister Blueberry. O Rei do Pôquer; desenhou 3 álbuns da série “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”); escreveu os roteiros dos 3 álbuns da série “Marshal Blueberry”; e escreveu e desenhou o fora de série “Apaches”; 4) “Les Démons du Missouri” (“Os Demônios do Missouri”), quarto volume da série “La Jeunesse de Blueberry”, desenhado por Colin Wilson e publicado em 1985; 5) “Mississippi River”, publicado pelos Humanoïdes Associés, foi o primeiro volume da série “Jim Cutlass”, ou “Une aventure de Jim Cutlass”, que foi prosseguida, após a morte de Charlier, por Jean Giraud, roteirista, e Christian Rossi, desenhista, com 7 álbuns lançados pela Casterman, de 1991 a 1999.


Contracapa de "Geaphic Novel" Nº 21 "Blueberry", Editora Abril, 1990.


Em outubro de 1990, a Editora Abril lança a série “Blueberry”, em cores, que dura apenas quatro volumes - “Tempestade no Oeste”, “Águia Solitária”, “O Cavaleiro Perdido” e “A Pista dos Navajos” – de outubro de 1990 a janeiro de 1991, os quais, juntando a “Forte Navajo”, perfazem o ciclo Forte Navajo. As Primeiras Guerras Indígenas. Na capa, os nomes dos autores são Mœbius e Charlier, seguindo o padrão de “Blueberry”, volume 21 da série “Graphic Novel”, assim como o formato de 21,0x27,4 cm e brochura.


"Blueberry" Nº 1 "Tempestade no Oeste", Editora Abril, 1990.


Ilustração do verso da capa de “Tempestade no Oeste”:


Texto da Editora Abril no rodapé da ilustração: O tenente Blueberry reverencia Jerry Spring,
clássico do western belga, criado por Jijé.
N. C.: Ilustração publicada na página 66 do livro
"L'Univers de Gir". Hommage a Jijé - Homenagem a Jijé: Blueberry contempla o retrato de
Jerry Spring e Pancho, personagens criados pelo roteirista belga Joseph Gillain, o Jijé,
antigo mestre de Jean Giraud na arte da Bande Dessinée, que assinou Jean Gir no desenho.


A página inicial de “Tempestade no Oeste” Nº 1 da série “Blueberry”:

UMA AVENTURA DO TENENTE BLUEBERRY

TEMPESTADE
NO OESTE

Roteiro de Jean-Michel Charlier
Desenhos de Jean (Mœbius) Giraud




Título original:
TONNERE À L’OUEST
© Dargaud Éditeur – 1966
Todos os direitos reservados


O editorial publicado em “Tempestade no Oeste”, o primeiro álbum da série “Blueberry”:


N. C.: Ilustração, feita por Jean Giraud, inspirada nos atores Walter Brennan e Henry Fonda atuando em
"My Darling Clementine" ("Paixão dos Fortes", no Barasil), filme western, de 1946, dirigido por John Ford,
que narra a história do mítico tiroteio em Tombstone, célebre cidade do Arizona, em 1881.

A colonização do Oeste americano sempre fascinou o mundo inteiro, notadamente os europeus, que dedicaram ao assunto boa parte de sua produção quadrinhística e cinematográfica. A idéia de publicar Blueberry surgiu em 1962, quando Jean-Michel Charlier foi conhecer in loco os cenários da saga.
Detalhista ao extremo, o roteirista recolheu vasto material de referência e gastou mais de um ano pesquisando usos, costumes, grupos étnicos, geografia, história e toda a documentação de que pudesse dispor para enriquecer sua criação.
Por outro lado, Jean Giraud revelou-se o mais promissor aprendiz de Jijé (ver matéria na Graphic Novel 21) (1), quando o auxiliava na produção das aventuras de Jerry Spring. A experiência acumulada em mais de uma década desenhado Blueberry originou dezenas de pequenas histórias, ilustrações e até uma western soap opera, satirizando estereótipos como os bandidões mexicanos – bigodudos, claro! – e os dark comboys misteriosos, impecavelmente vestidos e barbeados.
Entre seus argumentistas habituais destacaram-se Noël Carre (Le roi des bisons) e Oglaca Lakota, um índio sioux (em Wounded Knee, adaptação para as HQ do tratado de paz simbólico assinado em 1973 pelo governo norte-americano e as tribos lakotas, em memória de um massacre ocorrido em 1890).
Se os nomes de Charlier e Gir ainda soam estranhos à maioria dos leitores brasileiros, alguns experts vão se lembrar das duas aparições de Blueberry por aqui. Em 1976, a própria Editora Abril lançou o único álbum em que o tenente coloca no peito o símbolo da lei: O homem da estrela de prata (2). Quatro anos mais tarde, foi a vez da Vecchi editar os dois primeiros episódios da série, em preto-e-branco. Nos EUA, onde Gir vive atualmente e goza o estrelismo de seu outro pseudônimo – Moebius -, a epopéia de Blueberry mereceu três volumes encadernados, em papel cuchê e capa dura, impressos pela Epic (3). E agora são os franceses que estão fazendo o mesmo (4). Privilégios de um clássico.

N. C.: 1) A biografia de Jean Giraud; 2) Blueberry também usou, no peito, o símbolo da Lei em “A Mina do Alemão Perdido” e “O Espectro das Balas de Ouro”, álbuns publicados em 1972, dezoito anos antes da série brasileira “Blueberry”, em “Marshal Blueberry”, série lançada no mesmo ano daquela da Editora Abril; 3) Todos os volumes da série “Blueberry” publicados, até então, na França, foram lançados, nos Estados Unidos da América, pela Epic Comics, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, na maioria em álbuns duplos; 4) Desde o início do lançamento de “Blueberry” em álbuns, em 1965, a Dargaud Éditeur publica os volumes no formato cartonado.


"Blueberry" Nº 2 "Águia Solitária", Editora Abril, 1990.


A página inicial de “Águia Solitária” Nº 2 da série “Blueberry”:

UMA AVENTURA DO TENENTE BLUEBERRY

ÁGUIA SOLITÁRIA

Roteiro de Jean-Michel Charlier
Desenhos de Jean (Mœbius) Giraud




Título original:
L’AIGLE SOLITAIRE
© Dargaud Éditeur – 1967
Todos os direitos reservados


O editorial publicado em “Águia Solitária”, o segundo álbum da série “Blueberry”:

N. C.: Legenda da editora: Lucky Luke, um gatilho
mais rápido que sua própria sombra
N. C.: Legenda da editora: Frank e
Jerémie, os trapalhões de Gir







Pouquíssimos artistas foram originais desde o início da carreira. Jean Giraud não fugiu à regra. Muito antes de ser aclamado como o papa da HQ de Science-Fiction, Gir desenvolveu, lá pelos idos de 1956, aventuras curtas em preto & branco sobre o lado irônico do cotidiano do faroeste. Frank et Jerémie, título da série, batizava também seus protagonistas, dois vaqueiros trabalhões que invariavelmente se metiam em confusão – fosse por um belo rabo-de-saia ou por algum soco perdido em brigas de saloon.
A inevitável comparação, entretanto, vem das imagens estampadas no alto desta página: Frank (à esquerda no quadro) poderia até ser tomado por um irmão bronco do solitário justiceiro Lucky Luke – criado pelo belga Maurice de Bévère, o Morris, em 1946 -, caso os personagens transitassem pela mesma revista. Mas “o-homem-que-atira-mais-rápido-do-que-a-própria-sombra” já era astro do Journal Spirou quando Gir começou a publicar, na extinta Far-West.
Os caminhos dos desenhistas só iriam se cruzar em abril de 1968: Morris trocou a editora Dupuis pela Dargaud, e seus quadrinhos – já com argumentos de Goscinny – passaram a freqüentar o semanário Pilote. Lá estava Giraud, autor do Tenente Blueberry. Já não havia mais Frank nem Jerémie. O ex-aprendiz encontrou seu estilo e, na condição de mestre, passou a influenciar as novas gerações de quadrinhistas.


"Blueberry" Nº 3 "O Cavaleiro Perdido", Editora Abril, 1990.


A página inicial de “O Cavaleiro Perdido” Nº 3 da série “Blueberry”:

UMA AVENTURA DO TENENTE BLUEBERRY

O CAVALEIRO PERDIDO

Roteiro de Jean-Michel Charlier
Desenhos de Jean (Mœbius) Giraud




Título original:
LE CAVALIER PERDU
© Dargaud Éditeur – 1968
Todos os direitos reservados


O editorial publicado em “O Cavaleiro Perdido”, o terceiro álbum da série “Blueberry”:

Aquele golinho a mais, que já deu muita dor de cabeça ao “ébrio” Vicente Celestino, ganhou outra conotação nos quadrinhos para caracterizar tipos inesquecíveis. Nesta edição, o Tenente Blueberry inicia uma longa convivência com o velho Jimmy Mac Clure, beberrão inveterado, garimpeiro que trocou a Escócia pelo Arizona, mas não perdeu o gosto por um bom uísque.
Também na linha do Oeste americano, Tom K. Rian criou os Tumbleweeds (Kid Farofa, no Brasil), tira cômica de 1965, ridicularizando o cotidiano dos cowboys. Não passariam pelo bafômetro o desocupado Soppy nem o juiz Frump, símbolo da lei e das instituições alcoólicas. Outro que não larga o famoso garrafão com o rótulo dos três “x” é Snuffy Smith (Zé Fumaça), caipira montanhês desenhado por Billy de Deck em 1934, na strip de Barney Google. O sucesso subiu tanto à cabeça do personagem – ultrapassou o teor alcoólico – que o baixinho narigudo passou a fabricar bebidas clandestinamente em HQ própria (produção de Fred Lasswell).
Andy Capp, o Zé do Boné – protagonista da tira diária de Reginald Smithe – chegou a ser processado por um advogado (de carne e osso!): era um mau exemplo para os leitores. Depois de tomar umas e outras no bar da esquina, o malando acabava invariavelmente brigando com sua apaixonada esposa. O público deu seu veredito. Andy é inocente e não vai se emendar jamais, apesar dos protestos das feministas. E dos clássicos da bande dessinée belga vem mais um boêmio irrecuperável – o capitão Haddock, lobo-do-mar que acompanha o jornalista Tintin (de Hergé) em suas andanças pelo mundo. De preferência, ao lado de uma boa garrafa de rum.
Os bares nacionais também foram bastante frequentados pelos quadrinhistas. Jaguar publicou no Pasquim os Chopniks, filósofos de botequim que falavam o que pensavam quando a censura sugeria que o país se calasse. E na calada da madrugada vieram Buteco Teco, do baiano Lessa, e As Mil e Uma Noites, de Paulo Caruso. Mas os campeões da bebedeira são Zeferino, o cabra-da-peste que Henfil rabiscou no Fradim – seus porres homéricos davam-lhe a ilusão de estar no “Sul Maravilha”, e não na desolação da caatinga – e Rê Bordosa, a ninfa da decadência, que Angeli criou e assassinou nas páginas do Chiclete com Banana, e que renasce cada vez que um copo é entornado. Nem que seja para esquecer a ressaca anterior.


"Blueberry" N« 4 "A Pista dos Navajos", Editora Abril, 1990.


A página inicial de “A Pista dos Navajos” Nº 4 da série “Blueberry”:

UMA AVENTURA DO TENENTE BLUEBERRY

A PISTA DOS NAVAJOS

Roteiro de Jean-Michel Charlier
Desenhos de Jean (Mœbius) Giraud




Título original:
LA PISTE DES NAVAJOS
© Dargaud Éditeur – 1969
Todos os direitos reservados


O editorial publicado em “A Pista dos Navajos”, o quarto álbum da série “Blueberry”:

 

A Pista dos Navajos traz a conclusão da chamada Fase Indígena (1) desta série.
Embora o tenente Mike Blueberry nunca tenha existido (2) – assim como a maioria dos acontecimentos narrados por Jean-Michel Charlier -, os cenários e alguns participantes da saga são reais.
O chefe Cochise compôs, ao lado de Victorio (3) e Jerônimo (4), a grande liderança dos levantes apaches contra os brancos nas três últimas décadas do século XIX, aparentemente motivados pelo confinamento dos índios em irrisórias frações de terra, as “reservas”.
Antes da chegada dos europeus, porém, os apaches constituíram, com os comanches (5), a grande nação indígena americana, habitante o sudoeste do continente. Apesar do patrimônio cultural e histórico mais ou menos comum, os apaches não formavam uma unidade social: as relações entre as tribos eram freqüentemente hostis, havendo confrontos entre as diversas tribos: jicarillas, lipans, mescaleiros, airavaipas, coioteiros, chiricahuas, tontos, etc., (a própria expressão apache significa inimigo, guerreiro).
O último bando rebelde, o de Jerônimo, foi destruído em 1886, mas até 1890 alguns pequenos grupos isolados, refugiados nas montanhas, atacavam o homem branco. Após um breve intervalo – a próxima edição -, os peles-vermelhas voltarão a dar trabalho ao exército americano nas páginas de Blueberry (6). Afinal, a Guerra de Secessão mal terminou para nós... (7)

N. C.: 1) Ciclo Forte Navajo. As Primeiras Guerras Indígenas; 2) O personagem Blueberry foi inspirado, por Charlier, em soldados reais, que eram insubordinados e por isso enviados para postos do exército isolados na Fronteira; 3) Ou Vittorio; 4) Ou Gerônimo, ou Geronimo;  5) Os sioux, considerados os últimos guerreiros do Velho Oeste, também são muito importantes na composição da nação indígena norte-americana - as principais tribos sioux são oglala, kunkpapa, sans arcs, minneconjou, brulé e cheyenne; 6) A próxima edição, após “A Pista dos Navajos”, “O Homem da Estrela de Prata”, não apresenta índios, entre os personagens da história, que retornam em “O Cavalo de Ferro”, primeiro episódio do ciclo do Cavalo de Ferro. As Segundas Guerras Indígenas; 7) A Guerra de Secessão, chamada dessa forma pelos Estados do Sul, e de Guerra Civil, pelos Estados do Norte, é o cenário principal da série “A Juventude de Blueberry”.


Em 1992, a Editora Abril prosseguiu Blueberry em uma nova série, denominada “Tenente Blueberry”, em preto e branco, sem os nomes dos autores nas capas, no formato 21,0x27,4 cm e brochura. A editora lançou um Nº 0, grátis, com a capa de “A Pista dos Sioux”, antes do primeiro álbum, para divulgação dessa nova série, parte integrante de “Espada Selvagem de Conan” Nº88 e “Justiceiro” Nº 5 e que não podia ser vendido separadamente.


"Blueberry" Nº 0, Editora Abril, 1992.


Texto do verso da capa do Nº 0:

Implacável
como Clint Eastwood

Bravo
como John Wayne

Justo
como Kevin Costner

Só poderia ser o Tenente Blueberry, o mais audacioso oficial da cavalaria.

Ele pacifica nações indígenas, vira xerife, escapa de emboscadas, caça perigosos facínoras e restaura a ordem numa terra sem lei. Inteligência, músculos e uma incrível pontaria transformam o Tenente Blueberry no maior furacão do velho Oeste.

Se ajeite na poltrona para curtir o mais sensacional bang-bang de todos os tempos.


O álbum “Tenente Blueberry” Nº 0, com 10 páginas em preto e branco, apresentou, na página 1, o quadrinho da primeira prancha de “A Pista dos Sioux” e, ao longo do volume, vários quadrinhos extraídos da série “Blueberry”, publicada, em cores, dois anos antes, e o resumo do ciclo inicial das aventuras do Tenente.


"La Piste des Sioux", prancha 1, Charlier e Giraud, Dargaud Éditeur, 1971.


Texto da página inicial do Nº 0, que começava o resumo da primeira série, publicado junto ao quadrinho 1 de “A Pista dos Sioux”:


Apaches enlouquecidos pela fúria perseguem dois solitários cavaleiros brancos. A cena não é tão rara. Durante toda a conquista do Oeste ocorreram vários massacres, pontos culminantes do conflito entre nativos e colonizadores.
Um dos fugitivos desta cena é oficial do exército americano. Seu nome: Mike Steve Blueberry. Sua especialidade: meter-se em encrencas. Nas próximas páginas, você assistirá a alguns momentos das aventuras do tenente concebido pelo roteirista pelo roteirista Jean-Michel Charlier e pelo desenhista Jean Giraud – o famoso Moebius.


Texto do verso da contracapa do Nº 0:

A SEGUIR...
CENAS DOS PRÓXIMOS
CAPÍTULOS

É, a paz voltou ao Oeste, concluindo a saga indígena (1).

Voltou mesmo? Que nada, a aventura está só começando!
Blueberry ainda reserva muita emoção para você!

Em março, estréia TENENTE BLUEBERRY, a nova revista mensal do herói. E ele vai ter que assumir, logo de cara, o posto de xerife nunca cidade onde não existe lei: será O HOMEM DA ESTRELA DE PRATA, nosso número 1 da saga (2).
Se sair vivo dessa, o oficial do exército irá direto para as obras da estrada de ferro que ligará as costas pacífica e atlântica dos EUA (3).
Jethro Dedos de Aço (4), um terrível bandido, quer sabotar o trabalho dos desbravadores usando sua mão mecânica.
E Blueberry, onde andará?

Saiba de tudo reservando já o seu exemplar do TENENTE BLUEBERRY... ou você perderá o trem da história!

N. C.: 1) Ciclo Forte Navajo. As Primeiras Guerras Indígenas; 2) “O Homem da Estrela de Prata” é uma história isolada que não integra nenhum ciclo; 3) Início do ciclo do Cavalo de Ferro. As Segundas Guerras Indígenas; 4) Jethro “Steelfingers” Diamond - “O Homem do Punho de Aço”, apelido do personagem e título do terceiro álbum da série “Tenente Blueberry” e segundo do ciclo do Cavalo de Ferro. As Segundas Guerras Indígenas.


Texto da contracapa do Nº 0, sobre a imagem da capa de “La Mine de l’Allemandu perdu“ (“A Mina do Alemão Perdido”), primeiro álbum do ciclo de Prosit Luckner. O Ouro da Sierra, inédito no Brasil:

O MELHOR
DO FAROESTE
N. C.: Detalhe da capa de "Blueberry" nº 11 "La Mine de l'Allemandu perdu", Charlier e Giraud, Dargaud Éditeur, 1972.
A galope, nas bancas,
nova revista mensal.


 “Tenente Blueberry”, a segunda série, assim com a primeira, durou somente quatro volumes – “O Homem da Estrela de Prata”, “O Cavalo de Ferro”, “O Homem do Punho de Aço” e “A Pista dos Sioux” - de março a junho de 1992. 


"Tenente Blueberry" Nº 1 "O Homem da Estrela de Prata", Editora Abril, 1992.


O editorial do álbum “O Homem da Estrela de Prata” e a ilustração de Blueberry publicada, no livro “L’Univers de Gir”, em 1986:



O Tenente Mike Steve Blueberry em trajes civis.
Ilustração, de Jean Giraud, publicada na página 94
do livro "L'Univers de Gir", Dargaud Éditeur, 1986.
Arrependam-se, incréus, ímpios, descrentes, céticos, pirrônicos e incrédulos que não botavam fé e até duvidavam! Eis que ressurge Blueberry, criando e desfazendo confusão no Oeste como se nada tivesse acontecido – para alegria dos leitores fiéis que, durante a ausência do tenente nas bancas, foram todos pressão, via telefone, telex, fax, cartas e ataques diretos à redação.

Ok, cowboys! Vocês venceram!

O Homem da Estrela de Prata segue a cronologia da produção da dupla Charlier/Giraud. Trata-se de uma aventura independente, imediatamente posterior à saga indígena, e que prepara terreno para o início do novo ciclo, do caminho de ferro, com início marcado para a edição que vem.

Fãs incondicionais do gênero bangue-bangue reconhecerão nas páginas seguintes algumas semelhanças com o clássico Onde Começa o Inferno (Rio Bravo), filme de Howard Hawks. O xerife acossado pelo bando de criminosos – John Wayne, nas telas – é substituído por um encrenqueiro, velho conhecido nosso...


"Tenente Blueberry" Nº 1 "O Homem da Estrela de Prata",
Editora Abril, 1992. Prancha 1.


"Tenente Blueberry" Nº 2 "O Cavalo de Ferro", Editora Abril, 1992.


"Tenente Blueberry" Nº 2 "O Cavalo de Ferro", Editora Abril, 1992. Prancha 1.


"Tenente Blueberry" Nº 3 "O Homem do Punho de Aço",  Editora Abril, 1992.


"Tenente Blueberry" Nº 3 "O Homem do Punho de Aço",  Editora Abril, 1992. Prancha 1.


"Tenente Blueberry" Nº 4 "A Pista dos Sioux", Editora Abril, 1992.


"Tenente Blueberry" Nº 4 "A Pista dos Sioux", Editora Abril, 1992. Prancha 1.


A página de guarda publicada no final do volume 3, “O Homem do Punho de Aço”, e no final do volume 4, “A Pista dos Sioux”:


N. C.: Ilustração realizada, por Jean Giraud, para a página de guarda do álbum "Ballade pour un cercueil"
("Balada para um Caixão"), roteiro de Jean-Michel Charlier, publicado, em 1974, por Dargaud Éditeur.


Ao que parece, a editora não planejava continuar a série, pois não anunciou, no final de “A Pista dos Sioux”, o álbum “General Cabeça Amarela”, episódio conclusivo do ciclo do Cavalo de Ferro. As Segundas Guerras Indígenas.


Em 2006, Blueberry voltou a cavalgar no Brasil, na ocasião pela Panini Comics, que publicou o ciclo Mister Blueberry. O Rei do Pôquer em três álbuns, em cores, na série “Blueberry”, de Charlier e Giraud, sendo os dois primeiros dípticos - “Mister Blueberry” e “Sombras sobre Tombstone” (julho de 2006); “Gerônimo, o Apache” e “OK Corral” (setembro de 2006) – e “Dust” (janeiro de 2007), a conclusão do ciclo.


"Blueberry" Nº 1, Panini Comics, 2006.


O primeiro quadrinho do álbum “La Mine de l’Allemandu perdu” (“A Mina do Alemão Perdido”), 1972, teve uma segunda versão, feita por Jean Giraud, em 1995, para a página de guarda dos cinco álbuns do Ciclo Mister Blueberry. O Rei do Pôquer, da Dargaud, e foi publicada nos versos das capas e das contracapas dos três álbuns da Panini Comics:





A página inicial do volume 1 de “Blueberry”:

C H A R L I E R        G I R A U D

B L U E B E R R Y



1 :  M I S T E R  B L U E B E R R Y

ROTEIRO E ARTE JEAN GIRAUD

CORES FLORENCE BRETON
TRADUÇÃO/ADAPTAÇÃO
PEDRO BOUÇA/LT
LETRAS MARCOS VALÉRIO
EDITOR LEVI TRINDADE


N. C.: As cores de “Sombras sobre Tomstone”, segundo episódio do volume 1, também são de Florence Breton.


O título da história consta somente no volume 2, mas apenas do primeiro episódio do álbum – “Gerônimo, o Apache”. As capas de “Sombras sobre Tombstone” e “OK Corral” foram publicadas, respectivamente, nos álbuns “Mister Blueberry” e “Gerônimo, o Apache”. A editora lançou os dois volumes iniciais no formato encadernado, 20,6x27,6 cm,  e o último brochura, 20,5x27,4 cm, gerando reclamações dos leitores.


"Blueberry" Nº 2, Panini Comics, 2006.


A página inicial do volume 2 de “Blueberry”:

C H A R L I E R        G I R A U D

B L U E B E R R Y



1 :   G E R Ô N I M O ,  O  A P A C H E

ROTEIRO E ARTE JEAN GIRAUD

CORES FLORENCE BRETON
TRADUÇÃO/ADAPTAÇÃO
PEDRO BOUÇA/LT
LETRAS MARCOS VALÉRIO
EDITOR LEVI TRINDADE


N. C.: As cores de “OK Corral”, segundo episódio do volume 2, são de Claire Champeval e Jean Giraud.


Resumo publicado no volume 2, “Gerônimo, o Apache”, ao lado do expediente do álbum e acima de um desenho de Blueberry, feito por Jean Giraud, exposto nos três volumes da série:

A    N    T    E    R    I    O    R    M    E    N    T    E    .    .    .  
M

ike Blueberry, o famoso oficial de cavalaria beberrão, insubordinado e exímio jogador de pôquer, se encontra em Tombstone (1), a cidade mais conhecida por ser o lar da família de agentes da lei com o sobrenome Earp.
            Enquanto Blueberry participa de inúmeras partidas de carteado, os Clanton e os McLaury realizam audaciosos roubos disfarçados como índios, fazendo com que a culpa recaia sobre o apache Gerônimo e seu bando de guerreiros, que andam pelas proximidades de Tombstone.
            Enquanto isso, Blueberry foi vítima de um atentado feito pelos parentes de um homem supostamente morto durante um jogo com o herói de nariz quebrado (2). Ferido mortalmente, Blueberry agora repousa sob os cuidados da dançarina e cantora Doree Malone (3), ao mesmo tempo que conta as suas façanhas ao escritor John Campbell (4), vindo de Boston, que está escrevendo uma biografia sobre ele.

N. C.: 1) Cidade localizado no Arizona, Estados Unidos da América; 2) Blueberry teve o nariz quebrado, por um golpe de muleta, desferido pelo General Dodge, no episódio “Double jeu”, publicado no álbum “Cavalier bleu”, terceiro volume da série “La Jeunesse de Blueberry” (“A Juventude de Blueberry”); 3) Dorée Malone – dorée significa dourada, em francês; 4) John Meredith Campbell, homenagem de Giraud a Jean-Michel Charlier - além das mesmas iniciais dos nomes, JMC, ambos são escritores e biógrafos de Mike Steve Donovan, o Tenente Blueberry, corpulentos e apreciadores de charutos.




"Blueberry" Nº 3, Panini Comics, 2007.


A página inicial do volume 3 de “Blueberry”:

C H A R L I E R        G I R A U D

B L U E B E R R Y



D  U  S  T

ROTEIRO E ARTE JEAN GIRAUD

CORES SCARLETT SMULKOWSKI E JEAN GIRAUD
TRADUÇÃO/ADAPTAÇÃO
PEDRO BOUÇA/LT
LETRAS MARCOS VALÉRIO
EDITOR LEVI TRINDADE



Resumo publicado no volume 3, ao lado do expediente do álbum e acima de um desenho de Blueberry, feito por Jean Giraud, exposto nos três volumes da série:

A    N    T    E    R    I    O    R    M    E    N    T    E    .    .    .  

T
ombstone, julho de 1881, uma partida de pôquer interminável se desenrolava nos fundos do Dunhill até que um assassino contratado pelo velho Boone invadiu o local com uma escopeta de cano serrado nas mãos. O homem foi morto, mas um comparsa, o filho de Boone, conseguiu balear Blueberry pelas costas.
            Dado como morto, nosso herói foi tratado foi tratado por Doree Malone, cantora e estrela do Dunhill.
            Graças aos cuidados dela, Blueberry foi se recuperando aos poucos. Para passar o tempo durante sua convalescença, o veterano oficial de cavalaria aceitou contar sua história a John Campbell e Billy Parker (1), dois jornalistas vindos de Parker especialmente para fazer sua biografia de aventureiro do Oeste. Ele relatou seu primeiro encontro com o grande chefe apache Gerônimo.
            Enquanto isso, na cidade cresceu a tensão entre a quadrilha dos Clanton, manipulados por Strawfield, um banqueiro corrupto, e os Earp, defensores da ordem (2). Os quatro malfeitores e os irmãos justiceiros marcaram um encontro pela manhã no Ok Corral, para aquele que se tornaria o mais famoso duelo da história do Oeste.
            O que os irmãos Earp não sabem, é que três matadores de aluguel – Hon, o mudo; um atirador de elite chamado Clark; e o falso delegado Straub – também estão a caminho do local. Eles igualmente ignoram que o braço direito de Strawfield, Johnny Ringo, é um perigoso psicopata que acabou de raptar Doree para degolá-la e oferecer seu sangue ao Dragão Vermelho. Blueberry, ainda em mau estado, consegue mesmo assim eliminar os dois primeiros assassinos e encontrar a trilha de sangue de Ringo...
            Todos os elementos da tragédia já estão no lugar certo, o lendário duelo no Ok Corral poderá ser escrito na poeira de Tombstone... (3).

N. C.: 1) Billy Parker, auxiliar de John Meredith Campbell, talvez represente o próprio Jean Giraud; 2) Resumo, dos episódios anteriores, publicado, em quadrinhos, em “OK Corral”, antes da primeira prancha do álbum – essa página não consta no segundo volume brasileiro, cujo segundo episódio foi denominado “Duelo no OK Corral”; 3) Resumo, dos episódios anteriores, publicado em “Dust”, incluindo o resumo anterior.



No final do álbum “Dust”, foram publicadas as biografias de Jean Giraud e de Jean-Michel Charlier, respectivamente os criadores gráfico e literário de “Blueberry”, cuja fonte dos textos e das fotografias foi a Dargaud. A ressaltar que as biografias dos dois renomados autores de histórias em quadrinhos também estão publicadas no blog Blueberry, uma Lenda do Oeste.

jean giraud  




jean–michel charlier  




Fontes das imagens: Mister Jacq: a contracapa de “Graphic Novel” Nº 21 “Blueberry”; a histórica página de guarda da série “Blueberry”, com Mike “Jean-Claude Mézières” Blueberry; a ilustração inspirada nos atores Walter Brennan e Henry Fonda atuando no filme western “My Darling Clementine” (“Paixão dos Fortes”); Mike “Charlton Heston” Blueberry; a página de guarda de “Ballade pour un cercueil” (“Balada para um Caixão”); a segunda versão do primeiro quadrinho de “La Mine de l’Allemandu perdu” (“A Mina do Alemão Perdido”);  1caseenmoins: o quadrinho 6 da página 43 de “Général Tête Jaune” (“General Cabeça Amarela”); Afrânio Braga: imagem extraída do quadrinho 8 da página 11 de “Le Spectre aux balles d’or” (“O Espectro das Balas de Ouro”); homeofhendrix: Jean Giraud, para a biografia publicada pela Editora Abril; stripovi: Jean-Michel Charlier, para a biografia publicada pela Editora Abril; theairtightgarage: Homenagem de Giraud a Jijé, na página 66 de “L’Univers de Gir”; echolile: Lucky Luke e Jolly Jumper; artesecuencial: Frank et Jerémie; prageuj: Gerônimo; amertribes: Naiche e Ha-o-zinne; oranofactory: Mike Blueberry, ilustração da página 94 de “L’Univers de Gir”; Bedetheque: as capas e as pranchas 1, em preto e branco, dos quatro álbuns da 2ª série da Editora Abril, 1992. JCPF: as capas dos três volumes da série da Panini Comics; Dargaud Éditeur: “Blueberry” tome 9 “La Piste des Sioux”, prancha 1; a capa de “La Mine de l’Allemandu perdu” (“A Mina do Alemão Perdido”); a logomarca Dargaud; Blueberry, desenho publicado ao lado dos expedientes dos três álbuns da Panini Comics; fotografias Jean Giraud e Jean-Michel Charlier, nas biografias publicadas em “Dust”.

Direitos autorais - Copyright ©:
Forte Navajo, uma aventura do Tenente Blueberry © Editora Abril 1976
Fort Navajo, uma Aventura do Tenente Blueberry © Editora Vecchi 1980
As Melhores Histórias de Faroeste Já Publicadas © Editora Vecchi 1980
Graphic Novel © Editora Abril 1990
Blueberry © Editora Abril 1990
Tenente Blueberry © Editora Abril 1992
Blueberry © Panini Comics 2006, 2007
Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur

A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.


Afrânio Braga
Manaus, Amazonas, Brasil


2 comentários:

  1. Mercado Brasileiro e suas inconstâncias.

    Personagem que merecia uma publicação à la "Asterix" ... ainda que devagar, mas continuamente chegando às livrarias e bancas.

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  2. É um dos grandes personagens do Velho Oeste. Interessante que nasceu na Bélgica, berço de incontáveis personagens (muitos do Velho Oeste americano) graças à criatividade de Jean Giraud, Jigé, Morris, Yves Swolfs, Hermann, Greg, Goscinny, Uderzo, e muitos outros. Blueberry merece a reedição de seus formidáveis gibis, dentro da atual tecnologia e das atuais técnicas, em edições mais cuidadas.Mas isto é quase um sonho. Os quadrinhos hoje são dos super-heróis.

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