quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Blueberry: tantos ou demais?

A propósito da insana política editorial italiana que prefere se fixar quase sempre sobre os mesmíssimos personagens transalpinos em diversas vestes editoriais, é particularmente representativo o caso de Mike Steve Donovan, dito Blueberry, personagem western entre os mais notórios na Europa e além-oceano.


Criado em 1963, para o semanal “Pilote”, pelo roteirista Jean-Michel Charlier e desenhado por Jean “Gir” Giraud e prosseguido por François Corteggiani e o mesmo Jean Giraud nos textos e nos desenhos por Colin Wilson, William Vance, Michel Rouge e Michel Blanc-Dumont, esse oficial da cavalaria dos Estados Unidos da América, astuto, audaz, cabeludo, beberrão, mulherengo e jogador de pôquer, aparece pela primeira vez na Itália, em 1967, nos Classici Audacia da Mondadori.




Daquele momento, as aventuras do herói western francês foram ciclicamente repropostas aos leitores italianos, mas, depois de 46 anos, ainda não existe uma cronologia italiana completa.








No único guia italiano existente sobre a história em quadrinhos franco-belga, Alla scoperta della Bande Dessinée de Mauro Giordani (Alessandro Editore, 2000), são reportados todos os editores e as respectivas séries ou títulos que publicaram os episódios no curso das décadas: Mondadori (Classici Audacia), Eura Editoriale (Skorpio, Blueberry), Nuova Frontiera (Collana Eldorado, Totem), Alessandro Editore, Fratelli Crespi Editori (Corriere dei Piccoli e Albi Ardimento), Editrice Sole (Avventuroso colore), Editrice Persona (Eroi dei Fumetti), Edizioni Il Momento (1984), Edizioni EPC (L’Eternauta), Editori del Grifo (Il Grifo, La Nuova Mongolfiera), Comic Art (L’Eternauta Presenta).








Obviamente, os formatos são os mais variados, daquele condensado àquele enorme, do cartonado ao brochurado, desse ao grampeado, tiram a paz do desesperado colecionador, que, diante dessa abundância variada, joga a toalha.

No estado atual, ao leitor italiano se oferecem várias possibilidades de saborear as histórias do “Mirtilo” francês. Nas livrarias está disponível a série integral, dos episódios individuais, editada por Alessandro Editore, que o propõe, de uma a duas vezes ao ano, em cores no formato cartonado francês, porém ainda longe de completar a cronologia.




Nas bancas existe a série em cores apresentada em capítulos pela Aurea na revista semanal Skorpio, em formato livreto e em sequência cronológica, como é hábito dessa benemérita editora, chegada atualmente aos episódios, sobre a juventude de Mike, desenhados pelo neozelandês Colin Wilson.






Enfim, a série mensal Blueberry, formada pelos álbuns em preto e branco, sempre da Aurea, perto do 12º episódio, que propõe dois episódios em cada número em um formato um pouco maior (16,5x23,0 cm) daquele de Skorpio: um preço um pouco mais alto, um formato ligeiramente maior e um papel de melhor qualidade teria permitido de admirar a arte de Jean Giraud. Pecado!




Fonte: Blog Zona-BéDé – Itália.


"Blueberry" nº 12 “Le Spectre aux balles d’or”

Capa, uma das reedições.


Prancha 1.


Prancha 2.


Prancha 3.


Prancha 4.


Prancha 5.


Ficha técnica

Le Spectre aux balles d’or
“O Espectro das Balas de Ouro”
Roteiro: Jean-Michel Charlier
Desenhos e capa: Jean Giraud
Cores: Évelyne Tran-Lê
Volume: 12
Ano de publicação da primeira edição: 1972
Número de pranchas: 52
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,8 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Fonte das imagens: Dargaud Éditeur.



Contracapa do número 531 de "Pilote", de 8 de janeiro de 1970, para anunciar o lançamento, na semana seguinte, da estreia de "Le Spectre aux balles d'or". Desenho de Jean Giraud. Fonte: jmcharlier.com



A capa da 1ª edição.



A contracapa da 1ª edição. O Tenente Blueberry inspirado no ator francês Jean-Paul Belmondo - desenho de Jean Giraud, publicado desde "Tonnerre à l'Ouest", o segundo volume da série "Blueberry", lançado em 1966.

Fonte das imagens: Bedetheque.


Le Spectre aux balles d’or - “O Espectro das Balas de Ouro”

Segundo e último álbum do ciclo de Prosit Luckner. O Ouro da Sierra (álbuns 11 e 12) - Arizona. Janeiro de 1869. Acontecimento histórico: A lendária mina de Jacob Waltz. Esse ciclo foi a fonte de inspiração do filme dirigido por Jan Kounen, "Blueberry. L’Expérience Secrète (“Blueberry. Desejo de Vingança”, título no Brasil).


"Le Spectre aux balles d'or", prancha 22, quadrinho 5.

Para a capa de "Le Spectre aux balles d'or" ("O Espectro das Balas de Ouro"), 1972, Jean Giraud se inspirou no quadrinho 5 da página 22 – ou vice-versa. Na cena, o Espectro observa, à distância, Blueberry e Jimmy McClure acampados nos Montes da Superstição.

Nos dois volumes do ciclo Prosit Luckner. O ouro dos Montes da Superstição, Jean Giraud realizou as pranchas com um estilo gráfico inédito na série “Blueberry” e bastante inovador para a época.


O Espectro das Balas de Ouro é ferido por Prosit Luckner. Prancha 41. Fonte da imagem: Bedetheque.


Esse álbum é um dos oito, do total de 28 da série central, que não tem 46 páginas; os outros sete são: “L’Homme à l’étoile d’argent” ("O Homem da Estrela de Prata", 47 páginas), “Général Tête Jaune” (“General Cabeça Amarela”, 47), “Ballade pour un cercueil” ("Balada para um Caixão", 62), “Le Hors-la-loi” ("O Fora da Lei", 44), “Nez Cassé” ("Nariz Partido", 47), “Arizona Love” ("Arizona Love", 56) e “Dust” ("Dust", 68).

Considerado pelos fãs como a melhor história da série “Blueberry”, esse ciclo foi publicado completo no "hors collection" (fora de série) "Dyptique de la Mine" – ver “Les Monts de la Superstition” no blog Blueberry, uma Lenda do Oeste – em formato gigante, com matérias sobre o personagem, o filme, e Blueberry por Enrico Marini, François Boucq, Christophe Blain, Manu Larcenet & Daniel Goossens e José-Luis Munuera.

Afrânio Braga

Blueberry nº 12 Le Spectre aux balles d'or © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1972
Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur


"Blueberry" nº 11 “La Mine de l’Allemandu perdu”

Capa, uma das reedições.


Prancha 1.


Prancha 2.


Prancha 3.


Prancha 4.


Prancha 5.


Ficha técnica

La Mine de l’Allemandu perdu
“A Mina do Alemão Perdido”
Roteiro: Jean-Michel Charlier
Desenhos, cores e capa: Jean Giraud
Volume: 11
Ano de publicação da primeira edição: 1972
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,8 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Fonte das imagens: Dargaud Éditeur.



Prancha anúncio do episódio "La Mine de l'Allemandu perdu" publicado na revista semanal "Pilote" nº 496, de 8 de maio de 1969. Desenhos de Jean Giraud. Fonte: BDzoom.



A capa da 1ª edição.



A contracapa da 1ª edição.


La Mine de l’Allemandu perdu - “A Mina do Alemão Perdido”

Primeiro álbum do ciclo Prosit Luckner. O Ouro da Sierra (álbuns 11 e 12) - Arizona. Janeiro de 1869. Acontecimento histórico: A lendária mina de Jacob Waltz. Esse ciclo foi a fonte de inspiração do filme de Jan Kounen, “Blueberry. L’Expérience Secrète" (“Blueberry. Desejo de Vingança”, no Brasil).

O General Mac Allister, apelidado pelos índios de Chefe Cabeça Amarela – ver Ciclo O Cavalo de Ferro. As Segundas Guerras Indígenas -, envia o Tenente Blueberry para substituir o Xerife de Palomito, uma pequena cidade da Fronteira varrida pelo vento quente do deserto. É a vingança do general caçador de peles-vermelhas e de glória, que tipifica o General George Armstrong Custer, personagem real da História americana.

Mike Blueberry tem a companhia de Jimmy Mac Clure, seu amigo e companheiro de aventuras, com o qual passa as horas jogando pôquer, fumando charutos e bebendo uísque no escritório do Xerife. Mas o sossego dessas férias forçadas é rompido com a chegada do Barão Werner Amadeus Von Luckner, aliás, Prosit Luckner, um velhote alemão, trapaceiro, que procurava ouro nas montanhas consideradas sagradas pelos Apaches.



O primeiro reencontro de Blueberry e Guffie Palmer. Prancha 33. Fonte da imagem: Bedetheque.

Guffie Palmer, aquela senhora extrovertida e diretora de uma turnê teatral ambulante, cuja Blueberry salva no ciclo anterior, participa rapidamente da trama, porém é o suficiente para retribuir ao Tenente a ajuda recebida, salvando Mike de morrer de sede no deserto. Guffie Palmer voltará no ciclo do Primeiro Complô contra Grant. A Decadência de Blueberry.


Prancha 35, quadrinho 6. Fonte da imagem: unavidadehistorietas.


Jean Giraud se inspirou no ator norte-americano Spencer Tracy para compor o visual de Wally Blount, assassino e caçador de recompensas, participante do Ciclo do Ouro da Sierra ("A Mina do Alemão Perdido" e "O Espectro das Balas de Ouro"). Personagens dessa aventura, como Wally Blount, são vistos no filme "Blueberry. Desejo de Vingança".


Blueberry nº 11 La Mine de l'Allemand perdu © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1972


Afrânio Braga

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

"Blueberry" nº 10 “Général Tête Jaune”

Capa de "Général Tête Jaune", uma das reedições.


Prancha 1.


Prancha 2.


Prancha 3.


Prancha 4.


Prancha 5.


Ficha técnica

Général Tête Jaune
“General Cabeça Amarela”
Roteiro: Jean-Michel Charlier
Desenhos e capa: Jean Giraud
Cores: Quadricromia
Volume: 10
Ano de publicação da primeira edição: 1971
Número de pranchas: 47
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,8 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Fonte das imagens: Dargaud Éditeur.



A primeira prancha do episódio "Général Tête Jaune" publicada em "Pilote" nº 453, de 11/07/1968. No álbum, a primeira prancha e a segunda tira da prancha 2 foram suprimidas. Fonte: BDzoom.




A segunda tira da prancha 2, publicadas na revista "Pilote" nº 453, de 11 de julho de 1968, inédita no álbum. Fonte: Jean-Yves Brouard.



A capa da 1ª edição.



A prancha 31 da 1ª edição.



A contracapa da 1ª edição.

Fonte das imagens: Bedetheque.


Général Tête Jaune - “General Cabeça Amarela”

Quarto e último álbum do ciclo do Cavalo de Ferro. As Segundas Guerras Indígenas (álbuns 7 a 10) - Colorado, Nebraska e Wyoming. Outono de 1868. Acontecimentos históricos: Ataque do acampamento Cheyenne de Black Kettle pelo Exército Americano e A Construção do Caminho de Ferro.

O título da história é o apelido dado ao General Mac Allister pelos índios, que o chamavam de chefe “Cabeça Amarela”, devido os seus cabelos loiros e longos. Esse álbum é um dos oito, do total de 28 da série central, que não tem 46 páginas; os outros sete são: "O Homem da Estrela de Prata" (47 páginas), "O Espectro das Balas de Ouro" (52), "Balada para um Caixão" (62), "O Fora da Lei" (44), "Nariz Partido" (47), "Arizona Love" (56) e "Dust" (68).

O General George Armstrong Custer, personagem real da História americana, foi a inspiração para Jean-Michel Charlier criar o General Allister, que apareceu, pela primeira vez, em "La Piste des Sioux" ("A Pista dos Sioux"), 1971, álbum anterior a "Général Tête Jaune" ("General Cabeça Amarela"), 1971.

O ator americano Kevin Costner, em uma cena do filme "Dança com Lobos" ("Dances with Wolves", 1990, dirigido por ele próprio e ganhador de sete estatuetas da Academia de Artes de Hollywood), inspirou Jean Giraud no visual do General Allister para a capa americana de "General Golden Mane" ("General Cabeça Amarela"), álbum publicado pela Epic Comics em 1991.

Novembro de 1868, com o inverno, se estabeleceu a paz nas colinas do Colorado e Wyoming. Durante muito tempo, Sioux e Cheyennes, que se revoltaram, efetuaram uma guerrilha feroz contra os operários do General Dodge incumbidos de construir a parte leste da ferrovia que unirá o Atlântico ao Pacífico. Com muito esforço, o Tenente Blueberry conseguiu negociar um precário armistício com os índios. Mas, em nome do General Dodge, teve que prometer aos chefes Sioux e Cheyennes que negociações mais detalhadas começariam logo após a temporada de caça ao búfalo e que durante esse período, no qual os guerreiros se afastam dos acampamentos dos ferroviários, os Casacas Azuis não os atacariam.

Entretanto, o General Allister, notório caçador de peles-vermelhas, manipulado pelos políticos de Washington, quer negociar somente após ter conquistado uma reputação militar gloriosa. Por isso, recusou cumprir as promessas feitas aos índios por Blueberry e incorporou o tenente no seu 7º Regimento de Cavalaria para impedir que ele recorresse ao General Dodge. Com mais batedores e condutores de mulas, entre os quais Jimmy Mac Clure e Red Neck, dois velhos companheiros de aventuras do Tenente Blueberry, as tropas de Allister, desprezando a palavra dada, penetraram nas Colinas Negras, as Black Hills, procurando os acampamentos dos Sioux e dos Cheyennes.

Blueberry reencontrará "Cabeça Amarela", o General Allister, em “Le Bout de la piste” ("O Fim da Pista"), último álbum do ciclo do Segundo Complô contra Grant. O Crepúsculo da Nação Apache e a Reabilitação de Blueberry.

Afrânio Braga

Blueberry nº 10 Général Tête Jaune © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1971
Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur


segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

"Blueberry" nº 9 “La Piste des Sioux”

Capa de "La Piste des Sioux", uma das reedições.


Prancha 1.


Prancha 2.


Prancha 3.


Prancha 4.


Prancha 5.


Ficha técnica

La Piste des Sioux
“A Pista dos Sioux”
Roteiro: Jean-Michel Charlier
Desenhos e capa: Jean Giraud
Cores: Quadricromia
Volume: 9
Ano de publicação da primeira edição: 1971
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,8 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Fonte das imagens: Dargaud Éditeur.



A capa da 1ª edição.



A prancha 15 da 1ª edição.



A contracapa da 1ª edição.

Fonte das imagens: Bedetheque.


La Piste des Sioux- “A Pista dos Sioux”

Terceiro álbum do ciclo do Cavalo de Ferro. As Segundas Guerras Indígenas (álbuns 7 a 10) - Colorado, Nebraska e Wyoming. Outono de 1868. Acontecimentos históricos: Ataque do acampamento Cheyenne de Black Kettle pelo Exército Estadunidense e A Construção do Caminho de Ferro. Quarto álbum da segunda série da Editora Abril, publicado em junho de 1992.

Para a capa de “La Piste des Sioux" (“A Pista dos Sioux”), volume 9, 1971, Jean Giraud se inspirou em Ralph Taeger, interpretando Hondo Lane, no telefilme "Hondo e os Apaches" ("Hondo and the Apaches", 1967), dirigido por Lee H. Katzin - os dois primeiros episódios da série televisiva foram editados para o formato de filme.

Jethro Dedos de Aço encontra o seu fim entre os seus antigos aliados índios, que estavam em seu encalço. A sua mão artificial aparece pendurada no peito de Touro Sentado (Sitting Bull), que chegava com os outros chefes – Nuvem Vermelha (Red Cloud), Gal, Cauda Pintada (Spotted Toil), Duas Luas (Two Moons), Cavalo Louco (Crazy Horse), Chuva-na-cara (Rain-in-the-face) e Chaleira Preta (Black Kettle) – para uma reunião com o chefe Cavalo de Ferro, o General Dodge, com o intuito de negociar a paz.

Jethro "Steelfingers" foi eliminado por suas próprias traições, todavia surgiu um inimigo mais poderoso para Blueberry: o General Mac Allister, que tipifica o General Custer, tanto fisicamente, quanto como caçador de glória.

Pela terceira vez a série "Blueberry" é encerrada no país, a segunda pela Editora Abril, que não anunciou o próximo episódio – "O General Cabeça Amarela" – e sequer deu qualquer explicação para os colecionadores blueberryanos. O ciclo do Cavalo de Ferro. As Segundas Guerras Indígenas não foi concluído no Brasil.

Afrânio Braga

Blueberry nº 9 La Piste des Sioux © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1971
Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur