sexta-feira, 1 de maio de 2015

“Blueberry” nº 27 “OK Corral”

Capa.


Página de apresentação. 


Prancha 1. 


Prancha 2. 


Prancha 3. 


Prancha 4. 


Prancha 5. 


Prancha 7. 


Contracapa.


Ficha técnica

“OK Corral”
“OK Corral”
Roteiro: Jean Giraud
Desenhos e capa: Jean Giraud
Cores: Claire Champeval e Jean Giraud
Volume: 27
Data de publicação: 20 de setembro de 2003
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,6x29,8 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Fonte: Dargaud Éditeur.

N. C.: “OK Corral” é o quarto episódio do ciclo Mister Blueberry, também chamado de ciclo Tombstone e de ciclo OK Corral.


Imagens: Dargaud Éditeur: capa, página de apresentação, pranchas 1 a 5. BDnet: prancha 7. Bedetheque: contracapa. 


Capa da tirage de tête.


Ficha técnica

27TT. OK Corral
Roteiro: Jean Giraud
Desenhos: Jean Giraud
Cores: preto e branco
Depósito legal: 09/2003
Estimativa de preço: de 150 a 200 Euros
Editora: Dargaud
Formato: À italiana
Pranchas:
Edição: 600 exemplares, numerados e assinados, em estojo, com ex libris e 34 páginas suplementares.

Fonte: Bedetheque.

N. C.: 1) Ano de publicação: 2003. 2) Preço de lançamento: 150 euros – a edição está esgotada. 3) Formato: 33,8x23,3 cm (à italiana - publicação na horizontal devido cada prancha da TT, tirage de tête, equivaler à metade de uma prancha do álbum). 4) Exemplares numerados e assinados por Jean Giraud. 5) Ex libris (do latim ex libris meis) é a expressão que significa, literalmente, "dos livros de" ou "faz parte de meus livros", empregada para associar o livro a uma pessoa ou a uma biblioteca (Fonte: Wikipédia).

Capa do estojo da tirage de tetê. Fonte: Treblig, França.


De Tombstone, de OK Corral, a lenda não tem retido que um famoso duelo coletivo que tem visto, em uma manhã de 1881, quatro célebres vigaristas, o clã Clanton e McLaury, tombar sob as balas dos não menos ilustres irmãos Earp, apoiados por Doc Holliday. Mas esse foi, longe de ser o único acerto de conta que teve por quadro, nesse dia ali, o mítico sangramento perdido do Arizona, situado a algumas milhas da fronteira mexicana.

Ao menos em acreditar que as últimas aventuras de Blueberry, decididamente sempre nos aparatos quando a História se escreve. Não que se pudesse repreender esse eterno cabeça de toucinho de ter ido em fuga do perigo e dos aborrecimentos. Uma vez, não é costume, antes são as amolações e as confusões que têm vindo a ele.

Desde que aquele que se fez, doravante, chamar Mister Blueberry parece, definitivamente, ter virado a costa ao exército e estar resignado à ideia que Chihuahua Pearl nunca será a mulher de sua vida, ele tem se instalado, desiludido, mas mais intransigente que nunca, em Tombstone. Mais precisamente no Bird Cage, lugar mal-afamado, fazendo ofício de hotel, não mal de saloon e, muito, de casa de jogo, em cujo ele não deixa mais as mesas de jogo.

Deve-se dizer que Mike Blueberry, desmobilizado, no textual como no figurado, pode se oferecer um prazer inédito: verificar, dia após dia, que sua sorte insolente não o tem deixado, embora ele tenha passado, pela primeira vez, desde sua juventude despedaçada, ao campo dos ricos. Esse Mister Blueberry dispõe, no presente, de uma pequena fortuna, aquele tesouro dos Confederados, que a ele tem deixado o presidente Grant em ressarcimento de seus numerosos anos desperdiçados, de sua honra manchada por tempo demais.

É, por conseguinte, para tirar uma linha, esquecer e se fazer esquecer que nosso anti-herói miraculoso é vindo pousar em Tombstone. Um elegante reservista porta a garrafa e o charuto, taciturno jogador divertindo-se nas alegrias de um relativo anonimato em uma cidade mineira que já conta seu pequeno lote de celebridades: os irmãos Earp – Wyatt, Virgil e Morgan -, que tentam fazer reinar a lei ali, seu companheiro Doc Holliday, assim como os notórios fora da lei do clã Clanton-McLaury. E, certamente, a vedete do Bird Cage, a morena ardente Dorée Malone, cantora, dançarina e anfitriã de charme e de talento incontestáveis.

Evidentemente, se dirá que, em tal ambiente, nosso ex-tenente cabeça quente, rebelde a toda figura de autoridade, alérgico a toda violência gratuita ou interesseira, e sedutor, apesar dele, não poderia ficar tranquilo muito tempo. E, portanto, não é seu natural, mas seu passado que vai apanhá-lo. Sob os traços de um pai desejoso de vingar a morte de seu filho suicida, infeliz perdedor de uma partida de pôquer contra Mike, de um escritor, desembarcado de Boston, vindo recolher as memórias do homem que salvou a vida do Presidente dos Estados Unidos e de um valoroso chefe indígena pressionado que ele cruzou outrora, Gerônimo.

Da mais estranha e inesperada das maneiras, Blueberry é condenado a faltar na ação. Ao fim do primeiro álbum desse ciclo, iniciado em 1995, em cujo “OK Corral” é o quarto volume, ele desmorona, o corpo trufado de chumbo. Morto. Ou quase.

No começo do episódio seguinte (“Ombres sur Tombstone”), ele retorna penosamente à vida. Um divino renascimento que o verá, por um bom momento, pregado à cama, cuidado pela deliciosa Dorée. A ocasião sonhada para, enfim, se retornar, tirar ensinamento de seu tumultuado passado. Para que, restabelecido, ele possa de novo avançar e, sobretudo, fazer explodir a verdade, tentar salvar a cabeça de um bravo guerreiro, injustamente enganado e acusado. Essa narrativa (“Géronimo, l’Apache”), ofegante, hesitante, sem cessar, interrompida por seu frágil estado de saúde, ele a confia ao biógrafo bostoniano, satisfeito, aterrorizado.

Enquanto Blueberry revive, em sua cabeça, suas façanhas e erros passados, entorno de Tombstone, os homicídios, os complôs e os golpes recheados se multiplicam. Garoto embriagado de vingança, assassino contratado, com costumes de serial killer seriamente perturbado, poderoso homem de negócios sem piedade, jovem apaixonado revoltado pelo assassinato de sua noiva, uma tropa de sanguinários e gananciosos fanfarrões, de altivos e arrogantes justiceiros e um punhado de Apaches manipulados: lentamente, todos esses indivíduos violentos – por natureza ou por necessidade –, de interesses divergentes, progridem rumo a uma inevitável tragédia.

Tal é a trama, que não cessa de aumentar em intensidade tudo ao longo do terrificante e palpitante duelo no OK Corral. Um atordoante e sombrio western de ação duplicado do mais apaixonante dos percursos iniciadores, uma vertiginosa colocação em abismo totalmente dominado, o resultado de uma das mais longas, mais inspiradas passagens de testemunha da história da HQ.

Pois como não ver nessa morte simbólica de Blueberry, nesse vai e vem incessante entre o passado e o presente, uma monumental homenagem a Jean-Michel Charlier, criador e roteirista da série até seu falecimento em 1989? Imobilizando, temporariamente, seu personagem principal, Jean Giraud fez Mike portar o luto de seu cogenitor de gênio, o força a considerar a existência excepcional e insensata que o ex-tenente tem feito ele conduzir, as colossais experiências vividas e bagagem psíquica que Blueberry tem legado a ele.

E o desenhista de levantar o desafio com brio, de afirmar-se mais que digno de prosseguir a aventura só, imaginando uma intriga rica, abundante e sofisticada, na imagem de seu traço único, inúmeras vezes imitado, e sempre, quarenta anos depois, em progresso.

O ciclo Mister Blueberry inscrito, desde seu título em duplo sentido (Mister/mistério) e ao desvio de cada prancha, sob o símbolo da dualidade (ele poderia ser, de outro modo, da parte de um homem que abriga nele dois desenhistas perfeitos, Giraud e Moebius, com estilos radicalmente opostos?) é uma espantoso sucessão de audácias, tanto roteirísticas quanto gráficas.

Ao mínimo não sendo de haver ousado, à maneira do jogo permanente e saboroso, entre ficção e realidade, que Charlier se autorizava com a História e os mitos do Oeste, de fazer tanto mesmo com a história de seu herói: Campbell, o escritor, ele não cessa de tentar reescrevê-la?

Giraud, na mais moderna das narrativas de Blueberry, revisita, assim, um dos maiores clássicos do western, "L'Homme qui tua Liberty Valance" (1), onde se ouve essa réplica imortal: "Se a lenda é mais bela que a verdade, imprima a lenda". Em 2003, se isso já não está feito, Blueberry entra definitivamente na lenda. Do Oeste ou da história em quadrinhos? Mistério...

Fonte: Dargaud Éditeur.

N. C.: 1) "L'Homme qui tua Liberty Valance": "The Man Who Shot Liberty Valance” (título original em inglês; “O Homem que Matou o Facínora”, título no Brasil), filme western, de 1962, dirigido por John Ford. O roteiro foi adaptado de um conto da escritora Dorothy M. Johnson. Com John Wayne, James Stewart, Lee Marvin, Vera Miles, Andy Devine e grande elenco. Fonte: Wikipédia, com adaptações.

Blueberry nº 27 OK Corral © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 2003
Blueberry TT OK Corral © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 2003
Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur

Afrânio Braga


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