domingo, 20 de dezembro de 2015

Blueberry em “Revista do Clube Tex Portugal” nº 2

HERÓIS DO OESTE
BLUEBERRY


Rui Cunha




Entre muita gente, boa e má, com quem Tex Willer se cruza nas suas aventuras pelo Oeste fora, nunca aconteceu ter-se cruzado com Mike S. Donovan, também conhecido como Mike Steve Blueberry, ou Mike Blueberry, ou apenas Blueberry, outro cowboy que, tal como Tex, viveu imensas aventuras no mítico velho Oeste.

A série, imaginada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, desenhada por Giraud, transporta-nos para o Oeste Selvagem, que se estende desde as pradarias dos Estados Unidos até ao Novo México, tudo admiravelmente recriado, com todos os pormenores e as suas referências, algumas delas históricas, como a Guerra de Secessão ou a construção do Caminho de Ferro.

As origens de Blueberry podem ser encontradas em “Frank et Jeremie”, os primeiros trabalhos sobre temas do Oeste, desenhados por Giraud quando ele tinha apenas 18 anos, para a revista “Far West” e na sua colaboração, em 1961, com Jijé em “Jerry Spring”, que apareceu na revista franco-belga “Spirou”.

Por volta de 1961-62, Jean Giraud, admirador da obra de Jean-Michel Charlier, convidou-o para escrever os argumentos de uma nova série sobre o Oeste para a revista “Pilote”. Charlier recusou, já que nunca sentira grande empatia com o género. Mas, quando em 1963, a revista enviou Jean-Michel Charlier para fazer uma reportagem à Base Aérea de Edwards, situada no deserto do Mojave, na Califórnia, ele aproveitou a oportunidade para descobrir o Oeste Americano. Encantado com tudo aquilo que viu, Charlier regressou a França com uma enorme vontade de escrever sobre o Oeste. Começou por convidar Jijé para desenhar a série, mas este, querendo evitar um conflito de interesses, já que era um colaborador regular da revista “Spirou”, que era concorrente direta da “Pilote”, recusou, mas o desenhador indicou o seu protegido, Jean Giraud, como desenhador.

A primeira aventura de “Blueberry”, apareceu no número da revista “Pilote” que foi publicada no dia 31 de Outubro de 1963. Intitulada “Fort Navajo”, a história tinha 46 páginas que foram publicadas nos números seguintes da revista. Nesta aventura, Blueberry é apenas uma de muitas personagens que vão surgindo e é-nos apresentado como sendo uma espécie de vagabundo do Oeste: jogador, batoteiro, rufia, que gosta de beber o seu copo de vez em quando, mas que, ao longo do livro, vai mostrando um outro carácter que lhe trará coisas boas, mas também alguns amargos de boca.




A personagem, segundo Charlier, foi inspirada na aparência física do actor francês Jean–Paul Belmondo, cujo nome, “Blueberry”, nasceu quando da sua viagem americana, a qual, foi feita na companhia de um outro jornalista que adorava doce de mirtilo, a quem, Charlier, alcunhou de “Blueberry” e “quando comecei a delinear a série e as coisas a comporem-se, eu decidi usar a alcunha do meu amigo porque gostei dela e achava que era um nome engraçado… só não imaginava que se iria tornar tão popular, que iria tornar-se sinónimo da série e que ficaríamos presos a esse nome para sempre”.

Entre 1963 e 1973, as histórias de Blueberry eram inicialmente publicadas na revista “Pilote”, antes de serem publicadas em álbum. Até 1990 (altura em que a morte de Charlier, ocorrida em 1989, pareceu que a série iria terminar), a lenda de Blueberry foi aumentando, assim como os volumes da série. Artisticamente, a série variou muito para melhor. Num mesmo álbum, paisagens de cortar a respiração contrastavam com grandes momentos de acção, muito graças ao perfeccionismo que Giraud punha no seu trabalho.

Assistimos também, neste período criativo de ambos os autores, a uma evolução da personagem que passa a ser uma espécie atípica do Oeste: ele não é aquele homem da lei que vagueia de terra em terra à procura dos vilões e confrontá-los com a justiça; nem é aquela personagem simpática (o vulgar bom da fita) que chega à cidade, resolve os problemas, torna-se o novo xerife e casa com a professora da escola; não! Em qualquer situação, ele pensa naquilo que deve ser feito e faz o que tem a fazer.

O sucesso da série, assim como a evolução da narrativa onde as pontas deixadas, propositadamente soltas, permitiram o desenvolvimento da acção e a criação de novos títulos. Surgiram assim novos ciclos dentro da mesma série: “Blueberry” (que se dividirá em dois sub-ciclos), “A Juventude de Blueberry”, “Marshall Blueberry” e “Mister Blueberry”, cada um deles situado em determinado período de tempo.

A Juventude de Blueberry”, funciona como uma espécie de prequela de toda a série (apesar de se ter iniciado a sua publicação na década de 70), a acção passa-se entre 1861 e 1864, traça os primeiros anos de Blueberry, enquanto filho de um rico plantador do sul e as razões que o levaram, durante a Guerra de Secessão Americana, a trocar os estados sulistas pelos do norte e a tornar-se corneteiro no exército “Yankee” e narra também as suas aventuras posteriores. Os primeiros esboços desta série apareceram na revista “Super Pocket Pilote”, no final da década de 60. Mais tarde foram redesenhados e coloridos para poderem aparecer no formato álbum.

La Jeunesse de Blueberry” – “A Juventude de Blueberry”, a primeira aventura do jovem Michael Steven Donovan, é publicada em 1975, sob um argumento de J.-M. Charlier e o desenho de Jean Giraud. Nela assistimos a como o jovem escolhe o nome “Blueberry” a partir dum arbusto de mirtilo que vê quando foge dos seus compatriotas. Mantendo duas séries em paralelo, ao longo das duas décadas, “Blueberry” foi adquirindo o seu espaço dentro do universo da BD.

Tex também, em algumas das suas muitas aventuras, se viu envolvido em acontecimentos que, directa ou indirectamente, se relacionavam com a famigerada Guerra de Secessão que assolou os Estados Unidos entre 1861 e 1864, como por exemplo na história que começa com “Entre Duas Bandeiras” (revista nº53) e termina com “A Batalha Sangrenta” (revista nº55).

A 10 de Junho de 1989, J.-M. Charlier morre, deixando vários argumentos escritos para obras posteriores de Blueberry. O último álbum da juventude que teve um argumento seu, apesar de parcialmente completado por François Corteggiani, foi “Le Raid InfernalO Raid Infernal” (1990).

Em termos de arte, Jean Giraud desenhou os três primeiros álbuns da série da juventude. Alegando querer focar-se somente na série principal e também explorar diferentes caminhos da BD através de Moebius, o seu pseudônimo criado exclusivamente para isso, Giraud, a partir do quarto álbum, “Les Démons du MissouriOs Demónios do Missouri” (1985), passa o pincel a Colin Wilson, desenhador Neo-Zelandês, que além de outros trabalhos de BD, desenhou “O Último Rebelde”, uma aventura de Tex, com argumento de Claudio Nizzi, em que o ranger, juntamente com o seu inseparável companheiro, Kit Carson, vai tentar neutralizar um exército de confederados que recusam aceitar o final da guerra. A dupla François Corteggiani e Colin Wilson irá desenvolver o passado de Blueberry nos álbuns seguintes. Em 1998, por querer dedicar-se a uma BD própria, porque Blueberry não lhe dava espaço criativo suficiente, Colin Wilson sai da série e foi substituído por Michel Blanc-Dumont, o criador da série “Jonathan Cartland”, passada no Oeste americano, em “La Solution Pinkerton”, o décimo álbum da juventude e daqui para a frente tem desenhado as aventuras todas, sempre com argumento de François Corteggiani.

A série principal de Blueberry, quase integralmente feita pela dupla J.-M. Charlier e Jean Giraud, é a mais longa e compreende três ciclos passados em distintos períodos da história: “Blueberry”, “Marshall Blueberry” e “Mister Blueberry”. A série “Blueberry”, cuja acção se situa, num primeiro momento entre 1867 e 1868 e num segundo momento, entre 1869 e 1881, compreende dois ciclos e dois subciclos: Os ciclos são “Forte Navajo”, que começa no álbum “Forte Navajo” (1963) e termina no álbum “La Piste des Navajos” – “Na Pista dos Navajos” (1968), compreende os cinco primeiros álbuns publicados e nos quais Blueberry, com a patente deTenente, é colocado no Forte Navajo, que fica no limite do território de domínio branco. Com a ajuda de Jim McClure, um velho mineiro bêbado, que se vai tornar num dos seus companheiros em futuras aventuras, tenta impedir que aconteça uma guerra entre brancos e índios. Segue-se o primeiro sub-ciclo, que se pode intitular “Xerife Blueberry”, que compreende três álbuns. Começa com “L'Homme à l'étoile d'argent” – “O Homem da Estrela de Prata”(1969), onde Blueberry é recrutado pela população da cidade de Silver Creek para ocupar o lugar de Xerife, deixado vago pelo assassínio do anterior homem da lei da cidade às mãos dum grupo de cowboys que querem dominar a cidade. É uma das melhores aventuras de Blueberry, não só porque ficamos a conhecer uma faceta ainda desconhecida do militar, como também, este álbum acaba por ser uma grande e justa homenagem dos autores, principalmente de Charlier, a um dos melhores westerns do cinema, “Rio Bravo” que Howard Hawks realizou em 1959, 10 anos antes da publicação desta história.

Também a Tex, a posição de homem da lei não é estranha já que grande parte da sua vida aventurosa foi passada como Ranger do Texas, a defender a lei e a Justiça tal como se vê na história “O Xerife Tex” (revista “Tex Férias” nº11).

O sub-ciclo termina com “O Espectro das Balas de Ouro” (1972) e não deixa de ser curioso que, tal como Howard Hawks fez uma trilogia dedicada à figura do xerife, realizando “El Dorado”, em 1966 e “Rio Lobo” em 1970, Charlier também o fez neste sub-ciclo de três álbuns, a que se junta “A Mina do Alemão Perdido” (1972). Aqui também Tex andou metido em sarilhos parecidos como se pode constatar em “A Mina do Fantasma” (revista nº394) e “As Montanhas Malditas” (revista nº395).



Blueberry e Tex, desenhados por Colin Wilson.



A imagem em que se inspirou Giraud para o seu “Blueberry. L'Homme à
l'étoile d'argent – “O Homem da Estrela de Prata” (1969), é um fotograma
de “Night Moon (“O comboio apitou três vezes”) com Gay Cooper, que
Fred Zinnerman realizou em 1952. Aurelio Galleppini utilizaria a imagem
(invertida) do cartaz do filme “Hondo”, de 1953, realizado por John Farrow,
com John Wayne, como modelo para a capa de “Una Stella per Tex
(“Tex Gigante” 2ª serie nº 181, de 1975), que seria mais tarde motivo
para um desenho de Claudio Villa, em homenagem a Galleppini.


Em 1866, depois da Guerra de Secessão de má memória, uma epopeia fantástica anima os Estados Unidos: a construção do caminho-de-ferro que irá ligar o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, através de todo o continente. Duas companhias rivais são encarregadas de fazer a obra: a “Union Pacific” que parte do Leste e a “Central Pacific” que parte da costa Oeste. As duas linhas avançam uma em direcção à outra e as duas companhias rivais querem chegar primeiro que a outra e não olham a meios para conseguir o seu objectivo. É esta a ideia que predomina no segundo sub-ciclo de Blueberry, que se chama “Saga do Caminho-de-Ferro”. São quatro álbuns que começam com “Le Cheval de Fer” – “O Cavalo de Ferro” (1970) e termina com “Général Tête Jaune” – “O General Cabeça Amarela” (1971) e é uma das aventuras mais emocionantes de toda a série, não só por ser baseada em factos reais (a construção do caminho de ferro, as guerras com os índios), com personagens reais (como o general Dodge), grande sentido de acção e qualidade nas personagens secundárias (como Jethro “Steelfingers”), mas também no modo como transforma o comboio e a linha em construção nas personagens principais, relegando para segundo plano o ser humano. De salientar que é em “O Cavalo de Ferro” que surge a personagem de “Red Neck Wooley”, o pisteiro que se junta a Blueberry e a McClure e ainda participará noutras aventuras.

O segundo ciclo da série decorre entre 1869 e 1881. Compreende onze álbuns que formam uma saga que a torna a mais longa da série, à qual se pode chamar “Saga da Perseguição” e será novamente dividida em dois sub-ciclos. O primeiro, intitulado “Caça ao tesouro sulista” (título da minha responsabilidade), tem “Chihuahua Pearl” (1973) como primeiro álbum e desenvolve-se ao longo de mais quatro álbuns terminando com “Angel face” (1975). Ao longo deste sub-ciclo, Blueberry volta a reencontrar velhos amigos, como Guffie Palmer, a dona dum bordel em “O Cavalo de Ferro” e também o General Allister, um velho inimigo. Esta aventura começa com a descoberta do cadáver de um homem que tem na sua posse uma carta dirigida ao presidente dos Estados Unidos, Ulysses S. Grant e levará Blueberry e os seus companheiros até ao México em busca de um antigo oficial sulista.

O oficial em questão é o único a saber da localização dum tesouro confederado escondido, pelo presidente Jefferson Davis, nos últimos dias da Guerra de Secessão, cujo valor ascende a mais de 500.000 dólares. O problema é que o militar se encontra preso e doente numa prisão mexicana e ninguém sabe quem ele é. Mas o enredo ainda se complica mais quando, no regresso da sua missão, Blueberry se vê acusado de roubo e cai, literalmente, no meio duma conspiração para assassinar o presidente Grant.

Os dois últimos álbuns deste sub-ciclo , “Le Hors-la-loi” – “O Fora-da-Lei” e “Angel Face” ligam directamente ao segundo subciclo desta série que se pode intitular “Blueberry fugitivo” (uma vez mais, o título é da minha responsabilidade). O sub-ciclo, composto por seis álbuns, começa com “Nez Cassé”- “Nariz Partido” (1980) e termina com “Arizona Love” (1990) que foi também o último argumento escrito por Charlier.

Blueberry é considerado um traidor e acusado de tentar matar o presidente Grant. Para escapar aos militares e ao pelotão de fuzilamento que certamente o aguarda, vê-se obrigado a fugir e encontrar refúgio junto daqueles que já combateu no passado e que o consideram como um bravo: os índios Apaches chefiados por Cochise, outra personagem verídica do Oeste que já apareceu em outras aventuras, onde assume o nome de “Tsi-Na-Pah”, que quer dizer “Nariz Partido”. Eventualmente, Blueberry acabará por se entregar às autoridades em troca da vida de Chini, a filha de Cochise, que se encontra nas mãos dos brancos. Sabe que será condenado, mas ainda não jogou a sua última cartada, nem se livrou de alguns dos seus inimigos de outras aventuras.

Como sempre acontece, todo o bom herói passa a vida metido em sarilhos e alguns deles bastante graves, principalmente quando são os poderes instituídos que correm perigo. Assim, tal como Blueberry se viu metido numa conspiração para assassinar o presidente Grant, também Tex se vê metido numa alhada parecida que se estende por quatro revistas e que começa em “O Grande Golpe” (nº107), continua em “Em Nome da Lei” (nº108) e em “A Cela da Morte” (nº109) e só termina em “A Sombra do Patíbulo” (nº110).

O chefe Cochise também surge em destaque numa aventura de Tex, com o título de “Arizona em Chamas”, escrita por Claudio Nizzi e desenhada por Victor De La Fuente. Nela, os nossos heróis vêem-se a braços com um grupo de Voluntários do Arizona que querem expulsar os índios das suas terras e para isso não hesitam em exterminar todos aqueles que encontram.

Curiosamente, tanto Blueberry, como Tex, são amigos dos índios e defendem-nos quando é preciso. Tex, a dada altura da sua vida aventurosa, refugia-se no meio dos índios Navajos, assume o nome da “Águia da Noite”, casa com uma índia, filha do chefe da tribo, de nome “Lilyth”, tem um filho, “Kit Willer” (cujo nome índio é Falcão Pequeno) e, além de Kit Carson (nome inspirado no pioneiro do Oeste com o mesmo nome), tem também como companheiro em inúmeras aventuras, “Jack Tigre”, um índio Navajo.


O Cochise de Giraud e o de Lètteri.


No início da década de 90, a série principal sofre uma interrupção que permitiu a Jean Giraud, agora também argumentista, desenvolver outra variante na personagem e criar um novo ciclo dentro da série que se chama “Marshall Blueberry”, cuja acção se situa em 1868, pouco depois dos acontecimentos narrados em “O General Cabeça Amarela”. Blueberry está novamente colocado no Forte Navajo, onde os colonos das novas terras se refugiam para fugir aos ataques e consequente extermínio levado a cabo por um bando de Apaches, chefiados por Chato, é-lhe pedido que intervenha junto do velho chefe para se livrar do índio renegado antes que comece nova guerra com os índios. Ao mesmo tempo um enviado de Washington pede ao militar que, agindo com plenos poderes autorizados, ponha fim ao tráfico de armas que acontece no território. Este ciclo compreende três álbuns escritos por Giraud e os dois primeiros desenhados por William Vance, autor de diversas bandas desenhadas nas quais se incluem “Bruno Brazil” ou “XIII”, entre outras e o terceiro desenhado por Michel Rouge.

A partir de 1995, já com Jean Giraud a desenhar e a escrever os argumentos, inicia-se o último ciclo da saga principal da série. “Mister Blueberry”, assim se chama o ciclo, cuja acção decorre em 1881. Blueberry, livre de todas as acusações que pendiam sobre si, demitiu-se do exército e foi viver para Tombstone onde se dedica aos seus vícios pessoais: o álcool, o jogo e, ocasionalmente, mulheres. Campbell, um escritor de Boston, e Billy, o seu adjunto, vão até à cidade para o entrevistar sobre os acontecimentos em que o ex-militar esteve envolvido, nomeadamente o ter salvo a vida ao presidente Grant. Mas ainda não será desta vez que Blueberry poderá desfrutar da sua “reforma” antecipada, pois o passado volta a vir ao seu encontro e desta vez trará consequências graves.

Este ciclo, composto por cinco álbuns começa com “Mister Blueberry” – “Mister Blueberry” (1995) e termina com “Dust” – “Dust” (2005). Algures no meio, enquanto Blueberry jaz em perigo de vida por ter sido baleado, relembra (numa série de flashbacks) um episódio ocorrido quando ele ainda era um jovem tenente e se encontra a primeira vez com Gerónimo, o Apache.

No quarto álbum da saga, “Ok Corral” (2003), Giraud, agarra no seu herói, levanta-o da cama, onde jazia a recuperar de ferimentos, e coloca-o na pista de Dorée Malone, uma cantora de cabaré que o vela durante a sua recuperação, mas que se encontra desaparecida e quase que o envolve no famoso duelo que dá título ao álbum e homenageia um dos mais famosos episódios da história do Oeste: o “Duelo de OK Corral”. Depois do cinema e da televisão, foi a vez da banda desenhada homenagear este episódio famoso na história do velho Oeste ocorrido em Tombstone, em 1881, entre os irmãos Earp, homens da lei, “Doc” Holliday, jogador e amigo da família Earp e o bando da família Clanton que, com a ajuda do misterioso e frio pistoleiro Johnny Ringo (outra personagem verídica), que pretendia dominar a cidade e impor a sua lei à base de armas.

Tex, se não passou por este famoso episódio do Oeste, andou lá perto, pois as aventuras “Os Justiceiros de Vegas” (revista nº501) e “Duelo no Sunset Corral” (revista nº502) são disso exemplo, até a capa do nº 502, desenhada por Claudio Villa, é uma homenagem descarada ao episódio, mas também às cenas que filmes como “My Darling Clementine” – “Paixão dos Fortes” (John Ford, 1946), “Gunfight at the OK Corral” – “Duelo de Fogo” (John Sturges, 1957), “Tombstone” – “Tombstone” (George Pan Cosmatos, 1993) ou “Wyatt Earp” – “Wyatt Earp” (Lawrence Kasdan, 1994) tão bem souberam reproduzir.



Blueberry, Tex e Carson, acompanhados por Jean Giraud (sentado) e François 
Corteggiani (em pé), numa homenagem de Emanuele Barison, autor que 
recentemente terminou uma aventura de Tex e que vai ser publicada em breve.



Tex Willer visto por Jean Giraud num desenho feito para Fabio Civitelli.


O último álbum da série, “Apaches” (2007), relata o primeiro encontro entre o jovem tenente Blueberry e o chefe índio Gerónimo, descrito por Blueberry ao escrivão de Boston durante os “flashbacks” que aparecem nos cinco álbuns de “Mister Blueberry” e, sendo um álbum sozinho, podemos encará-lo como uma espécie de história que Campbell poderá ter escrito depois de ter entrevistado Blueberry. Cronologicamente poderemos situar este álbum e considerá-lo como uma espécie de ligação entre o final da Guerra de Secessão, descrita nos álbuns da juventude e “Forte Navajo”, o primeiro álbum da série principal.

Jean “Moebius” Giraud faleceu a 10 de Março de 2012.

Para terminar, devo dizer que tenho pena que nem Tex Willer nem Mike “Blueberry”, sendo contemporâneos um do outro, viveram alguns episódios reais do Oeste, conheceram algumas das mais famosas personagens que povoaram o velho Oeste, viveram entre os índios, foram ambos homens da lei, nunca se tenham cruzado em nenhuma aventura um do outro.

A banda desenhada tem destas coisas!




© 2015 Clube Tex Portugal

Agradecimentos ao Clube Tex Portugal e a Rui Cunha pela gentil permissão para publicar o artigo no blog Blueberry.

Afrânio Braga


sábado, 12 de dezembro de 2015

“La Jeunesse de Blueberry” nº 3 “Cavalier bleu”

Capa, reedição de 2002.


Prancha 1. 


Prancha 2. 


Prancha 3. 


Prancha 4. 


Prancha 5. 


Contracapa, reedição de 2002.


Ficha técnica

“Cavalier bleu”
“Cavaleiro Azul”
Roteiro: Jean-Michel Charlier
Desenhos e capa: Jean Giraud
Cores: Quadricromia (EO e 7 reedições); Jean Giraud (reedição de 2003)
Volume: 3
Ano de publicação: Dargaud: 1979; Lombard: 1979. Reedições Dargaud (8): 1981, 1984, 1985, 1992, 1995, 2002, 2003 e 2010
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11.99 €
Formato: 22,5x29,5 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Fonte: Dargaud Éditeur e Bedetheque.

N. C.: 1) Pré-publicado em “Super Pocket Pilote” nº 8, nº 9 e nº 1. 2) Álbum com três histórias breves: “Chasse à l’homme”, “Double jeu” e “Tonnerre sur la sierra”. 3) Existe uma reedição de 1996 com capa e contracapa idênticas à reedição de 2002.


Paralelamente ao ciclo clássico da saga de Blueberry, Jean Giraud desenha, entre 1968 e 1970, a juventude do futuro tenente. Essa “série” retoma seu curso em 1985 sob o lápis de Colin Wilson, muito respeitoso do estilo imposto por Jean Giraud.

Quando Jean-Michel Charlier e Jean Giraud se lançaram em “La Jeunesse de Blueberry”, eles não poderiam imaginar a qual ponto essa outra faceta da vida de Blueberry iria apaixonar os leitores. Hoje, é Michel Blanc-Dumont que assume o grafismo – com maestria – ao lado do roteirista François Corteggiani.

Fonte: Dargaud Éditeur.


La Jeunesse de Blueberry

Histórias curtas realizadas para “Super Pocket Pilote” entre 1968 e 1970. Desenho adaptado ao pequeno formato dos “Super Pocket Pilote”, portanto menos esquadrinhado que em “Pilote” e suportando mal a prova da publicação em álbum, histórias hábeis, mas rápidas. Esses intervalos têm, sobretudo, por função de dotar retroativamente nosso herói de um passado verossímil.

Fonte: Michel Angot em De Blueberry, du western et de quelques mythes..., artigo publicado na revista “Le Collectionneur de Bandes Dessinées” Nº 51, setembro de 1986, Association de la reveu Le Collectionneur de Bandes Dessinées, Paris, França.



A capa, Dargaud Éditeur, 1979. As logomarcas dos
títulos da série e da história foram publicados nas capas de seis
álbuns – 1979 (Dargaud), 1979 (Lombard), 1981, 1984, 1985 e 1992.  



Prancha 17, Dargaud Éditeur, 1979.



A contracapa, Dargaud Éditeur, 1979. Ilustração publicada
também nas contracapas das reedições de 1981, 1984, 1985 e 1992.



Capa da reedição de 1995. A partir desse álbum, as
logomarcas dos títulos da série e da história do volume 3,
publicadas na capa, mudam e perduram até a última reedição, de 2010.  




Contracapa da reedição de 1995. Detalhe da ilustração da capa.



Contracapa das reedições de 2003 e 2010. O jovem Blueberry.


Fim das aventuras assinadas Charlier e Gir em “La Jeunesse de Blueberry”. No álbum seguinte, concebido como uma entidade e não mais como uma soma de histórias que se seguiam, é Colin Wilson quem estará ao pincel.

As duas primeiras histórias de “Cavalier Bleu” se desenrolam durante a Guerra de Secessão e explicam como e, sobretudo, porque o general Dodge, um Nortista, no entanto, quebra o nariz de Blueberry.

A última história não tem nada a ver com “La Jeunesse de Blueberry”, porque ela se passa após a transferência de Blueberry para Forte Navajo. Aliás, ela não tem grande interesse.

Voltaire

Fonte: Bedetheque.


A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.
  
Fontes das imagens: Dargaud Éditeur: capa da reedição de 2002, pranchas 1, 2, 3, 4 e 5. Bedetheque: contracapa da reedição de 2002; capa, prancha 17 e contracapa da 1ª edição, Dargaud, 1979; capa e contracapa da reedição de 1995; contracapa das reedições de 2003 e 2010.

La Jeunesse de Blueberry nº 2 Un Yankee nommé Blueberry © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur


Afrânio Braga


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Giraud/Moebius

BIOGRAFIA

Jean Giraud é nascido em 8 de maio de 1938, em Nogent-sur-Marne, França. Seus pais se divorciam então quando ele tem três anos e ele é educado, em parte, por seus avós. Todavia é graças a seu pai que ele faz uma descoberta importante para si, entre quinze e dezesseis anos: aquela da literatura de ficção científica, que ele lê nas páginas da revista “Fiction”.

Após dois anos nas Arts Appliqués, ele desamarra a história em quadrinhos no profissional. Ele começa em “Far West” e colabora nas revistas católicas como “Coeurs Vaillants”. Cerca de 1955, ele parte e se reúne à sua mãe, que vive no México, onde ela é casada. Ali, ele descobre, ao mesmo tempo, a maconha, o be-bop e as experiências da idade adulta. Mais que um título, Jean Giraud tem considerado o México como terra de predileção, até dizer que, de certo modo, Moebius é nascido no México.




O retorno à França o faz desencantar-se. Ele parte para o exército, passa seis meses na Alemanha e o resto na Argélia, onde ele é, primeiramente, telefonista, depois ligado à vigilância de um depósito de material. Ele não combate; ele passa todo o seu tempo livre a desenhar.

De retorno ao continente, ele toma contato com Joseph Gillain, dito Jijé, um dos pilares do hebdomadário belga “Spirou”. Giraud se torna seu discípulo e colabora em uma das criações do mestre, o western Jerry Spring, para o episódio intitulado La route de Coronado. Na França, o hebdomadário “Pilote”, fundado notavelmente por René Goscinny, desejava ter uma série western. Sob a assinatura de Gir, é o começo da colaboração com Jean-Michel Charlier. Ele gera Fort Navajo, denominação de origem das aventuras de Mike Steve Blueberry, que prosseguem ainda hoje. Aparece no número de “Pilote” de 31 de outubro de 1963, a série encontra um sucesso sempre maior a cada novo episódio. Ela conta, hoje, mais de 24 álbuns periodicamente reeditados.

Através dessa série, que constitui o verdadeiro aprendizado de Giraud, o desenhista se liberta pouco a pouco da influência de Jijé. Sob sua impulsão, o roteiro evolui igualmente e integra os ingredientes estilísticos vindos do cinema, de John Ford a Sergio Leone passando por Sam Pekinpah. Blueberry adquire assim um tom moderno e dramático que ultrapassa os modelos da história em quadrinhos franco-belga para a juventude. Na opinião dos aficionados, os melhores episódios são os dois pórticos de La Mine de l’Allemandu perdu e Le Spectre aux balles d’or, e o ciclo Chihuahua Pearl, L’Homme qui valait 500 000 $, Ballade pour un cercueil, Le Hors-la-loi e Angel Face.

A assinatura Giraud, ou Gir, representa, nessa fase, o desenhista de inspiração clássica ou neoclássica. Todavia outra vertente criativa se desenvolve nele, para a qual ele assinará Moebius. A princípio, para abordar uma veia satírica, na linha da revista americana “Mad”. São as estreias do rótulo Moebius para a mensal, tola e travessa “Hara Kiri”, onde ele desenha história curtas de humor negro. Mas, breve, a dualidade Gir/Moebius vai tomar, totalmente, outra amplitude.

Em 1965, uma nova viagem ao México se salda para uma decepção: Giraud se confronta com a solidão e a angústia. Ele experimenta, pela primeira vez, os cogumelos alucinógenos. Quando ele volta, ele se consagra, muito seguro, em sua produção para “Pilote”, mas aborda igualmente a ficção científica pelo viés da ilustração ou do cartaz. Ele colabora, regularmente, com as edições Opta, para o Club du Livre d’Anticipation ou as revistas “Fiction” e “Galaxie”.

Enfim, entre 1973 e 1974, ele assina, para “Pilote”, algumas histórias ao tom novo e livre, que anunciam a revolução Moebius, em particular “La déviation”, que marcará gerações de desenhistas. Mas é, então, um fenômeno mais vasto que atrai: o nascimento, na França, da história em quadrinhos de autor ou, se quisermos, da história em quadrinhos “adulta”, em cuja Moebius será uma das mais importantes referências através da revista “Métal Hurlant”.

Uma diferença sobrevinda com seu editor francês, Dargaud, a propósito de “Blueberry”, conduz à interrupção provisória da série, durante quatro anos, de 1975 a 1979. A criação da revista “L’Echo des Savanes”, em 1972, e o movimento da história em quadrinhos “adulta”, na França, derivado do underground americano e do desejo de ser libertar da censura ou dos limites impostos pela imprensa jovem, permitem a Moebius florescer. Em 1974, ele publica, nas edições du Fromage (emanação de “L’Echo des Savanes”), Le Bandard Fou. No mesmo ano, Etienne Robial publica o primeiro álbum de história em quadrinhos que menciona, na capa, o nome do autor (e não aquele de um personagem): é Gir, em Futuropolis.

1975 é uma nova data histórica: ela vê a reunião de Moebius, Druillet, Dionnet e Farkas para a criação de “Métal Hurlant” e de sua editora, Les Humanoïdes Associés. A assinatura Moebius ali encontra totalmente seu sentido e gera, com um grande êxito experimental e uma nova força de expressão, criações regularmente citadas entre as obras-primas incontestáveis da história em quadrinhos: Arzach, em 1976, Cauchemar Blanc, em 1977 (para “L’Echo des Savanes”), Les yeux du chat, com Alejandro Jodorowsky, em 1978, e Major Fatal ou Le Garage hermétique, em 1979. Cada uma a seu modo, essas obras revolucionaram a compreensão da história em quadrinhos e impeliram os limites criativos.

Um novo período se abre, então, para Moebius. Seu encontro com Alejandro Jodorowsky, sobre o projeto inacabado do filme Dune, de uma parte o leva à criação de L’Incal, de outra parte o lança sobre múltiplas colaborações cinematográficas: Alien, do diretor Ridley Scott, o desenho animado de René Laloux, Les Maîtres du Temps, ou Tron, de Steven Lisberger, que integra as sequências animadas por computador.

Paralelamente, Moebius conhece uma entrega em causa existencial radical: se apaixonando pelas doutrinas espirituais, logo ele se junta ao grupo Isozen, dirigido por Appel-Guéry. Ele abandona tabaco, álcool ou toda outra substância produzida nos paraísos artificiais, para se tornar vegetariano, se estabelecer durante alguns anos em Béarn, próximo de Pau, depois se evaporar para o Tahiti, quando o grupo vai se implantar. Sua estadia será de breve duração.

Atraído pelo cinema, ele se instala em Los Angeles e toma suas distâncias com Isozen. L’Incal torna-se um sucesso e o equivalente em notoriedade para Moebius, de Blueberry para Gir! Ele divide, então, sua existência entre Los Angeles e Paris. Em 1984, ele cria, com Jean Annestay e Gérard Bonysse, uma pequena editora em Paris, AEdena, que se consagra nas tiragens limitadas das imagens de Moebius, nas coletâneas de suas ilustrações, assim como em um novo ciclo de história em quadrinhos: Le Monde d’AEdena, hoje retomado por Casterman.

Em Los Angeles, ele cria, com sua esposa Claudine, Jean-Marc e Randy Lofficier, uma sociedade que o representa, Starwatcher Graphic, e que vai permitir a tradução de sua obra completa, em luxuosas graphic novels, pela Marvel, coroando assim sua dimensão de artista internacional. Flexionando-se, de bom grado, aos costumes locais, Moebius desenha, mesmo em 1988, dois episódios de um super-herói lendário: o Surfer d’Argent, sobre um roteiro de seu criador, Stan Lee. Um de seus projetos mais importantes consiste em retomar seu personagem fetiche, o Major Grubert, e em estender Le Garage hermétique às dimensões de um ciclo em diversas facetas.

Os anos 1988 e 1989 inauguram um novo período para Giraud/Moebius. Ele coloca termo à sua “aventura americana”, volta à França e altera o curso da sua vida, tanto naquilo que concerne sua vida privada, quanto suas atividades profissionais.

No terreno editorial, ele não fica inativo. A assinatura de Moebius vai, doravante, aparecer, muito regularmente, no catálogo das edições Casterman, através de múltiplas criações. O desenvolvimento do universo criado, primeiramente, na época das edições Aedena, com o ciclo Le monde d’Edena (4 álbuns publicados). Em paralelo, sempre no registro onírico e instintivo, que caracteriza seu tratamento da ficção científica, Moebius publica, pela mesma editora, várias coletâneas de imagens (a última, em data, se intitula Fusions) reunindo uma boa parte de sua produção “fora HQ”: rascunhos, estudos, aquarelas, ilustrações, etc. Enfim, Casterman acolhi, igualmente, outra faceta de sua inspiração: muito admirador da obra de Winsor McCay, Moebius propõe uma nova adaptação, em dois volumes, do célebre Little Nemo (Le bon roi, Le mauvais roi), desenhada por Bruno Marchand.

Com seu velho cúmplice, Alejandro Jodorowsky, ele inaugura, além disso, por Les Humanoïdes Associés, uma nova série, Le cœur couronné: dois álbuns são publicados (La folle du Sacré-Cœur, Le piège de l’irrationnel), um terceiro está, atualmente, em preparação.

Durante esse período, sempre atraído pelo audiovisual e a animação, Giraud/Moebius fica em contato com o melhor do cinema na França, como nos Estados Unidos, mas nenhum dos grandes projetos que ele havia iniciado, quer seja Le Garage hermétique, com o desenhista japonês Otomo, ou Starwatcher, longa metragem inteiramente em imagens de síntese, de cujo cinco minutos têm sido realizados, não verá finalmente a luz.

Enfim, no capítulo das atividades, não se integrando em um ciclo preexistente, Moebius tem assinado, aqui e ali, alguns livros atípicos como Les Histoires de Monsieur Mouche (com Jean-Luc Coudray, nas edições Hélyode), criado uma pequena estrutura editorial, Stardom (serigrafias, objetos, etc.), com sua ex-esposa Claudine, e visto se erigir um fã-clube, que publica a Moebius Groove, revista dando conta da atualidade da sua produção.

Mas se Moebius revela-se prolífico, Jean Giraud não desaparece da paisagem para tanto. Sempre como roteirista, retoma, pela Casterman, o personagem Jim Cutlass, criado, na origem, por Jean-Michel Charlier, desenhado por Christian Rossi. 4 álbuns são publicados até o presente, o título do último, Tonnerre au Sud, se permitindo mesmo uma piscadela amigável a Blueberry.

O qual Blueberry retoma, além disso, rapidamente ao serviço. Primeiramente em Marshal Blueberry, desenhado por William Vance, sobre roteiros de Giraud (dois álbuns publicados, um terceiro a publicar proximamente) e, em seguida, em Arizona Love, títulos, inicialmente, publicados por Alpen e retomados, depois, por Dargaud que, doravante, publica todas as novidades da série, notavelmente esse “Mister Blueberry” que aparece nestes dias.

N. C.: Jean Giraud, dito Moebius, falece em 10 de março de 2012 em Paris, França.


BIBLIOGRAFIA

GIRAUD

BLUEBERRY
Com Jean-Michel Charlier (roteiro)
ÉDITIONS DARGAUD
Fort Navajo
Tonnerre à l’Ouest
L’Aigle solitaire
Le Cavalier perdu
La Piste des Navajos
L’Homme à l’étoile d’argent
Le Cheval de fer
L’Homme au poing d’acier
La Piste des Sioux
Général “Tête Jaune”
La Mine de l’Allemand perdu
Le Spectre aux balles d’or
Chihuahua Pearl
L’Homme qui valait 500 000 $
Ballade pour un cercueil
Le Hors-la-loi
Angel Face
Nez Cassé
Arizona Love
Mister Blueberry
ÉDITIONS DUPUIS
La Longue Marche
La Tribu fantôme
La Dernière carte
Le Bout de la piste

LA JEUNESSE DE BLUEBERRY
Com Jean-Michel Charlier (roteiro)
ÉDITIONS DARGAUD
La Jeunesse de Blueberry
Un Yankee nomée Blueberry
Cavalier bleu
François Corteggiani (roteiro) e Colin Wilson (desenho)
Trois hommes pour Atlanta
Le Prix du sang
Jean-Michel Charlier (roteiro) e Colin Wilson (desenho)
ÉDITIONS DUPUIS
Les Démons du Missouri
Terreur sur le Kansas
Le Raid infernal
La Poursuite impitoyable (com François Corteggiani)

MARSHAL BLUEBERRY
Com William Vance (desenho)
ÉDITIONS DARGAUD
Sur ordre de Washington
Mission sherman

JIM CUTLASS
Com Jean-Michel Charlier (roteiro) e Christian Rossi (desenho)
ÉDITIONS CASTERMAN
Mississippi River
L’homme de la Nouvelle Orléans
L’alligator blanc
Tonnerre au Sud

CRISTAL MAJEUR
Com Marc Bati (desenho)
ÉDITIONS DARGAUD
Le cristal majeur
L’île de la licorne
Le secret d’Aurélys
Les immortels de Shinkara

HORS COLLECTIONS
ÉDITIONS DARGAUD
L’univers de Gir
ÉDITIONS FUTUROPOLIS
30x40 : Gir
ÉDITIONS LES HUMANOÏDES ASSOCIÉS
Le lac aux émeraudes
Le tireur solitaire


MOEBIUS

JOHN DIFOOL
Com Alejandro Jodorowsky (roteiro)
ÉDITIONS LES HUMANOÏDES ASSOCIÉS
L’incal noir
L’incal lumière
Ce qui est en bas
Ce qui est en haut
La cinquième essence 1 : Galaxie qui songe
La cinquième essence 2 : La planète Difool
Les mystères de l’incal (com Alejandro Jodorowsky e Jean Annestay)

LE CŒUR COURONNÉ
Com Alejandro Jodorowsky (roteiro)
ÉDITIONS LES HUMANOÏDES ASSOCIÉS
La folle du Sacré-Cœur
Le piège de l’irrationnel

LE MONDE DU GARAGE HERMÉTIQUE
Com Jean-Marc Lofficier (roteiro), Eric Shanower (desenho) e Jerry Bingham (desenho *)
ÉDITIONS LES HUMANOÏDES ASSOCIÉS
Le prince impensable
Les quatre royaumes
Le retour du Jouk
Les terres aléatoires *
Le seigneur d’onyx *

LE MONDE D’EDENA
ÉDITIONS CASTERMAN
Sur l’étoile
Les jardins d’Edena
La déesse
Stel

LITTLE NEMO
Com Bruno Marchand (desenho)
ÉDITIONS CASTERMAN
Le bon roi
Le mauvais roi

OBRAS FORA DE SÉRIE
ÉDITIONS LES HUMANOÏDES ASSOCIÉS
Le garage hermétique
The long tomorrow
La citadelle aveugle
Escale sur Pharagonescia
Le bandard fou
Arzach
Les vacances do Major
Chaos
La complainte de l’homme-programme
Le désintégré réintégré
Chroniques métalliques
Arzach made in USA
30x30
Les yeux du chat com Alejandro Jodorowsky (roteiro)
Griffes d’ange com Alejandro Jodorowsky (roteiro)
ÉDITIONS AEDENA
La nuite de l’étoile com Marc Bati (desenho)
La cité feu com Geoff Darrow (desenho)
ÉDITIONS GENTIANE
La mémoire du futur
ÉDITIONS HÉLYODE
Les histoires du Monsieur Mouche com Jean-Luc Coudray (roteiro)
ÉDITIONS CASTERMAN
Surfer d’argent com Stan Lee (roteiro)
Moebius Entrevista com Numa Sadoul
Tueur du monde
Venise céleste
Starwatcher
Made in L.A.
Quatre-vingt-huit
Fusions

N. C.: Bibliografia até 1995.

Fonte: Mister Blueberry Dossier de presse, Dargaud Éditeur, Paris, França, 1995.

Imagem: Afrânio Braga: Jean Giraud, dito Mœbius, extraída da biografia publicada em “Mister Blueberry Dossier de presse”.

Mister Blueberry Dossier de presse © Jean-Michel Charlier, Jean Giraud, Dargaud Éditeur 1995

Afrânio Braga