sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O Universo de Michel Blanc-Dumont. Blueberry



O Universo de
Michel Blanc-Dumont. Blueberry


Para vos agradecer, por todas as vossas numerosas e calorosas mensagens para meu aniversário, eu vos dedico esse outro desenho.
N. C.: Agradecimento feito em 10 de março de 2015. O aniversário de Michel Blanc-Dumont é em 7 de março.


Para aqueles que desejam descobrir minha atividade de Pintor Ilustrador e de Desenhista de História em Quadrinhos, podem ir à minha página Facebook profissional: “L’univers de Michel Blanc-Dumont”.
N. C.: Detalhe do desenho de Mike Steve Donovan, o Tenente Blueberry.


Blueberry, após a batalha.
Desenho a lápis e aquarela.


O jovem Tenente.


Blueberry em uma aldeia bem francesa! Desenho para o cartaz do Festival Bande Dessinée de Crespiéres, em 2007.
N. C.: Bande Dessinée, BD: História em Quadrinhos, HQ.


Kayenta, Arizona. 16 de outubro de 1873.


"Le Lieutenant". Uma tiragem desse desenho para um ex libris.
N. C.: “Le Lieutenant”: “O Tenente”.


Batedor Cherokee.


O jovem Tenente.


Ex-Líbris Blueberry. Editions Dargaud.


Blueberry em equipamento estilo West Coast – Californian.
N. C.: West Coast – Californian: Costa Oeste - Californiano.


Blueberry em equipamento estilo West Coast – Californian. Cores em aquarela e em tintas Ecoline.


“La Jeunesse de Blueberry. L’Antre du Serpent”. Uma nova página em curso de arte-final.


















































Continua...




































segunda-feira, 31 de julho de 2017

Blueberry e o “cavalo de ferro”

Blueberry e o “cavalo de ferro”



“O Homem da Estrela de Prata”

Na cronologia de Blueberry, o episódio “L’Homme à l’étoile d’argent” (1969) (1) (2) (3) constitui um caso em si, porque é o único one-shot da saga, interlocutório entre o primeiro ciclo sobre as guerras indígenas e o segundo sobre a ferrovia. Charlier mostra o herói que, momentaneamente deixa os trajes militares, é requisitado pelos maiorais da cidadezinha de Silver Creek, dominada pelo bando de Sam Fass, nome que recorda aquele do fora da lei assaltante de trens e bancos Sam Bass (1851-1878). Nomeado xerife, ele deve tornar a trazer a lei, em um clima de “Matar ou Morrer (4), confrontando-se com os componentes do bando e com a população covarde e/ou conivente da cidadezinha, com exceção da habitual professorinha corajosa, miss Katie Marsh, e do jovem Dusty. Com a ajuda deles e aquela do fiel beberrão Jimy Mac Clure, Blueberry derrota o bando voltando a trazer a ordem na cidade, distanciando-se no fim como Alan Ladd no filme “Os Brutos Também Amam”, deixando o coração partido da professorinha.

N. C.: 1) Jean-Michel Charlier se inspirou no filme "Rio Bravo" ("Onde Começa o Inferno"), 1959, dirigido por Howard Hawks, para escrever o roteiro de "L' Homme à l'étoile d'argent" ("O Homem da Estrela de Prata"), 1969. 2) Para a capa do álbum "L'Homme à l'étoile d'argent" ("O Homem da Estrela de Prata"), 1969, Jean Giraud se inspirou naquela da revista "Star-Ciné Bravoure" Nº 144, de 01/10/1968, "Un pistolet à la main" ("Uma Pistola na Mão"), cuja fotografia publicada é uma cena do filme "Dos mil dolares por Coyote" ("Dos Mil Dólares por Coyote"), 1966, dirigido por León Klimovsky. Na capa do volume 6, o então Xerife Blueberry é substituído pelo ator James Philbrook, que interpreta Sam Foster no longa metragem espanhol; as únicas diferenças, entre os dois personagens, são a cor do chapéu, a estrela e a pistola. 3) Jean-Michel Charlier, juntamente com Jean Giraud, homenageou John Wayne, o Xerife John T. Chance, no filme, com o seu rosto naquele de Harrison, personagem presente da página 5 a 8, Xerife de Silver Creek, cidadezinha isolada a dois dias de cavalo de Forte de Navajo. 4) Jean Giraud se inspirou em uma cena do clássico western “High Noon” ("Matar ou Morrer", título no Brasil; “O comboio apitou três vezes”, em Portugal; “Le train sifflera trois fois”, na França; “Mezzogiorno di fuoco, na Itália), dirigido por Fred Zinnemann, lançado em 1952, com Gary Cooper, que foi usada em um dos cartazes do filme, para desenhar Mike Blueberry, também xerife, no quadrinho 7 da prancha 23 de “L’Homme à l’étoile d’argent”.





Não faltam um juiz corrupto, o garçom cúmplice, as lutas corporais e os duelos dentro e fora do saloon, as cenas na cadeia, em suma toda a típica temática desse gênero de narrativa. No episódio, Giraud inicia a construir melhor a paginação das vinhetas, saindo, devagarzinho, a separar-se dos ensinamentos de Jijé, mesmo se ainda não parece padronizar bem o desenho dos rostos dos personagens, cujas feições, frequentemente, resultam diferentes de uma prancha à outra, como demonstra o rosto do juiz, que só nas últimas páginas adquire claramente a fisionomia do ator Charles Laughton.



6. L'Homme à l'étoile d'argent
“Pilote” do nº 337 de 07/04/1966 ao nº 360 de 15/09/1966
Álbum Dargaud em 1969



A ferrovia

A epopeia western deve grande parte do seu fascínio também à conquista dos imensos territórios inexplorados, que foram coligados as grandes cidades costeiras graças às construções das redes ferroviárias, com todos os problemas derivados da travessia dos territórios indígenas. E um roteirista atento, como era Charlier, não podia não inserir Blueberry em um similar contexto.



O resultado foram quatro episódios: “Le Cheval de fer” (1970), “L’Homme au poing d’acier” (1970, “La Piste des Sioux” (1971) e “Général Tête Jaune” (1971) (5). Nesses vem contada a história da construção de uma linha transcontinental, a Union Pacific, através da terra dos Sioux. Os incômodos derivados da construção da estrada férrea sobre a população pele-vermelha, acentuada pelos incidentes criados por arte da concorrente Central Pacific, desencadeiam uma feroz reação guiada por Touro Sentado (6) e Nuvem Vermelha (7) com a consequente represália por parte do 7º Regimento de Cavalaria.

N. C.: 5) Três desses quatro episódios foram publicados no Brasil pela Editora Abril: “Le Cheval de fer” (“O Cavalo de Ferro”), “L’Homme au poing d’acier” (“O Homem do Punho de Aço”) e “La Piste des Sioux” (“A Pista dos Sioux”) – “Général Tête Jaune” – “General Cabeça Amarela”, chegou a ser anunciado nesse último, mas não foi publicado . 6) Touro Sentado (1831-1890), Sitting Bull, em inglês. 7) Nuvem Vermelha (1822-1909), Red Cloud, em inglês.



No curso da longa história, Charlier inseriu alguns personagens que entraram de cheio na epopeia de Blueberry. Tomamos conhecimento de Red Neck, que se torna inseparável com Jimmy Mac Clure: os dois, além de serem amantes do álcool, se revelam fundamentais “ombros” para Mike, ajudando-o frequentemente a sair de situações de extremo perigo. Depois há o general Dodge (general Grenville Mellen Dodge, 1831-1915) que durante a Guerra Civil aprendemos ter sido a causa do nariz quebrado de Blueberry (evento mostrado sucessivamente em um episódio da série sobre a juventude), o qual solicita a ajuda do impetuoso militar para resolver os problemas criados com os peles-vermelhas durante a construção da linha ferroviária. Entra a fazer parte daquele universo também a primeira figura feminina que ciclicamente interceptará as aventuras de Mike, a gorducha Guffie Palmer (8), pretensa diretora de uma companhia de ambiciosos, na realidade cafetina de um bordel itinerante; Guffie, feitas as devidas diferenças, recorda a Bianca Castafiore criada por Hergé no universo machista de “Tintin”.

N. C.: 8) Em “L’Homme aux poings d’acier” (“O Homem do Punho de Aço”), surge Guffie Palmer, inspirada, com o corpo exagerado, por Jean Giraud, em Shelley Winters, de “Revanche Selvagem” (“The Scalphunters”), filme de Sidney Pollack, com Burt Lancaster e Telly Savalas, 1968.



Bem delineado é o pistoleiro Jethro Steelfingers, assim chamado por uma prótese de ferro que substitui uma mão cortada pelos Sioux em um velho confronto, encarnação dos maus interpretados, sobre a grande tela, por Jack Palance (9) e que se revela para Mike um antagonista de todo respeito com pagamento da Central Pacific. Como convém a todo mau de uma história maniqueísta, também Jethro terminará mal, vítima das próprias intrigas. Na última parte da história, entra em cena o general Mac Allister, um obtuso e sanguinário militarista que Charlier extrai da controversa figura do General Custer (10). E, de fato, Allister perpetra um genocídio de inermes índios, um ato de acusação que o autor retoma da cultura revisionista daqueles anos sobre a conquista do Oeste, que teria o seu ápice nos célebres filmes “Quando é Preciso Ser Homem”, sobre o massacre de nativos americanos em Sand Creek, e “Pequeno Grande Homem”.

N. C.: 9) Jean Giraud se inspirou em Jack Palance no cartaz de "The Desperados" ("Os Bandidos do Texas"), 1969, filme dirigido por Henri Levin, para a capa de “L'Homme au poing d'acier" (“O Homem do Punho de Aço”), volume 8, 1970, e também para compor o visual de Jethro "Dedos de Aço" Diamond, chamado ainda de "Steelfingers". 10) George Armstrong Custer (1839-1876). Os índios apelidaram Allister de “Cabeça Amarela” devido os seus cabelos loiros, tal qual aqueles de Custer.



A narrativa do confronto entre os soldados da cavalaria e Sioux e Cheyennes é por antologia! Os repetidos ataques e perseguições de uma parte a outra e a sucessão de cortes de cena mantém alta a tensão da primeira à última página, em demonstração, se isso fosse necessário, da maestria de Charlier no saber construir uma trama aventurosa. Talvez pareça um pouco exagerada a contínua exibição, que beira o inverossímil, do engenho de Mike no fugir às contínuas armadilhas tramadas pelos adversários e pelo destino! Tal modo de construir uma história obviamente era ditado, bem como pela habilidade do roteirista, também pela pré-publicação em capítulos de duas páginas por vez no semanal “Pilote”.



No curso da história, Mike é repetidamente acusado de tomar partido do povo vermelho, característica que o tornava particular no panorama dos heróis western da época; é também acusado injustamente de ter furtado US$ 300,000.00 destinados aos salários dos operários da ferrovia, expediente, esse último, que Charlier reutilizará em seguida, desenvolvendo-o de maneira muito mais complexa e dramática, no longo ciclo sobre o ouro confederado.



No quê concerne à arte de Giraud, o artista inicia a sentir o personagem como uma própria criatura, demonstrando uma maior destreza na construção das pranchas, cunhadas de particulares e de pinceladas de preto: estamos ainda longe da limpidez do “Incal” de Mœbius e de “Mister Blueberry”, porém, que potência de desenho!


7. Le Cheval de fer
“Pilote” do nº 370 de 24/11/1966 ao nº 392 de 27/04/1967
Álbum Dargaud em 1970

8. L'Homme au poing d'acier
Pilote do nº 397 de 01/06/1967 ao nº 419 de 02/11/1967
Álbum Dargaud em 1970

9. La Piste des Sioux
“Pilote” do nº 427 de 28/12/1967 ao nº 449 de 30/05/1968
Álbum Dargaud em 1971

10. Général Tête Jaune
“Pilote” do nº 453 de 27/06/1968 ao nº 476 de 05/12/1968
Álbum Dargaud em 1971

Fonte: Blog Zona BéDé, Itália.


Blueberry e il "cavallo di ferro" © Zona BéDé 2014

Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur


Afrânio Braga

terça-feira, 18 de julho de 2017

“La Jeunesse de Blueberry” nº 18 “1276 âmes”

Capa, 2009. N. C.: O Tenente Mike Blueberry
e o pregador Jim Thompson com os seus capangas.


Prancha 1. 


Prancha 2. 


Prancha 3. 


Prancha 4. 


Prancha 5. 


Contracapa, 2009.

“1276 âmes”
“1276 Almas” (1)
Roteiro: François Corteggiani
Desenhos e capa: Michel Blanc-Dumont
Cores: Claudine Blanc-Dumont
Volume: 18
Ano de publicação: 2009 (a); 2012 (b)
Número de pranchas: 46
Gênero: Western
Preço: 11,99 €
Formato: 22,5x29,5 cm
Público: Todos os públicos – Família
Dargaud Éditeur, Paris, França

Edição: a) Anotado “Primeira edição”. b) Contracapa: última publicação: Gettysburg.

Fonte: Dargaud Éditeur e Bedetheque.

N. C.: 1) O título se refere ao número de civis mortos no ataque do exército da União ao Vale de Shenandoah em represália às incursões sangrentas de John Singleton Mosby, “Fantasma Cinza”, contra várias posições nortistas. Nesse massacre, morrem os familiares e os amigos do pregador Jim Thompson.

O coronel John Singleton Mosby (1833-1916), conhecido como “Gray Ghost”, comandante do 43º Batalhão da Cavalaria do Exército Confederado, e William Sherman (1820-1891), general do exército da União, são citados na história, de cuja participam outros personagens históricos: Allan Pinkerton (1819-1894), Philip Sheridan (1831-1888) e George Custer (1839-1876), os dois últimos generais do exército da União.


N. C.: A dedicatória da página 2:

Para Jean-Michel CHARLIER,
que partiu há vinte anos sem deixar o endereço
e que nos falta a cada dia.
Onde quer que ele esteja, ele sabe o porquê.

Saudações
François

N. C.: Jean-Michel Charlier, o criador literário de Blueberry, faleceu em 10 de julho de 1989.



Enquanto Blueberry se recupera com dificuldade dos trágicos acontecimentos sobrevindos às margens do rio Niágara, ele se vê confiar uma perigosa missão. A sobrinha do general Sheridan tem sido raptada de seu colégio por um pregador iluminado e seus capangas que querem se vingar de um massacre perpetrado em civis. Como resgate, eles exigem a rendição dos exércitos nortistas e a renúncia do presidente Lincoln. Blueberry se lança em sua perseguição sem desconfiar que ele não está só sobre a pista e que ele vai de novo colocar suas botas em uma armadilha mortal. Michel Blanc-Dumont e François Corteggiani justificam plenamente sua reputação de grandes mestres da história em quadrinhos de aventuras com essa história de tirar o fôlego que se estenderá em dois volumes.

Fonte: Dargaud Éditeur.





Em 2010, quando da publicação do segundo álbum desse díptico, a editora Dargaud publicou o estojo La Jeunesse de Blueberry tomes 18 et 19 – Aventure complete (“Aventura Completa”) contendo os volumes 18 e 19 e um presente (a edição Nº 404, de 21 de setembro de 1864, do jornal Harper’s Weekly, a journal of civilization, publicado em Nova York, de 4 páginas em preto e branco, sobre as grandes aventuras de Mike Steve Blueberry, cuja capa reproduz o desenho daquela do volume 19, “Rédemption”, duas páginas com extratos das duas histórias – Instituição Batista da Redenção, em Ogamaw, Ouachita County, Arkansas; pregador Jim Thompson; Blueberry tendo problemas com o pregador louco; Walter Baumhoffer, agente da Pinkerton; o ataque com canhões a civis em Shenandoah Valley, Virginia; Tenente Blueberry e Virginia Kidman se beijando; Blueberry na estrada para Corben – e a contracapa com um desenho e a biografia de Mike Steve Blueberry. A Dargaud imprimiu o jornal no formato de 28,0x40,5 cm e em papel amarelado para representar o seu envelhecimento).

A capa do estojo é composta por uma montagem com extratos da capa de “1276 âmes” (Tenente Blueberry) e do quadrinho 6 da prancha 29 de “Rédemption” (a casa onde estivera presa a sobrinha do general Philip Sheridan). A contracapa apresenta uma montagem do quadrinho 3 da prancha 2 com o quadrinho 5 da prancha 44 de “1276 âmes”, os títulos e as capas dos dois volumes e o seguinte texto:

O Tenente Blueberry deve fazer frente a um pregador particularmente perturbado. O falso homem de igreja tem massacrado um convento inteiro para capturar a sobrinha de um general nortista a fim de fazer pressão sobre ele. Blueberry deverá seguir sua pista sangrenta para impedi-lo de causar danos.

A ilustração da página de guarda dos álbuns da série “La Jeunesse de Blueberry, de François Corteggiani e Michel Blanc-Dumont, compõe os versos da capa, da contracapa e das orelhas; nessas últimas estão Blueberry (extrato do quadrinho 2 da prancha 19 de “1276 âmes”) e Jim Thompson (extrato do quadrinho 8 da prancha 13 de “1276 âmes”).


A série “Blueberry” foi criada por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud.

Fonte das imagens: Bedetheque: capa e contracapa. BDfugue: pranchas 1, 2, 3, 4 e 5. Afrânio Braga: estojo La Jeunesse de Blueberry tomes 18 et 19 – Aventure complète.

La Jeunesse de Blueberry nº 18 1726 âmes © François Corteggiani, Michel Blanc-Dumont, Dargaud Éditeur 2009, 2012
La Jeunesse de Blueberry tomes 18 et 19 – Aventure complete © François Corteggiani, Michel Blanc-Dumont, Dargaud Éditeur 2010


Afrânio Braga

sexta-feira, 30 de junho de 2017

As Guerras Indígenas de “Blueberry”

As Guerras Indígenas de “Blueberry”




A cavalo dos anos Sessenta, na França, são publicados dois grandes semanais para rapazes em grande difusão: “Vaillant” (depois tornado “Pif”), o periódico para rapazes editado pelo Partido Comunista Francês, e “Pilote, Le Journal de Astérix et Obélix”, editado pela editora Dargaud. O jovem desenhista Jean Giraud (25 anos) decide revolver-se a esse último, em cuja redação encontra o belga Jean-Michel Charlier, redator-chefe do semanal e prolífico roteirista aventuroso (“Buck Danny”, “Barbe Rouge”, “Tanguy et Laverdure”), o qual quer escrever uma série western.  O resultado aparece no número 210 de 31 de outubro de 1963 com o primeiro capítulo de “Fort Navajo” da série “Lieutenant Blueberry”, a partir do nome do personagem, que em inglês significa mirtilo, e por ele assinada com o pseudônimo Gir (1).

1) Jean Giraud usava dois pseudônimos: Gir, para as histórias em quadrinhos western, e Mœbius, para aquelas de ficção científica.




Em seguida, aprenderemos que o verdadeiro nome de Blueberry é Mike Steve Donovan, um filho do profundo sul que, por uma série de causas, é constrito a passar para o lado dos nortistas durante a Guerra de Secessão americana. O rosto do personagem, nos primeiros episódios, é traçado sobre aquele do ator Jean-Paul Belmondo, à época adequado a papéis de simpático canalha, assim como se revela bem rápido a criatura de Charlier e Gir.




Trata-se de fato de um personagem a seu modo incômodo, um anti-herói, intolerante de a disciplina militar, frequentemente constrito pelos eventos a ultrapassar os limites do lícito, generoso como todos os heróis que se respeitam, sobretudo defensor dos indefesos, mas também amante do uísque, das mulheres, do pôquer e das contendas amigáveis, em breve tudo ao contrário dos adiamantados heróis em quadrinhos da época: um por todos, o nosso Tex Willer!


A produção em “Blueberry” pode ser resumida em diversos ciclos temáticos.




O primeiro ciclo é composto por cinco episódios: “Fort Navajo, “Tonnerre a l’Ouest”, “L’Aigle solitaire”, “Le Cavalier perdu e “La Piste des Navajos(1), que tratam de guerra contra os Apaches. Blueberry, de serviço em Forte Navajo, deve enfrentar uma sangrenta rebelião apache, provocada pelo ódio demonstrado pelo seu superior, o major Bascom, nos confrontos com aquele povo. Blueberry rápido conhece Jimmy Mc Clure, um velho beberrão que se torna o seu ombro, como convém a um filme hollywoodiano e, com efeito, nessa história em quadrinhos se acham reunidos todos os clichês dos filmes sobre a 7ª Cavalaria dos Estados Unidos: intrépidos guerreiros Apaches, ataques ao forte tenazmente defendido, perseguições nos cânions, lutas corporais, o todo temperado com aquele espírito de revalorização da população indígena americana, misturado à condenação pelo genocídio praticado sobre a mesma, que tem permeado a cultura europeia, e não só aquela, nos anos 1960 e que na França e na Bélgica tem dado vida a Le Nouveau Western, um novo tipo de western mais maduro nas Bandes Dessinées.

N. C.. 1) “Fort Navajo” – “Forte Navajo”, “Tonnerre a l’Ouest” – “Tempestade no Oeste”, “L’Aigle solitaire” – “Águia Solitária”, “Le Cavalier perdu” – “O Cavaleiro Perdido”, e “La Piste des Navajos” – “A Pista dos Navajos”.




De um ponto de vista gráfico, é evidente a influência do mestre Joseph Gillain, em arte Jijé, que além de quê assina algumas pranchas e uma capa do ciclo, em demonstração da estreita ligação entre os dois autores.


Tal influência se nota nos rostos dos guerreiros apaches, também se em Gir o conjunto da construção da prancha desenhada apresenta um agradável efeito dinâmico graças a uma maior busca nos detalhes e um maior vigor no representar os cavalos. Os quatro episódios têm sido recoloridos abolindo os fundos cor verde e cor fúcsia (poucos verossímeis) da primeira elaboração.



1. Fort Navajo
“Pilote” do nº 210 de 31/10/1963 ao nº 232 de 02/04/1964
Álbum Dargaud em 1965

Capas de “Pilote” nº 210 e do álbum realizadas por Jijé



2. Tonnerre à l'Ouest
“Pilote” do nº 236 de 30/04/1964 ao nº 258 de 01/10/1964
Álbum Dargaud em 1966

8 pranchas desenhadas por JiJé
Da prancha 29 (“Pilote” nº 250 de 06/08/1964)


à prancha 36 (“Pilote” nº 253 de 27/08/1964)


e o primeiro quadrinho da prancha 37




3. L'Aigle solitaire
“Pilote” do nº 261 de 22/10/1964 ao nº 285 de 08/04/1965
Álbum Dargaud em 1967


4. Le Cavalier perdu 
“Pilote” do nº 288 de 29/04/1965 ao nº 311 de 07/10/1965
Álbum Dargaud em 1968

22 pranchas desenhas por JiJé
Da prancha 17 (“Pilote” nº 296 de 24/06/1965)


à prancha 38 (“Pilote” nº 307 de 09/09/1965)




5. La Piste des Navajos 
“Pilote” do nº 313 de 21/10/1965 ao nº 335 de 24/03/1966
Álbum Dargaud em 1969



Fonte: Blog Zona Bedé, Itália.

Le guerre indiane di Blueberry © Zona Bedé 2014

Blueberry © Jean-Michel Charlier / Jean Giraud - Dargaud Éditeur


Afrânio Braga